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Gripe25/04/2017 | 17h24Atualizada em 25/04/2017 | 17h24

"Brasil é modelo na imunização contra influenza", diz pesquisadora do instituto que produz a vacina

Cosue Miyaki é responsável pelo laboratório influenza do Instituto Butantan

"Brasil é modelo na imunização contra influenza", diz pesquisadora do instituto que produz a vacina Marco Favero/Agencia RBS
Cosue esteve em São José nesta terça-feira Foto: Marco Favero / Agencia RBS
Diário Catarinense
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A bióloga Cosue Miyaki trabalha há 40 anos no Instituto Butantan, que responde pela produção da maior parte de vacinas do país. Em 2009, quando iniciaram os estudos da imunização contra gripe, Cosue começou a atuar nesta área. Atualmente é responsável pelo laboratório de influenza da instituição. 

A pesquisadora esteve em São José nesta terça-feira para participar do Simpósio Estadual sobre Influenza 2017. Em entrevista ao Diário Catarinense, explicou como é produzida a vacina e falou sobre a resistência da população à imunização.   

Como funciona a produção da vacina?
Na década de 1940 percebeu-se que a influenza se replicava bem em ovos. Não são ovos desses comerciais, são ovos especiais que têm embrião dentro, porque o vírus precisa de uma célula para poder se replicar. A primeira vacina na década de 1970 foi feita em ovo embrionado. Então dentro desse ovo, o embrião produz um líquido e o vírus fica alojado ali. O que recolhemos dentro do ovo é esse líquido, já a casca, a gema, a clara e o embrião são descontaminados para depois serem descartados. Teoricamente um ovo dá uma dose da vacina pronta. Nós temos dois fornecedores de ovos. A granja é auditada, tem especificações dos ovos, as galinhas são controladas, tem um estudo da origem da galinha, com ração e galpão especial.

Quanto tempo demora essa produção?
A OMS anuncia a composição da vacina nos últimos dias de setembro e começamos a produção. Quando muda um componente, então a gente precisa importar essa cepa. Normalmente começa a produção em setembro e vai até final de março e por isso as entregas são parceladas. As primeiras doses ficam prontas no final de fevereiro, então não tem como adiantar muito a vacinação. Por isso a campanha é entre abril e maio. 

Como é definida a vacina em cada ano?
A Organização Mundial da Saúde faz a vigilância mundial da influenza e duas vezes por ano analisam as cepas que estão circulando e recomendam quais para o próximo inverno. No hemisfério Sul o anúncio é feito no final de setembro, então nós utilizamos isso para a produção que vai ser usada na vacinação da campanha do inverno no próximo ano. Essas são as prevalentes. Laboratórios também fazem a análise molecular para ver qual variante está circulando.

Neste ano está tendo mais circulação do subtipo H3N2, isso surpreende?
Se você olhar os dados mundiais no Hemisfério Norte também teve mais casos de H3N2. Já aconteceu em outros anos. No ano passado foi o H1N1, neste é H3N2. Isso é variável. Mas os sintomas são os mesmos. 

Ainda há uma resistência da população em relação à vacina contra gripe? 
Sim. O Ministério nem sempre atinge a meta, então sobra vacina. O problema é que às vezes a pessoa não sabe que está com o vírus incubado e toma vacina. Como é um organismo diferente, pode ter uma pequena alteração na imunidade para produzir os anticorpos e ao mesmo tempo já está com o vírus. Então naquele período, após 10 a 14 dias da vacina, quando a pessoa não tem a imunidade ainda, a pessoa pode pegar a doença e achar que pegou por causa da imunização. Mas teve uma melhora nesta resistência a partir do ano passado, porque houve casos de H1N1 antes da vacinação. Então as pessoas ficaram um pouco mais temerosas e tomaram mais vacinas, por causa da ocorrência da gripe antes do inverno. 

Por que é fundamental tomar a vacina todos os anos?
Tem vários tipos de vacina. Na da influenza não é utilizado o vírus inteiro, ele é fragmentado, são só pedaços. É uma vacina fragmentada e inativada. Na vacina do sarampo, por exemplo, o vírus é inteiro então causa uma proteção mais permanente. O da influenza dura até uns 10 meses, por isso ano tem que tomar tomar todos os anos.

Por que na rede pública é oferecida a vacina trivalente, enquanto na privada é a tetravalente?
Nós somos produtores da vacina influenza que é entregue ao Ministério da Saúde. Se disserem que temos que produzir a quadrivalente teremos que nos adaptar. Isso seria um custo maior, porque é uma cepa a mais, teria um preço mais elevado. Também teríamos que adaptar nossa capacidade produtiva, pois atualmente produzimos três cepas e teria que ser quatro. Acarretaria em um custo maior e talvez em menos doses.

Teria como oferecer a vacina para toda população?
O ministério elegeu alguns grupos prioritários e acho que não tem condições de vacinar toda população.Nos países desenvolvidos a vacinação é paga. Então o Brasil sempre é citado como modelo de imunização da influenza e vários outras vacinas, porque são gratuitas e em muitos países é pago, e isso restringe os grupos prioritários. 


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