Condições de trabalho afetam o início do ensino médio integral em escola de Palhoça - Geral - Hora de Santa Catarina

Educação07/03/2017 | 19h05Atualizada em 08/03/2017 | 20h03

Condições de trabalho afetam o início do ensino médio integral em escola de Palhoça

Alunos e professores sofrem com o calor em salas sem ar-condicionado, enquanto equipamentos estão estocados aguardando a instalação. Com isso, tempo das aulas foi reduzido

Condições de trabalho afetam o início do ensino médio integral em escola de Palhoça Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Quando saíram para as férias escolares de verão, em dezembro de 2016, professores e alunos da escola estadual Governador Ivo Silveira, em Palhoça, aguardavam ansiosos duas novidades que a Secretaria de Estado da Educação (SEE) prometia: a instalação de 22 aparelhos de ar-condicionado em salas de aula e o início do ensino médio integral em sete turmas do colégio que tem 1.400 alunos. Vinte dias após a largada do ano letivo, entretanto, os aparelhos de ar-condicionado seguem amontoados em uma sala e o ensino integral ainda não havia sido cumprido em sua totalidade na Ivo Silveira, já que desde o dia 20 de fevereiro, cada aula foi reduzida para 30 minutos – em vez dos 45 habituais – em função das más condições de trabalho. O movimento foi organizado por professores e teve apoio de pais de alunos.

Alunos estudam em "sauna de aula" em escola de Palhoça

Com aulas pouco além da metade prevista, adolescentes perderam preciosas horas de ensino, sentados ou deitados nos corredores da escola, já que das 10h45min às 13h30min ficavam sem aula. No período da tarde, o ensino integral também foi comprometido, pois os alunos terminavam as aulas às 16h, uma hora e meia antes da previsão de saída nas outras 15 escolas de 14 municípios que aderiram ao novo modelo.

— Sem ar-condicionado o calor é muito forte, porque algumas salas não têm nem ventilador. Os alunos não rendem, não se concentram, pedem para sair da sala a todo momento e, em alguns casos, já passaram mal por causa do calor. Não entendemos por que os 22 aparelhos estão dentro de uma sala, sem uso. Além disso, também temos aulas com só duas lâmpadas — reclama a professora Valéria Pinto dos Santos, 48 anos, que também é presidente do Conselho Deliberativo da Ivo Silveira.

Mas não é só o calor das salas de aula e o baixo rendimento dos alunos que preocupa Valéria e a comunidade. O colégio tem uma das maiores taxas de abandono escolar no ensino médio, segundo o Censo Educacional 2015. Ainda, responde pela segunda mais baixa taxa de aprovação no início do ensino médio (47,4%). Como o período pós-Carnaval costuma ser de aumento na evasão escolar, o fato de alunos estarem com o tempo ocioso gera o medo de que os abandonos escolares também aumentem.

Segundo Valéria, a explicação dada pela SEE até esta segunda-feira para não instalar os aparelhos é a falta de um transformador para fazer os aparelhos de ar funcionar. A professora, porém, expõe não entender os motivos de tanta demora em adquirir peça relativamente simples, e se pergunta "onde foram buscar esse transformador?".

Alunos prejudicados

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Entre os alunos da Ivo Silveira, as aulas nesses dias de verão intenso têm sido um suplício. Mesmo em salas de aula com ventilador, contam, o vento só refresca metade dos espaços ocupados por estudantes. É o que acontece na sala de Renan Vitorino, 17 anos, do 2º ano do ensino médio. Com um ventilador funcionando, só os que sentam no "fundão" são agraciados com um ventinho para refrescar.

— Da metade para a frente não pega vento. É muito ruim, todo mundo pede para sair, tomar água e pegar um ar.

Estudante do 1º ano do ensino médio, André Daniel de Mello, 16 anos, fala que só sente calor quando vai à escola. Da mesma idade, mas aluna do 2° ano e integrante do Diretório Central de Estudantes (DCE), Sófia Metz, afirma que o pior da situação "é a dificuldade em se concentrar na aula".

— Sem falar que esses períodos a menos que estamos estudando têm que ser repostos lá na frente. Quer dizer, vamos ter mais dias de aula por causa de coisas que não foram feitas quando deveriam — expõe Sófia, que agora só "torce para o verão acabar".

Alunas retomadas, mas sem solução

Nesta terça-feira, as aulas voltariam ao normal na Ivo Silveira, mesmo sem a solução sobre o ar-condicionado. A professora Valéria conta que decidiram retomar os períodos de aula de 45 minutos para não prejudicar ainda mais os alunos. Professores pretendem agora, em conjunto com pais, encaminhar documentação ao Ministério Público de Santa Catarina relatando os problemas verificados na escola, onde nesta terça um transformador estourou e deixou o colégio sem luz. As aulas da tarde e da noite foram canceladas. 

A Secretaria de Estado de Educação respondeu sobre a situação através de nota enviada pela assessoria de imprensa. Afirma que a única pendência na conclusão na obra de revitalização da unidade, que custou mais de R$ 3 milhões, é a instalação dos equipamentos. A previsão de instalação dos aparelhos é a próxima semana. As horas não cumpridas serão repostas após organização da equipe do ensino. Sobre a evasão, diz que ocorre por diferentes motivos, como mudança da família para outra cidade, transferência para escolas de nível técnico e para escolas mais próximas da residência.

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