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Terapia16/06/2017 | 08h32Atualizada em 16/06/2017 | 08h32

Cavalaria oferece sessões gratuitas de equoterapia para pessoas com deficiência em São José

Método terapêutico utiliza o cavalo para o desenvolvimento biopsicossocial das pessoas com deficiência

Cavalaria oferece sessões gratuitas de equoterapia para pessoas com deficiência em São José Betina Humeres/DC
Yuri Vargas está perdendo a insegurança de andar no cavalo Foto: Betina Humeres / DC

O pequeno Yuri Vargas, de seis anos, chegou de mansinho na manhã da última terça-feira à base da Cavalaria da Polícia Militar de São José. E quando menos se esperava...

— Surpresa! — berrou ele, como quem já tinha intimidade com todas as pessoas que estavam ali presentes.

Junto de sua mãe, Meirele Vargas, 31, ele trazia uma cenourinha para o Xique, cavalo que ele costuma montar durante suas sessões de equoterapia, realizadas no picadeiro da Cavalaria todas as semanas. O projeto já existe há 19 anos, e é uma parceria bem sucedida entre PM e Fundação Catarinense de Educação Especial.

Yuri tem autismo e é uma das 40 crianças e adolescentes — além de três adultos — com algum tipo de deficiência que realizam, neste ano, as sessões de equoterapia.

O método terapêutico utiliza o cavalo para o desenvolvimento biopsicossocial das pessoas com deficiência, explicou o sargento Hilário José Ferreira, um dos responsáveis, por parte da polícia, pela iniciativa.

— O Yuri iniciou a equoterapia em março deste ano, e estou notando que cada vez mais ele tem perdido a insegurança de andar no cavalo e até de ficar em lugar de uma altura mais alta, como em algum brinquedo de parquinho. Tem ajudado muito a ele perder o medo — revelou a mãe.

As sessões ocorrem de segunda a quinta-feira, quando não chove. Dependendo da criança e de sua necessidade, são três pessoas que a acompanham em cada sessão: o equitador, que no caso é o policial militar que guia o cavalo, e dois mediadores, geralmente profissionais da Fundação, como uma psicóloga, pedagoga ou educador físico.

Cada um deles fica de um lado do cavalo, acompanhando todas as atividades do pequeno. A psicóloga Rana dos Santos, 30, aproveita para fazer atividades de memorização. Com cartas de 1 a 4, ela pediu para que Yuri, por exemplo, no número 1, se virasse para o lado dela. No número dois, virasse, em cima do cavalo, para o lado da outra educadora.

— Nós vemos avanços em cada sessão. O cavalo também é um terapeuta para eles, assim como a gente. A equoterapia desenvolve uma série de habilidades na criança autista, por exemplo, principalmente no social. Uma relação não só com o cavalo, mas com todos os profissionais que elas encontram aqui — observou a psicóloga.

Rana observa que, com a empolgação e felicidade da criança ao andar no cavalo, é possível fazer com que ela fique mais aberta a receber e obedecer comandos, coisa que pode ser um pouco mais delicada no autismo. A fisioterapeuta que atua no projeto, Geovana Régis, ainda elenca outras melhorias observadas com a equoterapia, além da socialização, como equilíbrio, ajuste tônico, postura e esquema corporal e coordenação motora.

— No caso de uma criança com paralisia, por exemplo, acompanhamos o trajeto dela no cavalo para corrigirmos, com cuidado, sua postura. A equoterapia simula uma caminhada e faz o movimento tridimensional — explicou a fisioterapeuta.

Geovana ainda lembra que a equoterapia é uma terapia complementar, e que há todo um trabalho além, com psicólogos, fonoaudiólogos e médicos especialistas.

— É um trabalho multidisciplinar para tratar crianças e adolescentes com deficiência — exemplificou.

Arthur Souza Borges Coelho criou uma amizade especial com o sargento Vanilson Florentino Foto: Betina Humeres / DC

Felicidade em quem ajuda

A primeira coisa que Arthur Souza Borges Coelho, de cinco anos, faz ao chegar ao picadeiro, é abraçar o equitador e sargento Vanilson Florentino, que acompanha todas as suas sessões. A relação deles é digna de emoção. Arthur tem síndrome de Asperger e criou uma amizade muito forte com o policial.

— Eu não tenho explicação, não tenho palavras para descrever o trabalho que é feito aqui, por todos. O Arthur faz equoterapia há dois anos e notamos um desenvolvimento total nele. Só o fato de ele se relacionar assim com a equipe já nos anima — contou o pai, o vigia Wagner Coelho, 35.

Durante a sessão, Arthur foi acompanhado por Vanilson e as duas profissionais da Fundação, e além de aprender a sentar de lados diferentes no cavalo, até jogou bola, mesmo em cima do animal. No final da sessão, lembrou certinho o que diziam cada número que a psicóloga Rana lhe mostrava. Mas o mais importante era o 4: abraçar e agradecer o Centurião, o cavalo que lhe proporcionou este momento.Wagner observou que, se ele precisasse pagar para Arthur fazer equoterapia, teria que desembolsar cerca de R$ 700 por quatro sessões por mês.

— E aqui esse trabalho tão importante é feito de forma gratuita. Nós já temos tantos outros investimentos, com fono, psicóloga. É uma ajuda importante — revelou.

O projeto já existe há 19 anos, e é uma parceria bem sucedida entre PM e Fundação Catarinense de Educação Especial Foto: Betina Humeres / DC

O projeto

De acordo com o sargento Hilário, a proposta da equoterapia surgiu primeiramente em Brasília, numa base do Exército Brasileiro. Um morador da capital federal, que tinha um filho que realizava o tratamento lá, mudou-se para Florianópolis e procurou a PM para sugerir a ideia. Na época, a base da Cavalaria ficava ainda em Florianópolis.

A sugestão foi vista com bons olhos, e procurada a Fundação, iniciou-se, em novembro de 1998, um projeto piloto de dois meses. No ano seguinte, um convênio entre os dois órgãos já estava assinado e o projeto tomou forma. Naquele ano, 60 pacientes foram beneficiados com a terapia gratuita.

— O projeto é o que a gente acredita, que é a polícia comunitária. Em trazer a comunidade para o quartel, em estar comprometido com o bem estar das pessoas — explicou o tenente-coronel responsável pela Cavalaria, Marcos Besen.

Para garantir a total qualificação dos trabalhos, ocorreu — e ocorre até hoje — troca de informações e capacitações entre os funcionários e especialistas da Fundação e os policiais.

— Nós capacitamos os profissionais da Fundação a lidar com os cavalos, por exemplo, e eles nos capacitaram, com cursos, sobre lições e cuidados ao trabalhar com pessoas com deficiência — complementou o sargento Hilário.

Atualmente, cinco policiais militares equitadores são qualificados a participar do projeto. Por parte da Fundação, são sete profissionais: uma psicóloga, fisioterapeuta, uma pedagoga, uma professora, e três educadores físicos.

Já os quatro cavalos destinados para a equoterapia, contou o sargento, também passam por cuidados especiais. Eles precisam passar por um trabalho para não se assustarem com os materiais utilizados na terapia.

— Os cavalos passaram por uma seleção. Eles precisam ter uma andadura regular e ser extremamente mansos — continuou o sargento.

Estes cavalos atuam com permanência na equoterapia, mas quando necessário, também são usados para ocorrências.

Novo picadeiro

Os dias que chuva que impedem as sessões de equoterapia estão chegando ao fim, comemora o tenente-coronel Marcos. Um projeto para construir um picadeiro coberto no quartel da cavalaria, justamente para atender os pacientes da Fundação Catarinense, já está sendo viabilizado.

— Esperamos que em até 60 dias ele fique pronto, para darmos início ao processo para a construção — avalia o oficial.

Uma emenda parlamentar de R$ 350 mil já foi garantida para viabilizar o desejo. Segundo o tenente-coronel, desta forma, será possível garantir mais qualidade e frequência ao tratamento das crianças e adolescentes. 

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