SPDM inicia desocupação do Hospital Florianópolis após rompimento de contrato - Geral - Hora de Santa Catarina

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Saúde24/02/2018 | 22h15Atualizada em 24/02/2018 | 22h15

SPDM inicia desocupação do Hospital Florianópolis após rompimento de contrato

Apesar da situação, o atendimento continua, mas de forma reduzida

SPDM inicia desocupação do Hospital Florianópolis após rompimento de contrato Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que até então administrava o Hospital Florianópolis, na região continental da Capital, começou a desocupar a unidade neste sábado, 24. A Secretaria de Saúde de Santa Catarina resolveu romper o contrato de gestão com a instituição nesta sexta-feira, 23, depois de uma série de problemas, como a falta de medicamentos, suspensão de cirurgias e atraso nos salários dos funcionários.

A reportagem esteve no hospital na tarde deste sábado e constatou que um caminhão e, pelo menos dois carros, estavam sendo carregados com caixas de arquivo. Segundo denúncias de trabalhadores do hospital, a SPDM estaria revirando os armários dos funcionários, retirando documentos importantes para o controle interno, como notas de faturamento e até prontuários de pacientes. Há relatos de que a entidade também estaria fazendo cópia e apagando arquivos dos computadores.  

SPDM desocupa Hospital Florianópolis
Foto: Márcia Lunkes / Arquivo pessoal

— Quando chegamos os prontuários estavam todos encaixotados, mas não deixamos levar porque eram de pacientes. Na verdade eles nem sabem o que estão encaixotando, só estão tirando as gavetas e colocando tudo dentro das caixas. A sensação que dá é que eles estão fugindo. E segunda-feira quando a gente chegar para trabalhar como vai ficar? — diz uma funcionária que pediu para não ser identificada.

SPDM desocupa Hospital Florianópolis
Foto: Márcia Lunkes / Arquivo pessoal

A SPDM informou, em entrevista ao NSC TV, que nenhum documento retirado irá prejudicar o funcionamento do hospital. A Secretaria de Estado da Saúde informou que não sabia dessa retirada de papéis e que vai investigar o caso.

Atendimento continua, mas está prejudicado

Os cerca de 600 funcionários do hospital começaram a receber o aviso prévio neste sábado e ninguém sabe como vai ficar a situação após a saída da SPDM, prevista para a meia-noite deste domingo. O atendimento na unidade continua, mas de forma reduzida.

A unidade está praticamente vazia. No andar da internação são poucos os quartos que estão ocupados e os pacientes que chegam procurando atendimento na emergência, nem sempre conseguem. Foi o que aconteceu com a filha Lutiellen Dias. Em entrevista para o NSC TV, a mãe contou que a pequena de três anos estava com febre alta e o hospital pediu que ela retornasse para casa porque estaria sem pediatra.

SPDM desocupa Hospital Florianópolis
Foto: Dayane Bazzo / Hora de Santa Catarina

De acordo com uma enfermeira o atendimento foi reduzido há alguns meses, as cirurgias foram suspensas e, nesta quinta-feira os exames básicos, como o de sangue, também foram cortados. Faltam materiais básicos de higiene, esterilização, copo descartável e toalha de papel. As quatro cadeiras de roda estão quebradas.

A técnica em raio X Márcia Lunkes, 32 anos, conta que os problemas do hospital não são recentes. Ela destaca a falta de manutenção dos equipamentos, que acabam prejudicando o atendimento aos pacientes. 

— Na sala de tomografia quando chove precisamos desligar e cobrir tudo com plástico porque vira uma cachoeira e molha tudo. Uma vez choveu tanto que a máquina estragou e ficamos seis meses sem tomografia. 

Dos dois equipamentos de raio X, apenas um está funcionando. Até o exame que mede a radiação no corpo dos profissionais que trabalham na sala de raio X e era feito mensalmente foi suspenso desde setembro do ano passado.

A auxiliar administrativa Andreia Varela, 38 anos, acrescenta que a impressora que imprime imagens de exames feitos no hospital, como tomografia e raio X, está quebrada há mais de um ano. Os pacientes que necessitam levar os exames para médicos fora da unidade precisam pegar o arquivo por meio de um CD ou pen-drive. 

Andreia comenta que trabalha há quatro anos no Hospital Florianópolis e diz que a lista de problemas é imensa, a começar pelo pagamento dos salários, que atrasou mais de 20 vezes. De acordo com ela, como todos os funcionários já receberam o aviso prévio, eles podem sair duas horas mais cedo, mas cada equipe está se organizando para não deixar de atender a população.

— Estamos nos organizando internamente porque sabemos que o paciente não tem culpa de nada disso, porque a empresa não passou nada para nós, na verdade a gente sempre trabalhou sem nenhum tipo de informação, sempre trabalhamos às cegas — relata.

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