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Florianópolis23/05/2018 | 15h43Atualizada em 23/05/2018 | 15h45

Ressaca preocupa comunidade do sul da Ilha e casa corre o risco de desabar

A principal preocupação é de que aconteça algo semelhante a 2017, quando o litoral catarinense foi atingido pelo avanço do mar quase ininterruptamente entre maio e setembro

Ressaca preocupa comunidade do sul da Ilha e casa corre o risco de desabar Betina Humeres/Diário Catarinense
Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

A possibilidade de que o avanço do mar cause novos danos materiais preocupa os moradores do sul da Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis. Depois das ressacas que assolaram esta e outras regiões da Capital no ano passado, o mar voltou a subir e já começa a atingir residências na Praia da Armação. A principal preocupação é de que aconteça algo semelhante a 2017, quando o litoral catarinense foi atingido pelo avanço do mar quase ininterruptamente entre maio e setembro.

Na manhã da última segunda-feira, a força das ondas atingiu construções na praia de Canasvieiras, no norte da Ilha, em especial na Escola do Mar, onde a erosão derrubou um barranco em frente ao prédio e ameaçou a estrutura. No mesmo dia, o mar avançou em direção a duas casas na Praia da Armação, no sul da Ilha, próximo à entrada principal do Parque Municipal da Lagoa do Peri.

— Toda nossa região está sendo severamente castigada. A praia do Matadeiro está sem faixa de areia. No centrinho da Armação, as ondas estão batendo forte no enrocamento de pedras. Mais para o meio da praia, atingiu duas residências — conta o presidente da Associação Comunitária do Morro das Pedras, André Luiz Videira.

 FLORIANOPOLIS, SC, BRASIL, 23/05/2018 - Ressaca forte na praia do Morro das Pedras, no sul da IlhaLocal: FlorianópolisIndexador: Betina HumeresFonte: Diário Catarinense
Sob olhar de moradora da região, fortes ondas atingem encosta do Morro das PedrasFoto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Em um dos terrenos, ainda há uma faixa de vegetação de cerca de cinco metros entre o mar e a casa. No outro, as ondas já quebram em cima de uma pilha de sacos de areia colocadas junto à casa, que começava a ser atingida. Na manhã de terça-feira, amigos, vizinhos e até desconhecidos ajudaram a família Gianotti a erguer a barreira para evitar um desastre.

— Veio muita gente ajudar, mais de 100 pessoas, passaram o dia todo trabalhando. Foi muito bonito. Chorei de emoção, foi impressionante — conta Leonardo Gianotti.

Seu filho, que também chama Leonardo, trabalha como bombeiro. Acostumado a salvar vidas, desta vez ele é que foi "salvo" pela comunidade da qual faz parte há 28 anos. De acordo com seu relato, as ondas começaram a avançar na madrugada de segunda-feira e rapidamente "comeram" a faixa de 30 metros de areia e restinga que separavam a casa do mar.

— A praia tinha ficado gigante depois daquelas ressacas do ano passado, mas agora o movimento foi o contrário, por conta da direção da ondulação. Inclusive por isso a faixa de areia no Caldeirão está muito maior que o normal e aqui está muito menor — relata Leonardo.

 FLORIANOPOLIS, SC, BRASIL, 23/05/2018 - Casa corre risco de desabamento por conta da mare alta no sul da Ilha - O morador da praia da Armacao , Leonardo GIanotti, teve que recuar todos os moveis da casa por conta da mare que ameaca sua casa de desabamento.Local: FlorianópolisIndexador: Betina HumeresFonte: Diário Catarinense
Móveis e eletrodomésticos foram retirados de casa pela família de LeonardoFoto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Com a ameaça de desabamento da residência, a família de Leonardo retirou os pertences e foi dormir as últimas noites na casa de amigos e parentes. Agora, a expectativa é de que o mar recue para que possam trabalhar em uma proteção mais eficaz.

— A preocupação principal é manter a casa. Depois que o mar recuar vamos pensar e decidir o que fazer para evitar danos durante o inverno, quando as ressacas são mais frequentes. Mas assim como o mar cavou, pode aterrar. Essa é a nossa torcida.

Previsão é de mar agitado

O mar começou a recuar nesta quarta-feira, em comparação aos últimos dias, mas a tendência é de que volte a ficar agitado no início da próxima semana. De acordo com técnicos da Epagri/Ciram, há previsão de fortes ondas já na segunda-feira, 28.

— Nos próximos dias deve baixar um pouco, mas a previsão é de que no começo da semana, sim, o mar fique mais agitado e até com possibilidade de ressacas — comenta o meteorologista Marcelo Martins.

Para o presidente da Associação Comunitária do Morro das Pedras, o deslocamento da maré e das areias é uma dinâmica natural, que faz parte da vida de quem mora perto das praias. Porém, aponta para a necessidade de avançar com estudos técnicos e soluções definitivas além do enrocamento de pedras.

— É preciso que um estudo técnico aponte soluções baseadas em modelagem, soluções duradouras que respeitem a questão ambiental. Chega de tapar o sol com a peneira, o poder público tem que estar atento à isso — afirma André Luiz Videira. 

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