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Paralisação na Capital08/02/2017 | 18h59Atualizada em 08/02/2017 | 18h59

Pais enfrentam escolas fechadas e têm dúvidas sobre os motivos da greve em Florianópolis

Primeiro dia do ano letivo começou com 91% das unidades sem funcionar. Entenda o que os servidores reivindicam e o que diz a prefeitura

Pais enfrentam escolas fechadas e têm dúvidas sobre os motivos da greve em Florianópolis Betina Humeres/Agencia RBS
Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

O primeiro dia do ano letivo em Florianópolis começou com 91% das escolas fechadas devido à greve dos servidores, que já passa de 20 dias e ganhou força com a adesão dos profissionais do magistério. De acordo com a Secretaria de Educação, 33 das 36 unidades (91,6%) estiveram fechadas nesta quarta-feira. Outras três funcionaram parcialmente: Lupércio Belamino (Caieira da Barra do Sul), João Gonçalves Pinheiro (Rio Tavares) e Jurerê (no bairro homônimo). Nestas três escolas, pelo menos uma turma estava em funcionamento durante a manhã.

Já entre as creches, das 79 da rede municipal, 60 estavam completamente fechadas, o que representa 75,9% do total. Outras 17 tiveram funcionamento parcial. Apenas duas funcionaram normalmente. Uma fica no bairro Abrãao e a outra é a Creche Rosa Maria Pires, na Agronômica. 

A diarista Cristiane Castanheira, de 39 anos, brincava com sua filhinha de dois anos na manhã desta quarta em frente ao NEI Ingleses, no norte da Ilha, que não abriu. Ela não pôde trabalhar porque precisou ficar com a criança. Perdeu um dia de faxina e de grana. E confessa: ainda tem dúvidas sobre as razões da paralisação.

— A gente ouviu dos funcionários da creche que eles perderam vários direitos, e também vê o prefeito falando que a prefeitura está sem dinheiro e que até setembro poderia falir. Não tenho conhecimento de cada detalhe, eu só espero que as questões sejam resolvidas — resumiu.

Na mesma rua, a Servidão Três Marias, fica a maior escola da Capital, a Professora Herondina Medeiros Zeferino, que conta com cerca de 1,3 mil alunos. Lá estuda também a filha da auxiliar de serviços gerais Graciane Felix, 38. Ela vê dois lados da greve: que os professores estão certos por brigarem pela perda de seus direitos, mas em um outro ponto, gostaria que alguns destes profissionais fossem mais dedicados nas aulas, para ela apoiar a causa.

— Minha filha escutou de um professor que ela não precisaria estudar, porque existe uma lei que não reprova mais os alunos. Como vou defender um professor que fala isso? Que desmotiva a minha filha a estudar? — indagou.

Problemas na infraestrutura

Situação de escola nos Ingleses Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Ainda nos Ingleses, outras três mães conversavam sobre a greve. Era de fato o assunto do momento. Elas preferiram não se identificar, mas concordam que os servidores reivindiquem seus direitos. "Antes no começo, do que no meio no ano letivo", complementaram.  

— É só entrar na escola para ver como a educação é tratada na cidade. O colégio está sem água, com infiltrações nas paredes, salas alagadas. Como eles vão trabalhar lá? Como nossas crianças vão estudar num lugar assim? — indagou uma das mães, que tem dois filhos estudando na Herondina, de 7 e 10 anos.

Os laboratórios da unidade — inaugurada em 2012 — foram alagados com as últimas chuvas e as infiltrações chegam a descascar a tinta da parede. O cheiro das salas também é muito forte de mofo. No ginásio, o telhado foi danificado com as chuvas de dezembro e até então não foram arrumados. A unidade ainda estava sem água nesta quarta por problemas no sistema hidráulico.

— Mesmo se não tivesse a greve, as crianças não teriam condições de estudar ali — observou uma das mães, que tem uma filha de oito anos que estuda no colégio.

O secretário de Educação de Florianópolis, Maurício Fernandes Pereira, explicou que em janeiro a gestão montou uma comissão para analisar a situação das escolas da Capital. 

— No caso específico da Herondina, há um problema na água. Mandei uma equipe na semana passada e nesta quarta de novo para tentar resolver o problema. Também há um problema que a chuva levantou o piso. Mas tem uma equipe trabalhando nestes problemas — afirmou o secretário.

Sem saber para qual postinho ir

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, também na manhã de desta quarta, estava o eletricista Marcelo Gonçalves da Cunha, 33, discutindo com um dos funcionários que permanecia na UPA apenas para atendimentos de emergência. Lá, faixas também indicavam a greve.

Ele contou que foi até o posto de saúde do bairro Cachoeira do Bom Jesus, que estava fechado, e foi até a UPA para levar seu filho de apenas um aninho. O bebê está com uma forte alergia causada por fungos, e como este atendimento não se encaixa na emergência, o neném não foi atendido pelo setor de pediatria.

— Eu entendo a greve, a briga por direitos. Mas ao mesmo tempo, tenho uma tia que é médica que sempre me diz: eu não me formei para ter dinheiro, foi para ajudar as pessoas. E acredito muito nisso também. E hoje não me ajudaram. Meu filho está aqui, agoniado — soltou.

Ele foi orientado a buscar ajuda no Hospital Infantil ou no Hospital Universitário. Com o bebê num carrinho, disse que pegaria um ônibus do norte da Ilha para a região central.  

No posto de saúde do Ingleses, os portões estavam totalmente fechados. Faixas explicavam as razões da greve e um cartaz, inclusive, indicava o telefone do prefeito para reclamações.

Para entender

O que alegam os servidores

Os servidores municipais de Florianópolis são contra o pacotão de leis enviadas por Gean Loureiro à Câmara de Vereadores, entre eles uma lei que prevê uma série de mudanças na carreira do próprio funcionário público. A lei foi aprovada e dá fim a licença-prêmio, prevê redução das férias auxiliares de sala de 65 para 30 dias, o fim da extensão de jornada, a suspensão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, a limitação do anuênio e triênio, não permitindo mais progressões, e implicando em perda salarial, e a contratação de secretárias escolares via empresa terceirizada.

"Nós queremos a manutenção do plano de carreira que já existe", diz comando de greve do Sintrasem

O que diz a prefeitura

A prefeitura afirma que apresentou o projeto porque "não tem condições financeiras de aplicar aumento de salários previsto no antigo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, e por isso suspendeu o mesmo para iniciar a discussão de um novo". Disse ainda que se o plano for aplicado, a folha de pagamento com funcionalismo chegará perto do 70% de tudo o que arrecada. E se aplicar o plano, a prefeitura terá que decretar falência em setembro. 

Gean Loureiro: "se eu revogar as leis, não terá dinheiro para os salários"

 
 
 

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