Conheça histórias de trabalhadoras de Florianópolis e o que elas desejam para o Dia Internacional da Mulher - Geral - Hora de Santa Catarina

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Fala, povo08/03/2017 | 09h25Atualizada em 08/03/2017 | 09h25

Conheça histórias de trabalhadoras de Florianópolis e o que elas desejam para o Dia Internacional da Mulher

Ouvimos mães solteiras, comerciantes, trabalhadoras do comércio popular, vendedoras de rua, "gente como a gente". Mulheres capazes de narrar, sem discursos prontos ou clichês, o drama e a doçura de ser quem são

Andando pelo Centro da Capital, para buscar mulheres de fibra e que estavam com a mão na massa um dia antes de ser celebrado o Dia Internacional da Mulher, encontramos perfis e opiniões diferentes, mas com um consenso: a mulher trabalha muito — tanto quanto o homem — cuida dos filhos, leva comida para casa e tem muito orgulho do que faz.

Se está cansada, durante nossa conversa não demonstrou. No geral, muitas se dizem valorizadas, mas concordam: ainda temos um longo caminho pela frente e os homens, Ah! os homens... ainda precisam respeitar e nos tratar com a igualdade que exigimos. Claro, elas também afirmam: precisamos (nós, mulheres) fazer a nossa parte e lutar por essa igualdade.

Mãe, trabalhadora e guerreira 

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

A atendente Ana Carla Lustoza, de 23 anos, tem dois filhos, de quatro e sete anos. É pai e mãe ao mesmo tempo, trabalha oito horas por dia em seis dias por semana, sonha em crescer no atual emprego e tem na família sua maior motivação e exemplo. Mesmo com alguns percalços da vida, a trabalhadora não deixa de lado o sorriso e simpatia. Como ela bem diz, a "mulher é guerreira. Conseguimos fazer tudo".

Natural de Guarapuava, no Paraná, se mudou há sete anos com um filho, pai e mãe para Florianópolis. Conta com a ajuda de outra guerreira, a mãe, para cuidar dos filhos enquanto está na luta para pagar as contas.Desde nova já trabalha. O primeiro emprego foi no MC Donalds. Ficou lá cinco anos e garante: gostava demais do que fazia. Atualmente, há cinco meses, conquistou um trabalho ainda melhor num posto de gasolina. Num lugar que poderia ser dito como masculino, ela afirma que é tratada da mesma forma que os homens.

A igualdade de oportunidades que ela enxerga no trabalho, já não vê com tanta clareza no dia-a-dia e nas palavras de alguns homens.

— Ainda falta muito respeito — avalia.

No Dia Internacional da Mulher, comemorado hoje, ela indica para as mulheres correrem atrás.

— Corram atrás de tudo, porque podemos tudo. Não dá só para desejar, precisamos ir atrás dos nossos sonhos e não depender de ninguém — diz.

Mais equilíbrio

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Quatro vezes por semana, a comerciante Tania Padilha Garcia, de 66 anos, acorda cedinho e com a ajuda do marido, artesão, sai da região de Coqueiros para o Centro de Florianópolis montar sua barraquinha na frente da Catedral Metropolitana. Vende objetos de cristais feitos pelo marido. Coisa que, particularmente, ama: vender!

— Eu amo organizar a tenda, falar com as pessoas. Desde 1978 que trabalho com vendas. Não fico parada — revela a trabalhadora.

Casada, com dois filhos, de 42 e 44, três netos, e quatro cachorros, Tania acha que é preciso mais equilíbrio entre homem e mulher. O homem deve buscar o respeito – o caminho ainda é longo para igualdade de gêneros. Mas acredita que muitas mulheres estão mais agressivas com eles e mais competitivas entre elas.

— Minha mensagem é que as mulheres sejam sempre quem elas querem ser. Se exigir respeito e doçura, que não perca o respeito e a doçura com os outros — avalia.

Se virando

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

No calçadão da Felipe Schmidt, no Centro da Capital, estava a vendedora Simone Cardoso, 34 anos. Enquanto ela oferecia para pedestres uma cartelinha de Trimania para o pessoal tentar a sorte, seu pequeno de 11 meses, Saymon Gabriel, estava do ladinho, por vezes no seu colo.

Sem trabalho de carteira assinada desde março de 2016, Simone é uma das vítimas da crise econômica e está na luta para pagar as contas. Mãe de quatro filhos, as duas mais velhas, de 16 e 11 anos, moram com uma tia em São José. Os mais novos, de 11 meses e oito anos, ficam com ela na casinha que tem no Monte Serrat.

— A situação está complicada. Já entreguei mais de 20 currículos e não tive retorno. Mas tenho que me virar porque tenho que dar de comer para os pequenos. E estamos aí, todos os dias tentando — disse.

A sugestão para as mulheres, disse Simone, também é correr atrás.

— Correr atrás dos nossos direitos, de trabalho. Nunca desistir do que a gente sonha. Mesmo que o homem não dê valor, a gente precisa se valorizar — falou.

Mais valorização

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Há 17 anos trabalhando num dos comércios mais tradicionais do Mercado Público, Marlene Mansur de Moraes, de 78 anos, hoje continua com o negócio que era de seu pai, o Bazar Mansur, que já está com as portas abertas no espaço mais importante da Ilha há 70 anos. Não se vê mais fora do espaço, apesar de que na maior parte de sua vida, mais de 30 anos, trabalhou como cirurgiã dentista em Florianópolis.

Naquela época, a maioria dos cirurgiões eram homens. Mas essa manezinha do Centro da Capital mostrou seu profissionalismo, competência e conquistou seu espaço. Se dava bem com todos os colegas de trabalho. Ela acredita que as mulheres precisam colocar mais a competitividade com as outras de lado, e se tratarem mais como irmãs. Buscar a fraternidade em tudo o que fazem. E essa dica vale para elas e eles.

— A mulher precisa ser mais valorizada em todos os âmbitos, mas também precisa se valorizar. De escravas fomos a rainhas, e não podemos descer e voltar ao último degrau. Acredito que é preciso um pouco mais de valorização moral. Já mostramos do que somos capaz e que temos igual capacidade em tudo — observou a trabalhadora.

Mais respeito

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Do trabalho em uma lavanderia, há dez anos, Eloisa Maria Guedes, 41, conseguiu sair do status de empregada para dona do seu próprio negócio. Realizou um sonho e hoje vende flores e mudas de plantas e árvores no Largo da Alfândega, numa barraca disputada no Centro de Floripa.

Ali, neste espaço frequentado tanto por manezinhos como por turistas, conheceu inúmeras pessoas e amigos. Hoje faz o que gosta, se sente satisfeita e não vê problema em encarar a ponte três vezes por semana — ela vem de Biguaçu — para trabalhar na Capital. Nos outros dois dias de semana, faz os corres. Todas as suas flores vem de São Paulo e são escolhidas a dedo.

Seu exemplo como mulher batalhadora, ela deseja para as demais companheiras nesta data.

— Ainda há muito para se caminhar, não existe a igualdade entre homens e mulheres que desejamos. Mas busque seus desejos, batalhe, e não ligue para o que os outros falam — avisa Eloisa. 

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