"Trabalho de combate e prevenção ao Aedes independe do número de casos", afirma ministro da Saúde  - Geral - Hora de Santa Catarina

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Entrevista ao DC01/12/2016 | 05h07Atualizada em 01/12/2016 | 05h12

"Trabalho de combate e prevenção ao Aedes independe do número de casos", afirma ministro da Saúde 

Ricardo Barros, garante que o governo está investindo alto no desenvolvimento de pesquisas e vacinas

"Trabalho de combate e prevenção ao Aedes independe do número de casos", afirma ministro da Saúde  Sirli Freitas/Especial
Foto: Sirli Freitas / Especial

Em entrevista ao DC, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, garante que o governo está investindo alto no desenvolvimento de pesquisas e vacinas, em fase de testes, para combater as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, chikungunya e zika vírus). O Dia D, mobilização nacional que reforça as ações de combate e prevenção, que será nesta sexta-feira em todo o país, foi transferido para o dia 9 em SC devido ao momento de luto no Estado.

Até 2013, SC era o único Estado sem nenhum caso autóctone de denguechikungunya e zika vírus. Neste ano, houve uma explosão de casos no Estado das três doenças, inclusive com mortes. Por que o Estado perdeu o controle e que ações devem ser feitas para recuperar a marca? 
O trabalho de combate e prevenção ao Aedes aegypti deve ser permanente, independentemente do número de casos. Até mesmo os locais onde há registro satisfatório precisam manter a rotina de combate ao mosquito. Estamos esperando para este ano uma estabilidade nos casos de dengue e zika em todo o país. Como a chikungunya é uma doença nova, e muitas pessoas ainda estão suscetíveis, pode ocorrer aumento de casos ainda neste ano, mas esperamos estabilização no ano que vem. No entanto, é importante ressaltar que o SUS está qualificado e preparado para o atendimento destas pessoas. Nosso levantamento aponta que quatro municípios do Estado encontram-se em situação satisfatória com relação a surto de dengue, chikungunya e zika em Santa Catarina. Atualmente, este levantamento é feito a partir da adesão voluntária de municípios. Irei propor que a participação dos municípios com mais de 2 mil imóveis seja obrigatória a partir de 2017.

A vacina contra a dengue é uma solução? Qual é a perspectiva de ela entrar no calendário vacinal no país?
Temos priorizado a análise e pesquisa de novas tecnologias relacionadas ao combate do Aedes aegypti. A pasta já se comprometeu, desde novembro do ano passado, com R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias na área. Desse total, R$ 100 milhões são para custear a terceira e última fase da pesquisa clínica da vacina da dengue que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan. Essa vacina tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue com uma única dose, além de poder ser aplicada em pessoas de todas as idades, inclusive em crianças e idosos.Também estão sendo liberados R$ 11,6 milhões para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika pela Fiocruz. Outra pesquisa para a vacina contra zika está em desenvolvimento pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) em parceria com a Universidade Medical Branch do Texas, nos Estados Unidos. Os testes pré-clínicos serão realizados ainda neste ano. Além disso, temos o projeto de desenvolvimento de soro contra o vírus zika pelo Instituto Butantan, sob avaliação jurídica. No entanto, ainda não podemos definir calendário de vacinação.

Intensificar as ações de combate ao Aedes só quando o clima começa a esquentar não é tarde demais?  
As ações de prevenção e combate ao mosquito têm sido intensificadas. Estão sendo realizadas mobilizações nacionais para coleta de pneus em diversos municípios. Outra medida será reafirmar o Pacto da Educação Brasileira contra o Zika e sensibilizar os governadores e gestores municipais sobre a importância da continuidade das ações. Também é essencial a conscientização de toda a população para o reforço nos cuidados para eliminar possíveis criadouros. O aumento de casos é esperado nos próximos meses, devido ao calor e às chuvas, condições ideais para o Aedes aegypti. Por essa razão, a campanha nacional de mobilização é lançada nessa época do ano.

Santa Catarina até agora não tem nenhum caso de microcefalia relacionado diretamente ao zika vírus. Agora que o Estado começa a apresentar mais casos, o Ministério tem uma estratégia prevista para conter o avanço da doença no Estado? 
A preocupação com o vírus zika foi uma constante no Ministério desde os primeiros casos. Até o dia 5 de novembro, foram notificados 10.119 casos suspeitos de microcefalia ou alterações do Sistema Nervoso Central. Desde abril foi observada uma redução gradual dos casos novos suspeitos notificados semanalmente. É importante esclarecer que diversos fatores podem ter influenciado a redução observada no número de notificações, como a redução de casos de vírus zika em grávidas (especialmente no primeiro trimestre de gestação) há nove meses. Além disso, a sazonalidade da febre pelo vírus zika no Brasil pode ter influenciado a curva epidêmica das complicações relacionadas a essa doença. O tema ainda necessita de estudos mais aprofundados e temos participado e financiado isso.

Quando chegarão a SC os testes rápidos de zika vírus e repelentes para grávidas?  
Em outubro, adquirimos 3,5 milhões de testes rápido do laboratório público Bahiafarma para identificar o vírus zika. A projeção é que essa quantidade garanta o abastecimento da rede por um ano. Com isso, os testes estarão disponíveis para uso no SUS a partir de dezembro, ainda um mês antes do verão, quando a circulação do mosquito Aedes aegypti é maior. Está prevista a distribuição de dois milhões de kits até o final deste ano e o restante até fevereiro de 2017. A tecnologia confirma, em 20 minutos, se o paciente está ou já foi infectado pelo vírus zika vírus em algum momento da vida, independente do tempo de infecção.

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