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Greve dos caminhoneiros24/05/2018 | 19h27Atualizada em 24/05/2018 | 20h13

Em dia de protestos e filas, Grande Florianópolis sente impactos do desabastecimento

Falta combustível nos postos e alimentos não chegam à Ceasa. Saiba como estão os serviços na região

Em dia de protestos e filas, Grande Florianópolis sente impactos do desabastecimento Tiago Ghizoni/Diário Catarinense
Na Ceasa, em São José, quase 60% dos produtos previstos não chegou nesta quinta-feira Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense
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Filas nos acessos a postos em que ainda restava combustível, transporte coletivo com horários alterados, coleta de lixo afetada, risco de desabastecimento nos supermercados, protestos nas rodoviais. Esta foi a quinta-feira na Grande Florianópolis — cenário que deve se repetir nesta sexta, já que o fim da paralisação depende da queda do preço do óleo diesel, sinalizada pelas medidas anunciadas pelo governo federal.

Cláudia de Mello amanheceu nesta quinta na fila para abastecer em um posto da Avenida Mauro Ramos, Centro da Capital, e foi a última a encontrar combustível na bomba:

— Consegui colocar etanol para rodar três dias. Depois não sei o que vou fazer.

Atrás de seu carro estava o de Natan dos Santos, que ficou revoltado por não conseguir abastecer, mas mostrou-se solidário ao movimento dos caminhoneiros: 

— A incompetência dos políticos continua, mas espero que essa greve continue porque tem que parar com essa bagunça toda.

Ainda na Capital, um posto de combustíveis perto da rodoviária deixou uma bomba isolada com combustível exclusivo para ambulâncias e viaturas da polícia. Na Avenida Beira-Mar Norte, um estabelecimento anexo a um mercado teve filas quilométricas ao longo da manhã e da tarde.

Volume de mercadorias tem queda de quase 60% na Ceasa

 Durante a greve nacional dos caminhoneiros, movimento do Ceasa cai drasticamente. Produtores não tiveram boas vendas e não há como escoar a produção. (FOTO: TIAGO GHIZONI/DIÁRIO CATARINENSE - SÃO JOSÉ, SANTA CATARINA, BRASIL - 24/05/2018)
Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

A Associação Catarinense de Supermercados (Acats) alertou ontem: "Se a greve dos caminhoneiros durar mais quatro dias, os supermercados de SC vão ficar desabastecidos", disse o diretor executivo da entidade, Antônio Carlos Poletini, à rádio CBN Diário. O Departamento Jurídico do Procon de SC autorizou que os supermercados do Estado, respeitando a legislação vigente, limitem a quantidade de produtos vendidos por cliente, diante da situação de desabastecimento

A Ceasa da Grande Florianópolis, em São José, teve redução de 59,22% na chegada de mercadorias. Produtos mais afetados são os que vêm do Nordeste, como mamão, melão, batata e tomate. O volume reduziu de 400 toneladas para 163. Muitos boxes já estão vazios. 

O presidente da associação dos permissionários da Ceasa, Julio Cezar Bernardo, diz que esses produtos retidos nas estradas brasileiras não terão condições de serem colocados no mercado catarinense, pois já estão estragados.

— Nós trabalhamos com o estoque muito reduzido, porque temos um produto altamente perecível. Então a fruta e o legume é um volume de dois a três dias no máximo. Os caminhões chegam diariamente e saem diariamente no mercado.

A direção da Ceasa fez uma reunião de emergência na tarde desta quinta. A entidade está preocupada com um desabastecimento ainda maior.

— A falta de produtos já é presente. E se o movimento persistir, é natural que vamos ter um desabastecimento muito acentuado como nunca na história houve para a nossa região — acredita o presidente da Ceasa, Agostinho Pauli. O dirigente espera alguma medida do governo federal para esta sexta ou no final de semana.

— Nós estamos em contato permanente com nossos permissionários, mas é uma situação que temos pouco poder para resolver, porque é um movimento nacional. Não é algo localizado que possa ter uma intervenção do governo local — lamentou.

Protestos na região

 Caminhoneiros e apoiadores da greve organizam manifestação na BR-282, em Palhoça. Durante o ato, alguns integrantes tentaram parar um caminhão em alta velocidade jogando pedras e pedaços de madeira. Moradores do Aririú apareceram para dar força aos manifestantes. Greve em prol da diminuição do preço do combustível já afeta a vida da população e não há previsão de término.do movimento. (FOTO: TIAGO GHIZONI/DIÁRIO CATARINENSE - FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA, BRASIL - 24/05/2018)
Ato em PalhoçaFoto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

Um posto de gasolina no km 216 da BR-101, em Palhoça, é o ponto de encontro dos caminhoneiros em greve na Grande Florianópolis. Mais de cem manifestantes estacionaram seus veículos no pátio do estabelecimento e passaram a bloquear, nesta quinta-feira, a passagem de outros caminhões.

Os profissionais da estrada se organizaram pelas redes sociais e nos grupos de Whatsapp. A maioria é empregado de carteira assinada, mas há também autônomos e apoiadores. O ato mistura indignação contra o governo federal e é feito com uma certa festa — teve churrasco e cerveja. O voluntário Felipe Fernandes levou água, refrigerante e carne para os grevistas. Ele é dono de uma distribuidora de bebidas e apoia a paralisação.

— O preço do diesel está impraticável. E se não são eles, não chega mercadoria pra mim. 
Muitos caminhoneiros que passavam pela rodovia aderiram ao movimento. José Valmir da Silva, que trabalha para a Ceasa, estava dirigindo rumo à central de São José levando uma carga de verduras quando foi parado pelos manifestantes. Ficou no posto porque apoia a greve.

No entanto, motoristas que furaram o bloqueio foram alvo de paus e pedras por parte de alguns manifestantes mais exaltados. Um dos líderes do movimento, que prefere se manter no anonimato, garante que esse tipo de atitude é reprovada.

Além do ato em Palhoça, houve protestos de motociclistas e motoristas nesta quinta-feira na Capital.

Postos fechados por preços abusivos

 Interdição do posto CVB na rua Ivo Silveira
Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Ação conjunta do Ministério Público Estadual com o Procon/SC e o Procon municipal resultou na interdição de dois postos de combustível na tarde desta quinta em Florianópolis.

A primeira interdição ocorreu em um posto na região central da Capital. Segundo informações repassadas pela força-tarefa, a unidade vendia gasolina a R$ 4,69, enquanto até quarta-feira o preço cobrado era de R$ 4,29. O aumento foi considerado abusivo pela fiscalização. 

Como sanção administrativa, o estabelecimento deverá permanecer fechado por 24 horas e só poderá reabrir com o preço cobrado anteriormente.

Em outra ação de fiscalização, a força-tarefa interditou um segundo posto no bairro Capoeiras. Os fiscais constataram a venda de combustíveis acima do valor anunciado nas placas, o que caracteriza publicidade enganosa. A gerência do posto também não apresentou o livro contábil para confirmar a procedência dos valores praticados. O posto também permanecerá fechado por 24 horas. 

Nas duas ocasiões que resultaram em interdição, os responsáveis pelos estabelecimentos foram conduzidos para prestar esclarecimentos na delegacia. Outras vistorias devem ocorrer nesta sexta-feira. Policiais militares acompanham as equipes e dão apoio às ações dos fiscais.

Ônibus com horário de sábado

Em Florianópolis, o Consórcio Fênix emitiu nota informando que a partir desta sexta a operação seguirá com quadro de horários de sábado para o sistema convencional e horário de dias úteis para os Amarelinhos. As linhas escolares (181, 280, 291, 296 e 941) seguirão com atendimento normal. No sábado, a operação se dará com quadro de horários de domingo. No fim de semana, as linhas do madrugadão estarão suspensas.

O quadro completo de horários, linhas e itinerários está disponível no site e no aplicativo Floripanoponto. O Consórcio Fênix também mantém o telefone (48) 3025-6868 e pelo e-mail sac@consorciofenix.com.br à disposição.

Em São José, Palhoça e Biguaçu, os ônibus também estão com restrições. Em São José, apenas a linha do Diretão, que abrange a maior área de transporte josefense, estará em circulação. As demais estão suspensas até o fim da greve.

Os ônibus da Jotur, em Palhoça, começaram a operar nesta quinta à tarde com horários de sábado, com reforço no período de pico. O mesmo sistema será adotado nesta sexta. Já os ônibus da Biguaçu Transportes circulam nesta sexta com a tabela de sábado. Como alguns ônibus dessas linhas operam entre as cidades, as linhas intermunicipais também serão prejudicadas. 

Outros serviços afetados na Grande Florianópolis

- Hospitais: No Hospital Celso Ramos, a preocupação é com o estoque de oxigênio, que vem de Joinville. A unidade ainda tem estoque até a próxima semana. No Hospital Universitário, a falta de óleo diesel pode afetar o aquecimento da água nos próximos dias. Já o Hospital de Caridade, também na Capital, cancelou todas as cirurgias eletivas a partir da tarde de ontem. Com a greve dos caminhoneiros, podem faltar materiais e medicamentos para urgências e emergências. O Governo do Estado anunciou a suspensão de cirurgias eletivas e outras medidas em "protocolo de atenção" durante a paralisação nacional.

- Coleta seletiva: A coleta seletiva foi cancelada na Capital. Já na coleta simples, a Comcap trabalha com 50% do efetivo no Centro e região comercial do Estreito. Nas regiões comerciais do Norte, Sul e Leste da Ilha são feitos apenas oito roteiros. Se a greve continuar, não haverá coleta de lixo a partir de sábado.

*Com informações de Dayane Bazzo, Karine Wenzel, Leonardo Thomé, Marcus Bruno e Rafael Thomé 

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