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Mobilidade08/03/2017 | 07h31Atualizada em 08/03/2017 | 07h31

Serviço de transporte Uber ainda causa polêmica em Joinville

Usuários e motoristas do serviço de transporte relatam constrangimentos causados por taxistas

Serviço de transporte Uber ainda causa polêmica em Joinville Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Aplicativo ainda causa controvérsias entre usuários e taxistas Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Quase três meses após começar as operações em Joinville, o serviço de transporte Uber ainda gera controvérsias entre a população. No último dia 28, uma usuária do serviço, que não quis se identificar, relatou que sofreu uma tentativa de coerção por parte de taxistas do local.

Conforme informações da mulher, ela tentou pegar um carro do Uber no aeroporto, por volta das 10 horas, próximo ao desembarque. Ela e o namorado aguardavam o carro quando perceberam que alguns taxistas encaravam a dupla. Para evitar problemas, os dois caminharam alguns metros à frente para esperar em outro local.

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Neste momento, o motorista do aplicativo entrou em contato perguntando se os dois poderiam encontrá-lo fora do aeroporto, por acreditar que ali não estavam seguros.

— Nós sempre pegamos o transporte em outras cidades, como Florianópolis e São Paulo, e nunca tivemos problemas com taxistas — conta.

Já fora do aeroporto, próximo à rotatória na avenida Santos Dumont, o carro foi cercado por, pelo menos, três táxis, que impediam a passagem do veículo. A alegação por parte dos taxistas é de que este tipo de transporte seria ilegal na cidade, baseado no projeto de lei nº 420/2014, aprovado pela Câmara de Vereadores no dia 14 de dezembro do ano passado, que coíbe o transporte clandestino de passageiros no município.

O projeto reforça que o transporte remunerado de passageiros deverá ter prévia autorização da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Seinfra) para operar na cidade. A multa inicial para os motoristas é de R$ 8.370, e R$ 13.395 para os reincidentes.

Já decisão expedida em 23 de dezembro de 2016 pela juíza Karen Reimer, da 1ª Vara Criminal de Joinville, concedeu a cinco motoristas do Uber o direito de operar na cidade sem serem autuados. Na sentença, de caráter liminar, a juíza proíbe que estes condutores sejam punidos pelas fiscalizações da Seinfra.



O outro lado
 
Para Eder Caetano Lima, taxista e filiado à Cooperativa de Taxistas do Aeroporto de Joinville (Cootaj), a atuação dos motoristas do Uber dentro do aeroporto é injusta porque o local é privado e os taxistas pagam uma espécie de aluguel para efetuar o serviço nas dependências.

— Nós conversamos com os motoristas do Uber, na boa. A situação do aeroporto é diferente da dos outros pontos da cidade. Para trabalharmos aqui, pagamos uma taxa alta à Infraero. Por isso pedimos a eles que peguem os seus passageiros longe do desembarque — comenta.

Ainda segundo Eder, essas abordagens são pacíficas e não têm o objetivo de prejudicar motoristas e usuários deste tipo de transporte. A intenção dos taxistas é orientar sobre a taxa que a cooperativa paga e, por este motivo, preservar o direito dos taxistas de efetuarem este transporte no local.

— Nós não somos contra a concorrência. Se o passageiro quer ir de Uber, não vemos problema algum, desde que pegue o carro fora do aeroporto — explica.

O casal que aguardava a saída do carro durante o Carnaval só conseguiu partir após a chegada da polícia. Conforme a usuária, a situação pareceu uma intimidação para eles não procurarem mais este tipo de serviço em Joinville.

— A percepção que eu tive é que os taxistas estão fazendo isso para amedrontar os consumidores. Eles ficaram solicitando um documento de licitação ao motorista, mas, a meu ver, este não é o papel deles — conta.

A reportagem recebeu dois outros relatos de situações semelhantes ocorridas na cidade. Na última semana, um usuário teve problemas para embarcar em outro veículo no aeroporto. Durante o final de semana, um grupo de jovens foi barrado enquanto entrava em um carro em frente a uma casa noturna na rua Ministro Calógeras, no Centro. Um motorista do Uber que não quis se identificar conta que, assim como os taxistas, eles estão apenas tentando trabalhar. A intenção é melhorar o transporte aos passageiros da cidade, o serviço é apenas mais uma opção.
 
Fiscalização continua

Em nota, a Seinfra declara que o Uber é classificado como clandestino perante a legislação municipal de Joinville, sujeito a sanção por meio da fiscalização do órgão. Salvo as cinco exceções que estão trabalhando com garantia de sentença judicial de caráter liminar, o trabalho permanente de fiscalização continua em toda a cidade coibindo o transporte clandestino com uma equipe de 18 fiscais. Nos primeiros meses de 2017, foram emitidos 35 autos de infração a veículos identificados como Uber.

O que diz a Uber

Em nota oficial, a Uber disse que “todo cidadão tem o direito de escolher como quer se movimentar pela cidade, assim como o direito de trabalhar honestamente. Orientamos motoristas e passageiros a contatar imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados. É importante também fazer o boletim de ocorrência para que os órgãos competentes tenham ciência do ocorrido e possam tomar as medidas cabíveis”.

A empresa informa que os motoristas da Uber prestam o serviço como transporte individual privado, que é diferente do serviço prestado pelos taxistas. Ainda em nota, a alegação é que “o serviço tem o respaldo da Constituição Federal, previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana – PNMU (lei federal 12.587/2012). Por este motivo, o serviço não é ilegal”, argumenta.

A NOTÍCIA

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