Sem desfilar pelo segundo ano seguido, escolas do grupo de acesso lutam para manter atividades na Grande Florianópolis - Geral - Hora de Santa Catarina

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Carnaval09/02/2018 | 03h50Atualizada em 09/02/2018 | 03h50

Sem desfilar pelo segundo ano seguido, escolas do grupo de acesso lutam para manter atividades na Grande Florianópolis

Enquanto há agremiações que ensaiam e desfilam em seus bairros, outras guardam dinheiro e esperar voltar à avenida

Sem desfilar pelo segundo ano seguido, escolas do grupo de acesso lutam para manter atividades na Grande Florianópolis Diorgenes Pandini/Diario Catarinense
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Diz o ditado popular que o ano só começa depois do Carnaval. E não é para menos. A data vem logo após as férias e costuma ser o maior feriado do ano e o mais esperado por quem gosta da folia. Para quem vive disso e se dedica o ano inteiro, a ansiedade é ainda maior. Mas o quesito dinheiro está tirando a festa de algumas escolas de samba de Florianópolis. Pelo segundo ano consecutivo, 10 agremiações dos grupos de acesso estão fora do desfile na Nego Quirido e da possibilidade de subir para o grupo especial.

Assim, as agremiações fazem o que podem. Algumas promovem festas em suas comunidades, outras acabam ficando paradas. As escolas Unidos da Ilha da Magia e Imperadores de Jurerê são exemplos de que Carnaval é Carnaval, mesmo sem sair na Nego Quirido. As duas realizam ensaios nos seus respectivos bairros e preparam um grande desfile para a próxima semana.

O presidente da União da Ilha da Magia, Valmir Braz de Souza, o Nena, conta que a escola caiu para o grupo de acesso em 2016 e, desde então, não desfilou mais na Nego Quirido.

— Não desfilamos em 2017 e em 2018 também não vamos. É o segundo ano que estão cancelando o desfile dos grupos de acesso. Não achamos isso justo porque uma coisa é cair, outra é mudar a regra depois. A gente entende que não é só uma questão financeira, há uma questão política no meio que poderia fazer a coisa acontecer.

Mesmo assim, a comunidade da Lagoa da Conceição é presenteada com muito samba. A agremiação promoveu ensaios na praça e na segunda-feira está marcado, a partir das 19h30min, um desfile pelas ruas do bairro com direito a comissão de frente, bateria, ala das baianas e alas coreografadas. Só não terão carros alegóricos e fantasias.

— É um desfile normal, só que adaptado para o bairro — diz Nena.

A expectativa é que mais de 15 mil pessoas participem da folia. Mas Nena acrescenta que a festa só acontece porque 12 empresários do bairro patrocinam a escola.

Em Jurerê, no norte da Ilha, os moradores também não ficam sem folia. A escola de samba Imperadores de Jurerê promove desde 2014 um desfile que já chegou a juntar 5 mil pessoas pela Avenida dos Búzios.

Segundo o diretor financeiro e um dos fundadores da escola, Douglas de Melo Ferreira, a agremiação foi criada com o intuito de levar o Carnaval para o bairro e não apenas para a Nego Quirido.

— Fundamos a nossa escola com uma ideologia diferente das mais antigas, a gente nunca buscou depender exclusivamente de recursos públicos. Então fazemos nosso Carnaval em parceria com os componentes, o comércio local e empreendimentos de Jurerê, que nos apoiam.

Em 2016, a escola chegou a desfilar na Nego Quirido, mas não subiu para o grupo especial. Para este ano, além dos ensaios, a escola vai promover um desfile na segunda-feira, das 17h às 22h, na Avenida dos Búzios. Serão 800 componentes com direito a enredo e bateria.

Sem o som da bateria

Sem patrocínio público ou privado e com dívidas desde 2016, último ano em que desfilou na Nego Quirido, a escola de samba Império Vermelho e Branco, do Pantanal, está parada. Leonardo Calixto, mestre de bateria e membro da direção da escola, comenta que a intenção é fazer um desfile pelas ruas do bairro, assim como foi no ano passado, quando deu mais de 50 pessoas, mas nada está confirmado.

— Não fizemos ensaios este ano porque desde o início estava nessa situação de ter ou não ter o desfile na Nego Quirido. Mas agora estamos tentando movimentar a escola pra ver se fazemos um desfile aqui.

Caso a escola decida promover a folia para a comunidade, ela deve acontecer no domingo, na Rua Edu Vieira. Ainda de acordo com Calixto, a esperança da agremiação era que a prefeitura ajudasse no custeio para a realização de um desfile na Praça XV, mas a verba prometida, R$ 1 mil, era inviável e acabou não vindo.

No mesmo ritmo segue a escola Jardim das Palmeiras, de São José. A agremiação não teve ensaios este ano e também não fará desfile. Segundo o presidente Renann Inácio, a cada ano que passa se torna mais difícil realizar o Carnaval.

— A gente se prepara, ensaia, estávamos com 90% do Carnaval no papel pronto, só esperando entrar o dinheiro para começar a produção, mas aí foi decidido que não iam fazer os desfiles das escolas de acesso. Isso acaba frustrando a gente. Isso que nós tínhamos recursos garantidos pela Prefeitura de São José para desfilar — conta.

A escola de samba Amigos do Bom Viver, de Biguaçu, dispensou todos os integrantes e emprestou os instrumentos da bateria para outras agremiações. O presidente Odinei Camacho, comenta que no ano passado chegou a doar boa parte do material que a escola tinha guardado.

— É uma grande frustração porque batalhamos o ano inteiro, aí chega a hora e quando vamos ver o nosso grupo fica de fora. Muita gente comenta que as escolas têm que ir atrás, mas a nossa escola foi atrás, nós temos recursos pra sair, mas as outras escolas não, e aí ficamos de fora também.

A Amigos do Bom Viver conseguiu captar, via projeto de lei, R$ 85 mil para o Carnaval. Mas, segundo Camacho, os recursos estão guardados para serem investidos na produção do enredo no ano em que a escola tiver a possibilidade de participar do desfile na Nego Quirido e brigar pelo título para subir ao grupo especial.

— O problema é que a cada dia a credibilidade do Carnaval de Florianópolis vai diminuindo. A pergunta sempre é: será que vai ter Carnaval? Mas este ano vamos brigar para que 2019 tenha desfile.

Integrantes procuram outras escolas

Enquanto as escolas dos grupos de acesso não vão para a avenida, quem vive do Carnaval precisa se virar. São profissionais como mestre-sala, porta-bandeira, comissão de frente, diretores de bateria, intérpretes, pessoal que trabalha na produção de alegorias, adereços e carros alegóricos.

O presidente da União da Ilha da Magia, Valmir Braz de Souza, comenta que é normal e compreensivo que alguns integrantes desfilem em outras agremiações.

— Para desfilar na passarela fazemos um contrato anual, mas como não tem desfile este ano, não pudemos renovar o contrato. Quem vem para os ensaios e desfile na Lagoa é voluntário.

Na Império Vermelho e Branco, em torno de 10 a 15 componentes vão desfilar em outras escolas do grupo especial. Na Amigos do Bom Viver são cerca de 20 integrantes que deixaram a escola do coração para brilhar em outra alegoria.

Renann Inácio, da Jardim das palmeiras, comenta que, mesmo sendo em outra escola, é importante para os profissionais manterem o ritmo e, claro, receber o salário.

— Isso não atrapalha o nosso trabalho, porque eles continuam sendo da escola e depois retornam para cá.

Mudanças para 2019

Em dezembro do ano passado, a Liga das Escolas de Samba de Florianópolis (Liesf) anunciou que os grupos de acesso não iriam desfilar na Passarela Nego Quirido por falta de recursos. Na época, o presidente da Liesf, Fábio Botelho, explicou que o aporte financeiro de R$ 1,5 milhão, repassado pela prefeitura, viabilizaria somente o desfile das escolas do grupo especial.

De acordo com Botelho, após o Carnaval as escolas de samba serão chamadas para uma assembleia onde será discutido o modelo do Carnaval para os próximos anos, na tentativa de evitar o cancelamento dos desfiles dos grupos de acesso.

— Essa situação é horrível, porque você tira o direito das escolas à competição, mas ao mesmo tempo o Carnaval hoje precisa ser financiado e nós estamos com dificuldades para colocar o grupo especial na avenida, imagina os de acesso.

Atualmente as escolas União da Ilha da Magia, Acadêmicos do Sul da Ilha, Império Vermelho e Branco, Jardim das Palmeiras e Futsamba estão no segundo grupo, o de Acesso. Já as escolas Amigos do Bom Viver, Imperadores de Jurerê, Unidos do Morro do Céu, Amocart e A Nossa Turma estão no grupo de Acesso A.

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