Frio traz último suspiro para a safra da tainha na Grande Florianópolis - Geral - Hora de Santa Catarina

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Pesca21/07/2017 | 16h48Atualizada em 21/07/2017 | 16h48

Frio traz último suspiro para a safra da tainha na Grande Florianópolis

Longe da fartura do ano passado, mas muito melhor que 2015, federação avalia que temporada em 2017 foi satisfatória para a pesca artesanal

Frio traz último suspiro para a safra da tainha na Grande Florianópolis Betina Humeres/DC
Redes de arrasto já começaram a ser recolhidas no Litoral da Grande Florianópolis Foto: Betina Humeres / DC

Ainda na semana passada, as redes de arrasto da Praia Brava, no norte da Ilha, começaram a ser recolhidas. Os cardumes de tainha ou passavam reto, ou se escondiam nas pedras do costão e de lá não saíam. Mas as temperaturas baixas desta semana agitaram e incomodaram as prateadas, e elas ameaçaram dar as caras novamente. As redes voltaram para o mar.

— Apesar de a temporada terminar em 31 de julho, é praxe: período bom é até o dia de São Pedro, em 29 de junho. Mas continuamos vindo. Às 5h45min já estamos no rancho. Na quinta, foram mais 60 tainhas. Todo mundo levou peixinho para casa, querendo ou não. E vamos continuar até o final, apesar de que a expectativa agora é de menos peixe, com o tempo ficando mais quente — contou o pescador Nildo Vilmar dos Santos, de 50 anos e há praticamente 40 na pesca.

Como Nildo explica, não dá para dizer que o ano foi ruim, apesar de nem chegar perto do que foi a safra de 2016 — considerada pela maioria dos pescadores como atípica, de tão boa que foi. O frio veio com força no ano passado, trazendo os peixes direto para as redes dos pescadores artesanais do Estado. Só na Brava, em 2016, foram capturadas 26 toneladas de tainha. Neste ano, até esta sexta-feira, foram oito. Mas ainda é melhor do que 2015, por exemplo, que teve uma temporada fraca, com 6,8 toneladas apenas nesta praia do norte da Ilha.

Nildo (ao meio) e os pescadores Valdecir Batista e o patrão da embarcação, Marcelo dos Santos Foto: Betina Humeres / DC

— A pesca da tainha depende totalmente do clima. E tivemos poucos dias de frio e de vento Sul. Vimos muitos cardumes grandes passarem reto, porque o vento não era o suficiente para levá-las ao costão. Mas a gente continua. Ainda é uma alegria e emoção trabalhar ao avistar um cardume. Ano que vem, esperamos que seja melhor _ comentou o pescador.

Ainda nesta semana, com a vinda do frio intenso, praias como Barra da Lagoa, Ingleses, Ponta de Canas e a Pinheira, em Palhoça, registraram bons lanços de tainha. Com a expectativa de tempo mais quente neste fim de semana, muitos já estão encarando esta sexta como o fim antecipado da safra.

O presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), Ivo Silva, avalia a temporada, até então, como equilibrada. A expectativa, em maio, era fechar a safra com 1,8 mil toneladas. Até agora, em todo o Estado, foram pescadas 1,3 mil toneladas de tainha. Somente em Floripa, estipula ele, foram cerca de 600 toneladas. Os números oficiais só serão divulgados após o dia 31 de julho, quando encerra o período de pesca artesanal da espécie oficialmente.

Foto: Betina Humeres / DC

— Sabíamos que não íamos alcançar o mesmo número que o ano passado, que foi a maior arrecadação dos últimos 30 anos. O frio retardou muito a chegar. Maio foi muito quente e junho também não foi tão frio. Mas mesmo assim, se analisarmos que as licenças de pesca demoraram a sair, que tivemos que entrar com liminar, somando tudo isso, a safra acaba sendo boa. Está dentro da média da produção de anos anteriores — explicou o presidente.

De acordo com Ivo, a média dos últimos anos gira em torno de 800 quilos (de 2015) a 1,8 mil toneladas.

Pescadores de Palhoça riem à toa

Já em Palhoça, os pescadores artesanais comemoram a melhor safra dos últimos quatro anos. Até esta sexta-feira, foram arrastadas pelas redes artesanais 40 mil tainhas, ou seja, aproximadamente 48 toneladas, informou o secretário-adjunto da Secretaria de Maricultura, Pesca e Agricultura, José Henrique Francisco dos Santos.No ano passado, enquanto o Estado comemorava a melhor safra desde 2006, Palhoça ficou de fora desta festa.

— Para nós, 2016 foi um ano muito ruim. Só conseguimos pescar cerca de cinco mil tainhas. Já este ano, elas entraram no costão e tivemos uma safra muito boa. O pessoal merecia. Há quatro anos estão investindo, e tendo pouco retorno financeiro. São 90 dias por ano acordando de madrugada, expostos a chuva e ao sol. Agora está sendo gratificante — revelou o secretário-ajunto.

Pinheira, em Palhoça registrou lanços de mais de uma tonelada neste ano Foto: Nicolau josé Francisco / Arquivo Pessoal

E foi a praia da Pinheira, do vigia Manoel Paulino de Matos, de 63 anos — que teve a história contada aqui na Hora — que arrastou o maior número de prateadas nesta safra. Das 40 mil tainhas, 37,6 mil foram conquistadas pelos pescadores da Pinheira. Com o friozinho desta semana, na quarta e quinta-feira, mais uma vez, as redes encheram: um lanço de 600 e outro de duas mil tainhas, respectivamente.

As redes, em Palhoça, continuarão na praia até o dia 31, mesmo com a previsão de tempo mais quente. Neste ano, pela primeira vez, a prefeitura de Palhoça vai premiar a praia que mais arrastou tainha e no dia, 31, ao que tudo indica, os pescadores da Pinheira irão receber um troféu. As demais praias que registraram lanços foram a Ponta do Papagaio e a Praia do Sonho. 

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