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Washington21/02/2018 | 23h55

Trump promete controle mais rigoroso sobre compra de armas

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira aos familiares e sobreviventes do massacre da semana passada em uma escola da Flórida que promoverá controles mais rigorosos envolvendo os antecedentes dos compradores de armas.

Em uma emotiva reunião na Casa Branca, Trump disse que as autoridades serão "mais rigorosas ao checar os antecedentes, colocando mais enfase na saúde mental, além de muitas outras coisas".

"É um problema de longo prazo que temos que resolver e vamos resolver juntos", prometeu o presidente.

Dirigindo-se diretamente aos familiares das vítimas, Trump declarou: "vocês estão passando por uma enorme dor e não queremos que outras pessoas passem por isto".

Alunos do colégio onde ocorreu o massacre - que deixou 17 mortos - e familiares das vítimas exigiram que o presidente "faça a coisa certa" para evitar a repetição de tais episódios.

Andrew Pollack, pai de uma adolescente que morreu no tiroteio, disse que "nós como país estamos fracassando em relação aos nossos filhos (...). Não podemos subir em um avião com uma garrafa de água mas deixamos que um animal entre em uma escola e mate nossas crianças".

Samuel Zeif - 18 anos e que sobreviveu ao massacre na Florida - revelou ter lido que "uma pessoa de 20 anos comprou um fuzil AR-15 em cinco minutos com um documento de identidade vencido". "Como pode ser tão fácil comprar uma arma"?

Durante o encontro, Trump perguntou aos participantes se tinham alguma proposta, e o pai de uma aluna, Frederick Abt, declarou que "uma possível solução, talvez não muito popular, seria manter nas escolas professores ou monitores que voluntariamente teriam armas trancadas nas salas de aula e receberiam treinamento".

"Vamos analisar isto com rigor. Muita gente será contra mas muitos serão a favor. O bom é que haverá muita gente apoiando esta ideia", responder Trump a Abt, cuja filha sobreviveu ao ataque da semana passada.

Mas o presidente destacou que a iniciativa "só funcionaria com gente treinada para usar armas de fogo". "Seriam professores e treinadores".

"E, obviamente, estas armas não ficariam expostas", destacou o presidente.

Nicole Hockley, que perdeu um filho no massacre da escola primária de Sandy Hook, em 2012, declarou que rejeita a ideia: "prefiro armar (os professores) com conhecimento para prevenir tais atos".

- #NeverAgain -

Mais cedo, na Flórida, 100 estudantes de Parkland exigiram maior controle sobre a venda de armas, em sua primeira ação política sob o amparo do movimento #NeverAgain (nunca mais) que deram vida na sexta-feira passada.

"Ninguém deveria passar pelo que nós passamos", disse a estudante Sofie Whitney a legisladores locais em Tallahassee, capital da Flórida.

"Dezessete companheiros e professores foram assassinados por um monstro mentalmente instável, algo que facilmente poderia ter sido evitado com um controle de antecedentes adequado e um exame de saúde mental".

A campanha #NeverAgain atraiu a atenção do povo americano e já obteve resultados. Na véspera, Trump propôs a proibição dos dispositivos conhecidos como "bump stock", que permite a fuzis de assalto semiautomáticos disparar rajadas.

O dispositivo foi utilizado em 2017, em Las Vegas, para massacrar 58 pessoas.

Os chamados "garotos de Parkland" farão a "Marcha por nossas vidas" no próximo dia 24 de março, em Washington, inspirada na "Marcha das mulheres". O evento tem o apoio financeiro de George Clooney, Oprah Winfrey e Steven Spielberg, entre outros.

Nesta quarta-feira também ocorreram manifestações espontâneas em escolas de todo o país, particularmente na Flórida, para recordar as vítimas de Parkland e exigir a proibição da livre venda de fuzis semiautomáticos como o AR-15, instrumento de vários massacres.

O massacre de Parkland foi o pior em uma instituição de ensino desde a morte de 20 crianças e seis adultos na escola primária de Sandy Hook, no final de 2012.

Os estudantes de Parkland passaram a manhã desta quarta-feira conversando com parlamentares da Flórida, um estado que adota poucas restrições à venda de armas.

Na terça-feira, a Câmara de Representantes da Flórida rejeitou um projeto de lei que proibiria a venda de fuzis semiautomáticos e de carregadores de grande capacidade.

A ex-primeira-dama Michelle Obama expressou no Twitter sua "plena admiração pelos extraordinários estudantes da Flórida" e afirmou que "a luta contra as armas individuais exige coragem e uma resistência inexoráveis".

* AFP

 
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