Explicar a participação de Cintia Loureiro no governo é uma simples questão de transparência - Geral - Hora de Santa Catarina

Versão mobile

Rafael Martini16/06/2017 | 06h00Atualizada em 16/06/2017 | 06h01

Explicar a participação de Cintia Loureiro no governo é uma simples questão de transparência

Nos corredores da Prefeitura de Florianópolis é crescente o desconforto entre integrantes do colegiado com a atuação da primeira-dama

Explicar a participação de Cintia Loureiro no governo é uma simples questão de transparência Cristiano Andujar/PMF
Foto: Cristiano Andujar / PMF

Toda esta polêmica em torno da primeira viagem internacional do prefeito Gean Loureiro poderia facilmente ter sido evitada. Bastaria uma entrevista coletiva antes do embarque para informar que estaria se ausentando da cidade por uma semana para participar de um evento do BID sobre cidades sustentáveis em Santander, na Espanha. E que na sequência pretendia tirar dois ou três dias de folga para acompanhar a esposa, Cintia Queiroz Loureiro, numa programação sobre urbanismo em Bilbao, com as despesas bancadas do próprio bolso. Até mesmo um simples comunicado oficial já resolveria. Medida elementar de transparência, sem margem para qualquer especulação. Mas não foi o que ocorreu.

Nem mesmo a transferência de cargo para o vice-prefeito João Batista Nunes foi noticiada no site da prefeitura.

Diante da repercussão do caso, prefeito e primeira-dama resolveram se manifestar via rede social.

Em postagem na sua página do Facebook, Gean partiu para a velha estratégia do "nós contra eles",  classificando os questionamentos como discurso da turma do contra.

Já Cintia disse achar graça dos comentários dos jornalistas, já que a viagem foi toda sem custo para os cofres públicos. Os dois insistem na tese de que a ausência de verba pública justifica todos os atos. Ledo engano. Em se tratando de viagem oficial para tratar de tema tão sensível a Florianópolis como a questão do urbanismo, não haveria nenhum empecilho legal para que o prefeito utilizasse dinheiro público. Poderia, inclusive, levar algum assessor ou técnico da área para também compartilhar os conhecimentos adquiridos. E seria absolutamente legítimo.

O ponto de atenção, neste e outros episódios já conhecidos dentro da atual administração municipal, tem sido a ingerência de Cintia nos assuntos do governo. Mulher de personalidade forte e arquiteta reconhecida, é avessa ao perfil recatada e do lar. Tanto que já ocupa até mesmo uma sala no quarto andar da prefeitura, onde despacha informalmente. A sala pertencia ao vice-prefeito João Batista Nunes, que foi convidado a trocar de local. O detalhe é que no serviço público somente tem validade o que está publicado no Diário Oficial. E ela, oficialmente, não detém nenhum cargo.

A mesma interferência motivou o secretário Luiz Américo, da Infraestrutura, a entregar uma carta com pedido de exoneração. Além de João Batista e do ex-secretário Luiz Américo, nos corredores é crescente o desconforto entre outros integrantes do colegiado com a atuação da primeira-dama.

Nas redes sociais ela não foge do debate. Justificou sem meias palavras que a mudança para uma mansão no Cacupé ocorreu porque vem de família tradicional, com condições de bancar os custos. Em outra postagem que deu o que falar, Cintia enaltece os comissionados, pois são eles que ajudam a população quando mais é preciso, ao contrário de quem tem estabilidade.

É mais do que louvável compartilhar decisões que passam diretamente pela mesa do seu companheiro. Só eles sabem o que enfrentaram nesta caminhada para chegar até aqui, passando por momentos pra lá de difíceis.

A impressão que se tem, para quem olha de fora, é que a vontade dos dois em acertar é tamanha que, por vezes, acabam tropeçando na própria ansiedade. Nada que uma simples correção de rota não resolva.

Reduzir a atuação de uma profissional talentosa como Cintia às funções honoríficas de primeira-dama beira a ofensa em pleno século 21. Oxalá as mulheres assumam de vez o protagonismo que lhes é devido. Mas como tudo na vida, existe mais de um caminho. Michele Obama, por exemplo, é tão ou mais admirada que o marido, ex-presidente dos EUA. E conquistou pela sua postura. Transparência e respeito são a chave da gestão de sucesso.

Acompanhe as últimas publicações de Rafael Martini 

Berbigão do Boca deve voltar ao Carnaval de Florianópolis em 2018 

Investigador de sequestro envolvendo bitcoins é cremado sem homenagens oficiais do Estado

Estado provoca debate sobre a política nacional de Pesca 

 

Siga Hora no Twitter

  • horasc

    horasc

    Hora de SCMário Motta: São José investe em melhorias na iluminação pública: https://t.co/mdZc6RrUnG https://t.co/ctEVHnf8CMhá 5 horas Retweet
  • horasc

    horasc

    Hora de SCLuminárias acesas no Centro: quem paga essa conta? https://t.co/AQa3zDTyWM https://t.co/dpmOA8cWP7há 6 horas Retweet
Hora de Santa Catarina
Busca