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Greve dos caminhoneiros25/05/2018 | 14h02Atualizada em 25/05/2018 | 15h27

"Não adianta produzir e gastar tudo no diesel para vender", diz caminhoneiro e produtor rural em SC

Num ponto de bloqueio na BR-101, em Palhoça, quase dobrou o número de manifestantes parados

"Não adianta produzir e gastar tudo no diesel para vender", diz caminhoneiro e produtor rural em SC Betina Humeres/Diario Catarinense
Caminhoneiros e apoiadores se reúnem em posto de gasolina na BR-101 em Palhoça Foto: Betina Humeres / Diario Catarinense

O acordo anunciado pelo governo para encerrar a greve dos caminhoneiros, que já dura 5 dias, gerou efeito contrário. Isso porque aumentou o número de pontos de bloqueio nas estradas de Santa Catarina nesta sexta-feira (25). Na Grande Florianópolis, quase dobrou o número de grevistas em um posto de gasolina na BR-101, em Palhoça. Mais de 200 motoristas e apoiadores estacionaram seus veículos no pátio do estabelecimento, que já está lotado. 

Com frequência, voluntários levam refrigerante e carne para o grupo. Todos os caminhões que passam pela marginal da estrada, no km 216, são forçados a parar, sejam eles a favor ou não do movimento. São usados gritos de guerra como "parado tu ganha mais" e "manda o patrão buscar o caminhão!". Segundo o grupo, apenas veículos com carga viva, remédios e de lixo são liberados.

Conforme a Polícia Rodoviária Federal, não houve incidentes nesta manhã, ao contrário do que ocorreu na quinta, quando um veículo que furou o bloqueio foi atacado com paus e pedras. Um dos caminhoneiros parados é o produtor rural de Rancho Queimado Lauremar Werlich, que levava brócolis para a Ceasa de São José. Ele apoia a manifestação.

— Os agricultores estão indignados também. Não adianta produzir e gastar tudo no diesel para vender. Por isso tem que parar.

O grupo está sendo representado em Brasília pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam). Um dos líderes da paralisação em Palhoça, que prefere não se identificar, disse que e que a entidade sequer participou da reunião com o governo federal. Que itens da pauta de reivindicação não foram nem tratados, como o piso mínimo para o frete e a redução do Pis/Cofins. Por isso a orientação que veio da Capital Federal é seguir a paralisação e aumentar a adesão. 

Uma parcela dos caminhoneiros pede intervenção militar. Inclusive uma faixa com o pedido foi estendida no protesto.

 Bloquei na BR0=-101 em PAlhoçasLaurimar WerlichProdutor de Rancho Queimado e foi parado pelo bloqueio dos caminhoneiros em Palhoça.
O produtor rural de Rancho Queimado Lauremar Werlich foi parado pelos manifestantesFoto: Betina Humeres / Diário Catarinense
 FLORIANOPOLIS, SC, BRASIL, 25/05/2018 - Greve dos Caminhoneiros - impactos - Bloqueio em Palhoça.Foto: Motorista tenta passar despercebido pela BR 101 mas foi interceptado pelos grevistas que o fizeram dar a ré e estacionar o caminhão com os demais.Local: FlorianopolisIndexador: Betina HumeresFonte: Diario CatarinenseFotógrafo: Fotografo
Caminhoneiros obrigam colegas a pararem os veículos no postoFoto: Betina Humeres / Diario Catarinense
 FLORIANOPOLIS, SC, BRASIL, 25/05/2018 - Greve dos Caminhoneiros - impactos - Bloqueio em Palhoça.Foto: Faixas como essa, pedindo a intervenção militar, foram colocadas próximo ao movimento dos caminhoneiros e alguns apoiam a causa.Local: FlorianopolisIndexador: Betina HumeresFonte: Diario CatarinenseFotógrafo: Fotografo
Faixa pede intervenção militarFoto: Betina Humeres / Diario Catarinense

O que diz a Comunicado da Associação Brasileira de Caminhoneiros

José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam, informou em mensagem aos caminhoneiros que a proposta da entidade no encontro em Brasília foi de zerar o PIS, Cofins e cide sobre o diesel. "Só que houve uma mudança nessa reunião, algumas pessoas presentes deram um voto de confiança para o governo de aguardar durante 90 dias esses estudos. A Abcam, como tem um compromisso sério com vocês, não aceitou isso e se retirou da reunião". 

No mesmo caminho foram os motoristas autônomos. Representante da categoria no Centro-Oeste, Wallace Landim, que se tornou uma liderança em Brasília, disse que os profissionais não foram representados na reunião e que nenhuma decisão acatada será seguida por eles.

— Não somos representados [pelas associações que estão na reunião]. Somos caminhoneiros individuais. Se a gente não estiver participando, não vai ter nenhum resultado. Pode sair de lá e falar que acabou a paralisação, que não adianta. A gente só libera a rodovia quando sair no Diário Oficial.

Governo autoriza uso das forças de segurança

Na noite de quinta, o governo havia anunciado um acordo para suspender a greve dos caminhoneiros. A proposta era o bancar uma redução de 10% no preço do diesel por 30 dias e não mais por 15. E que os aumentos passarão a ser a cada 30 dias e não mais diariamente.

Nesta sexta, o presidente Michel Temer se pronunciou autorizando o uso de forças federais de segurança para liberar as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros caso as estradas não sejam desbloqueadas pelo movimento. A decisão foi tomada após reunião no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que contou com a participação de ministros e do presidente.

Veja no mapa os pontos onde há paralisação:  


 

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