Massacre em mesquita no Sinai egípcio deixa 235 mortos - Geral - Hora de Santa Catarina

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Cairo24/11/2017 | 21h22

Massacre em mesquita no Sinai egípcio deixa 235 mortos

AFP
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Ao menos 235 pessoas morreram nesta sexta-feira (24) em uma mesquita no norte do Sinai egípcio, atacada por homens armados no momento da grande oração semanal, no que já é o massacre mais mortal da história recente do país.

O atentado, que ainda não foi reivindicado, deixou 235 mortos e 109 feridos, segundo a televisão estatal egípcia.

Aconteceu na mesquita Al-Rawda, no vilarejo de Bir al-Abed, 40 quilômetros a oeste de Al-Arish, a capital da província do Sinai do Norte, região onde as forças de segurança combatem a facção egípcia do Estado Islâmico (EI).

Esta mesquita é frequentada principalmente por sufis, adeptos de uma corrente mística do Islã considerada como herética pelo grupo extremista.

A presidência decretou três dias de luto nacional, informou a televisão estatal, enquanto o presidente Abdel Fattah al-Sissi convocou uma reunião de emergência com seus ministros responsáveis pela segurança.

Em discurso na televisão, Sissi prometeu responder esse ataque com uma "força brutal" e garantiu que "as Forças Armadas e a Polícia vão vingar nossos mártires e trarão segurança e estabilidade muito em breve".

Na madrugada deste sábado, a Força Aérea "destruiu vários veículos utilizados no ataque" à Mesquita e bombardeou diversos "pontos terroristas que continham armas e munições", anunciou o porta-voz Tamer El Refaï.

Testemunhas indicaram que os agressores cercaram a mesquita a bordo de veículos 4x4 e colocaram uma bomba na parte externa do prédio.

Depois da explosão, os homens armados invadiram o local, atirando contra os fiéis em pânico que tentavam fugir e atearam fogo aos veículos, a fim de bloquear o acesso à mesquita.

A passagem fronteiriça entre o Egito e a Faixa de Gaza seria reaberta neste sábado pela primeira vez desde agosto, mas permanecerá fechada, disse uma autoridade palestina à AFP.

- 'Crime horrível' -

Em um comunicado, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, condenou um "crime horrível que confirma que a verdadeira religião do Islã é inocente em relação àquelas que adotam a ideologia terrorista extremista".

No Twitter, o presidente americano, Donald Trump, condenou o "horrível e covarde" ataque, considerando que "o mundo não pode tolerar o terrorismo, devemos derrotá-los militarmente e desacreditar a ideologia extremista que forma as bases de sua existência".

O papa Francisco se declarou "profundamente entristecido pelas perdas humanas causadas pelo ataque terrorista", e o grande imã da universidade egípcia de Al-Azhar, xeque Ahmed el-Tayeb, condenou "nos termos mais fortes o bárbaro ataque terrorista".

Ahmed Abul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe, com sede no Cairo, condenou o "terrível crime", de acordo com seu porta-voz.

Em reação ao ataque, o Ministério iraniano das Relações Exteriores considerou que "o terrorismo não poupará (...) brutalidades em sua tentativa desesperada de se afirmar".

Já o rei Salman, da Arábia Saudita, prestou solidariedade ao Egito, após esse ato "covarde".

Em uma mensagem enviada para seu colega egípcio, o presidente russo, Vladimir Putin, evocou um ataque chocante "por sua crueldade e cinismo", segundo comunicado do Kremlin.

O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, lamentou no Twitter um "atentado desprezível", enquanto o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, disse estar "profundamente triste com este ato bárbaro".

- Alvos civis -

Desde 2013 e da destituição por parte das Forças Armadas do presidente islamita Mohamed Mursi, grupos radicais, incluindo a facção egípcia do EI, atacam regularmente as forças de segurança egípcias no Sinai do Norte.

Muitos policiais e soldados, bem como civis, já morreram nesses ataques.

Até então, o mais letal ataque no país remontava a outubro de 2015, quando um atentado a bomba reivindicado pela facção egípcia do EI custou a vida de 224 pessoas que estavam em um avião russo após sua decolagem de Sharm al-Sheikh.

Mais de 100 cristãos, principalmente coptas, foram mortos no último ano em atos contra igrejas, ou em ataques no Sinai e em todo o país.

Em fevereiro, os cristãos de Al-Arich fugiram em massa após uma série de episódios violentos contra sua comunidade.

Os extremistas também decapitaram um líder sufista no ano passado, acusando-o de praticar magia, e sequestraram vários seguidores do sufismo, soltos após "se arrependerem".

O Egito também é ameaçado por extremistas islâmicos próximos à rede Al-Qaeda que operam a partir da Líbia na fronteira oeste do país.

Um grupo chamado Ansar al-Islam ("Partidários do Islã" em árabe) assumiu a autoria de uma emboscada em outubro, no deserto egípcio. Pelo menos 16 policiais morreram.

O Exército então lançou ataques aéreos em represália, matando o líder do grupo, Emad al-Din Abdel Hamid, um oficial militar procurado depois de se juntar a um grupo afiliado à Al-Qaeda no reduto jihadista líbio de Derna.

* AFP

 
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