Caminho alternativo à SC-406, no sul da Ilha, é três vezes mais longo e tem estrada de terra precária - Geral - Hora de Santa Catarina

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Infraestrutura04/10/2017 | 07h30Atualizada em 04/10/2017 | 07h30

Caminho alternativo à SC-406, no sul da Ilha, é três vezes mais longo e tem estrada de terra precária

Maré alta pode provocar a interdição da rodovia que dá acesso aos bairros Armação, Pântano do Sul, Balneário Açores, praia da Solidão e Costa de Dentro

Caminho alternativo à SC-406, no sul da Ilha, é três vezes mais longo e tem estrada de terra precária Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Caso a ressaca e a maré alta persistam na praia do Caldeirão, em Florianópolis, é real o risco de interdição da rodovia SC-406, a única via asfaltada de acesso a parte do sul da Ilha de Santa Catarina. Sem esse acesso, moradores dos bairros Armação, Pântano do Sul, Balneário Açores, praia da Solidão e Costa de Dentro teriam que fazer o único caminho alternativo possível: sair da SC-405 em direção à Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, e pegar a Estrada Francisco Thomas dos Santos, uma via de terra estreita e íngreme.

 Na última segunda-feira, a reportagem da Hora de Santa Catarina foi ao local conferir quais as principais dificuldades em transitar neste caminho. Esta rota é três vezes mais longa e cinco vezes mais demorada que pela SC-406 (saindo do Morro das Pedras com destino ao centrinho da Armação): em vez de percorrer 6,4 quilômetros estimados em nove minutos de carro, será preciso dirigir por 19,9 quilômetros, com tempo estimado de 47 minutos. 

Mapa de rodovias do sul da Ilha
Foto: Reprodução / Google Maps
Mapa de rodovias do sul da Ilha
Foto: Reprodução / Google Maps
Mapa de rodovias do sul da Ilha
Foto: Reprodução / Google Maps

Além disso, o relevo da pequena estrada de terra torna complicado o trânsito de veículos pequenos e completamente inviável o de caminhões de cargas ou dos ônibus que fazem o transporte coletivo diariamente.

— Aquela estrada, em condições normais, não é trafegável. Não tem como (substituir) nem com melhorias, porque os ônibus, por exemplo, não conseguem passar. A topografia, de alta inclinação e o relevo do local não são compatíveis com o trânsito de veículos — garante o pesquisador do Observatório de Mobilidade Urbana da UFSC, Werner Krauss. 

— Passar pelo sertão do Ribeirão? Lá não é fácil, não. Só sobe se o motorista for muito bom, e de preferência com uma caminhonete. Se chover muito, nem cavalo sobe. Se estiver muito seco também complica, porque aquele areião derrapa muito, o carro vai para lá e para cá — conta o pescador Joaquim Gonçalves, de 73 anos, morador da região há 60 anos.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 02/10/2017: Celesc faz reparos no Morro das Pedras. Na foto: Joaquim Gonçalves (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Joaquim alerta sobre o caminhoFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Paisagem, cachoeira, alambique e atoleiro

A Estrada Francisco Thomas dos Santos, que cruza a região chamada de Sertão do Ribeirão em direção ao Pântano do Sul, é uma via com uma das mais belas paisagens de Florianópolis. Em um dos topos de subida, por exemplo, é possível enxergar a Lagoa do Peri, seguida pelas praias da Armação e do Campeche, e ainda ver as dunas da Joaquina lá no fundo.

No meio do caminho, ainda há um imponente garapuvu de mais de 20 metros de altura, com o tronco repartido em dois e repleto de bromélias em seus galhos. Perto dali, uma cachoeira garante o refresco dos visitantes nos dias mais quentes do ano. Ah! E não dá para esquecer o lendário alambique do Zeca, um dos mais antigos e tradicionais do Desterro, onde é possível experimentar uma cachaça de butiá — se não estiver dirigindo, é claro.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 02/10/2017: Celesc faz reparos no Morro das Pedras. Na foto: Estrada secundária de acesso ao sul da ilha. (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Esses atrativos levam os turistas mais atentos e aventureiros a percorrer a estrada. O caminho mais fácil (menos íngreme e tortuoso) é saindo da Costa de Dentro, direção que garante um belíssimo pôr do sol chegando no Ribeirão da Ilha. Porém, nem tudo são flores.

— Meu marido ajuda muita gente que atola ou empaca aqui na estrada. Tem gente que chega a tremer de medo, achando que o carro vai virar por causa da inclinação. O pessoal precisa ficar muito atento — alerta Carolina Severo, que há 10 anos mora com o marido e os dois filhos no trecho chamado de "subida para o sertão do Ribeirão", no meio da estrada.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 02/10/2017: Celesc faz reparos no Morro das Pedras. Na foto: Carolina Severo. (Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Carolina orienta motoristasFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

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