Varejo catarinense tem pior resultado em 15 anos - Geral - Hora de Santa Catarina

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Economia14/02/2017 | 20h19Atualizada em 14/02/2017 | 20h19

Varejo catarinense tem pior resultado em 15 anos

Volume de vendas recuou 5,1% em 2016, maior queda da série histórica

Em 2016, a recessão fez o comércio catarinense amargar o pior resultado em 15 anos. O volume de vendas do varejo restrito - que não contempla automóveis e material de construção - caiu 5,1% em relação a 2015, a segunda queda registrada na série histórica (desde 2001) e a pior, revelou a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE nesta terça-feira. Em 2015, o setor já havia recuado 3,1% no Estado.

Apesar de recorde, o encolhimento do volume de vendas em SC foi o quarto menor do país, em um ano no qual apenas uma unidade da federação, Roraima, pode comemorar um crescimento. No Brasil, o recuo de 6,2% registrado no ano passado também foi o pior em 15 anos.

— A forte restrição ao crédito, a deterioração do emprego e a queda da renda real refletiram diretamente no volume de vendas. Também contribuiu para a retração do consumo a instabilidade política que permeou grande parte do ano passado - explica Luciano Córdova, economista da Fecomércio SC.

No ano passado, a inflação alta fez os salários perderem 7% do seu valor real em SC, conforme dados do IBGE. Além disso, o Estado registrou seu segundo pior saldo de empregos na série histórica: 32 mil postos de trabalho desapareceram segundo o Ministério do Trabalho. Mesmo quem não ficou desempregado, foi influenciado pelo cenário, que fez o consumidor perder a confiança em gastar dinheiro. 

Somente duas de oito categorias de produtos não tiveram queda de vendas em SC: farmacêuticos (1%) e artigos de uso pessoal e doméstico. Os maiores tombos foram observados em livros, jornais e revistas (-16,6%) e materiais para escritório, informática e comunicação (-14,1%).

O segmento de móveis e eletrodomésticos também teve desempenho ruim (-8,7%). No entanto, o volume de vendas de móveis, isoladamente, teve incremento de 3,5%. Isso fica claro pelos resultados da rede varejista Koerich, que viu seu faturamento crescer 10% em termos reais.

11 mil lojas a menos em dois anos

A queda no volume de vendas acompanhou também o alto número de fechamento de lojas. De acordo com a Fecomércio-SC, em 2016 cerca de 5,4 mil estabelecimentos do comércio varejista fecharam as portas no Estado - 3% menos que em 2015 e saldo um pouco melhor do que o registrado em mercados consolidados como os do Rio de Janeiro e de São Paulo. O desempenho catarinense, embora ruim, ainda ficou à frente dos vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul.

No Brasil, 108,7 mil estabelecimentos fecharam em 2016, dado também ligeiramente menor em relação ao registrado em 2015. Até mesmo uma das maiores varejistas do país, a Havan, sentiu os efeitos da crise. A rede havia aberto 24 lojas em 2014 e sete em 2015. No ano passado, inaugurou só uma.  

Com quase 11 mil lojas fechadas em dois anos, números negativos passaram a fazer parte do mercado de trabalho catarinense. Embora o saldo de empregos do comércio em 2016 tenha sido melhor que em 2015, ainda houve mais demissões que admissões. Cerca de 1,6 mil postos de trabalho deixaram de existir no setor varejista somente no ano passado.

Expectativa é de melhora gradual
Embora os resultados ruins ainda assombrem o varejo, os empresários estão confiantes quanto ao desempenho do setor em 2017. A desaceleração da inflação e a queda na taxa de juros têm apontado para um futuro melhor. O segundo semestre de 2016 mostrou uma perda de fôlego da recessão no Estado, ao menos para o comércio.

Cerca de 68% do  número total de lojas fechadas, por exemplo, concentraram-se nos primeiros seis meses de 2016. E em novembro e dezembro do ano passado, as vendas foram 4,2% e 0,8% maiores, respectivamente, no paralelo com os mesmos períodos em 2015.  

Além desses fatores, o empresariado está otimista por conta do dinheiro que será injetado pelo saque de contas inativas do FGTS a partir de março. Em Santa Catarina, 467 mil trabalhadores têm direito aos saques, que podem despejar até R$ 1,8 bilhão na economia estadual. 

— A expectativa é positiva, estamos apostando neste recurso para aquecer a economia, possibilitando que o consumidor adquira produtos, primeiramente de necessidade prioritárias, na linha de móveis e eletrodomésticos, além de investir em bens duráveis, reformar a casa - diz o presidente da rede Koerich, Antonio Koerich.

Esse otimismo reflete nas metas ousadas dos varejistas. A Koerich, que tem 98 lojas no Estado, pretende inaugurar pelo menos 9 unidades. A Havan tem um plano de expansão agressivo para os próximos dois anos, com uma meta de abrir 40 lojas apenas em Santa Catarina e no Paraná, mercados que são prioridade da rede. 


 

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