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Políticas públicas09/02/2017 | 10h40Atualizada em 09/02/2017 | 10h40

Centros de apoio a aborto entram na mira de republicanos no Congresso dos EUA

Entidade afirma que o processo de interrupção de gravidez representa só 3% dos atendimentos e que os cortes de financiamento podem ameaçar o acesso à saúde de milhões de mulheres

Centros de apoio a aborto entram na mira de republicanos no Congresso dos EUA ALEX WONG/GETTY IMAGES NORTH AMERICA
Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA
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Os congressistas republicanos preparam uma legislação para eliminar os fundos federais destinados a organizações que realizam abortos, como o Centro de Planejamento Familiar (Planned Parenthood), que tem cerca de 650 unidades em todo o país e atende 2,5 milhões de usuários. A maioria dos pacientes, no entanto, procura a entidade para fazer consultas ginecológicas ou para buscar tratamentos preventivos.

A Planned Parenthood, que acaba de completar 100 anos, é o principal alvo de uma medida republicana em estudo que visa a proibir qualquer financiamento federal para centros que praticam interrupções voluntárias de gravidez (IVE). A intenção sucede um decreto do presidente Donald Trump, que, em 23 de janeiro, assinou um decreto que limita o financiamento a ONGs estrangeiras a favor do aborto.

Em contraponto, a Planned Parenthood afirma que as IVE representam apenas 3% de seus atendimentos e que os cortes de financiamento podem ameaçar o acesso à saúde de milhões de mulheres. 

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O governo de Donald Trump é um dos maiores críticos ao aborto da história moderna dos Estados Unidos. A posição conservadora é liderada pelo vice, Mike Pence. 

— A vida está vencendo nos Estados Unidos — disse Pence durante uma marcha contra o aborto, em Washington, dando um claro sinal do rumo tomado pela nova administração.

O site da organização diz que são cerca de 650 centros médicos em todos os Estados Unidos e 2,5 milhões de pacientes, sendo que 1,5 milhão se beneficiam "de um tipo de seguro médico-federal" como os programas de cobertura sanitária para pessoas de baixa renda Medicaid ou Title X. Se o projeto republicano for adotado, os beneficiários desses programas não poderão mais frequentar o PP.

A Planned Parenthood conta com um orçamento de 1,3 bilhão de dólares anuais, dos quais 43% procedem de fundos governamentais. A organização também está presente na América Latina e na África por meio de associações ou centros médicos locais para proporcionar anticoncepcionais e acesso às IVE "em segurança e onde são legais". 

Em 2014, 15% dos pacientes da Planned Parenthood eram negros e 23% latinos. Cerca de 54% dos centros da PP se encontram nas áreas ruais ou em zonas de carência de atendimento médico.

Em 2013, antes de um endurecimento legislativo, havia 40 centros que praticavam a IVE no Texas. Desde então, 21 fecharam. Depois disso, um estudo universitário publicado no New England Journal of Medicine constatou que a lei se traduziu em "um aumento desproporcional da taxa de nascimento entre as mulheres cobertas pelo Medicaid, provavelmente gestações não desejadas".

No condado de Scott, em Indiana — Estado em que Pence foi governador —, um centro da Planned Parenthood que fazia testes de HIV fechou por falta de financiamento.

— Como mulher, me sinto atacada — afirma Shelby Weathers enquanto espera sua vez num centro da Planned Parenthood para ser atendida. — É desanimador ver como estão tentando eliminar o acesso à saúde — acrescentou a moça de 18 anos, que recebe tratamento anticoncepcional da sede de Phoenix (Arizona).

Deanna Wambach, médica-chefe nessa sede, se declara preocupada com os cortes de fundos do governo.

— Será devastador para as mulheres. Só no Arizona atendemos a 33 mil pacientes — lamentou.


 
 
 

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