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De graça12/06/2018 | 05h06Atualizada em 15/08/2018 | 10h08

ONG de Florianópolis oferece aulas de português para mães imigrantes e refugiadas

Crianças ficarão em um espaço supervisionado por profissionais da pedagogia enquanto as mulheres estudam

ONG de Florianópolis oferece aulas de português para mães imigrantes e refugiadas Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Trinita Irilan, 32 anos, fala quatro idiomas: crioulo, francês, inglês e espanhol. Cursou enfermagem durante oito anos no Haiti. Morando na Capital catarinense há quatro anos, o melhor trabalho que conseguiu foi de cozinheira num restaurante em um shopping na região central.

A dificuldade na comunicação é um dos principais obstáculos na vida de imigrantes e refugiados que buscam acolhimento em outros países. A falta de domínio da língua impossibilita a contratação em um emprego formal ou na área de especialização da pessoa. No caso de Trinita, ela ainda sonha em voltar a atuar na área de formação, a enfermagem. O primeiro passo para isso é aprender a falar e escrever em português.

— Tive muita dificuldade. Eu falo crioulo, francês, inglês e um pouco de espanhol. Cheguei aqui e não tinha ninguém para falar comigo, quase três anos sem conseguir me comunicar direito. Achava que ia conseguir trabalhar como enfermeira, mas preciso falar bem português. Quem sabe um dia — deseja.

As novelas e programas de TV ajudaram um pouco, mas há um ano ela se dedica ao curso de língua portuguesa oferecido pela UFSC. As aulas são aos sábados e, assim como outras mães, Trinita precisa levar a pequena Aliafita Auguste, de quatro anos, para a sala de aula, porque não tem creche e nem com quem deixar a filha.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 08/06/2018: Trinita Irilan é Haitiana e faz curso de Português na UFSC.(Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Foi observando a dificuldade da haitiana que a professora de português para estrangeiros e doutoranda em linguística pela UFSC, Narjara Reis, teve a ideia de dar aulas gratuitas para mães imigrantes e refugiadas. 

A intenção é montar um espaço para acolher as crianças enquanto as mães estudam.

— Essa demanda existe e eu percebi que seria interessante se tivesse um espaço para aquelas crianças. Quantas mães não conseguem ir para a aula porque não têm com quem deixar os filhos? Eu sei como é difícil, pois eu também sou mãe — diz Narjara.

A professora entrou em contato com o Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes e Refugiados (Crai) de Santa Catarina, inaugurado em 1º de fevereiro. Através dele, Narjara conheceu a Organização pelos Refugiados (OPR), ONG de Florianópolis que já oferece aulas gratuitas de língua portuguesa para estrangeiros. Segundo Nadiny Cardoso, presidente interina da OPR, havia a intenção de abrir uma turma para as mães e a iniciativa de Narjara impulsionou o projeto a sair do papel.

— Hoje, a maior dificuldade para os imigrantes é encontrar um emprego. Mas, para isso eles precisam ter um nível, pelo menos, intermediário da língua portuguesa. A maioria tem conhecimento em alguma área com curso superior e nós estamos dando um apoio para inseri-los no mercado de trabalho. A partir do momento que eles conseguem emprego, eles também saem das ruas e melhoram a vida. É uma questão social — avalia Nadiny.

Como se inscrever

As aulas de português voltadas para as mães imigrantes e refugiadas têm previsão de início em agosto. Pelo menos 30 vagas foram abertas e podem se inscrever mães haitianas, senegalesas, argentinas, entre outras nacionalidades. 

O curso é destinado a mães porque vai oferecer um espaço para deixar os filhos pequenos, incluindo os bebês, enquanto elas estudam. Este local será montado conforme a necessidade, com brinquedos, tapetes e profissionais de pedagogia.

Os dias e horários das aulas ainda não foram definidos, nem o local. De acordo com Narjara, as atividades vão acontecer duas vezes por semana. No entanto, o cronograma será montado conforme a demanda das mães. Por isso, ela está fazendo o pré-cadastro das interessadas.

Para participar é só entrar em contato pelo telefone (48) 99984-5084 (WhatsApp) ou e-mail jarareis@gmail.com. As alunas vão receber material escolar e apostila, além de lanche.

Outras turmas

A OPR oferece, desde o ano passado, aulas de português para imigrantes e refugiados. No momento há três turmas em andamento com encontros noturnos no IFSC, Centro de Florianópolis. Para o próximo semestre a intenção é abrir seis turmas. As inscrições devem estar disponíveis a partir de julho. Os interessados devem ficar de olho na página da ONG no Facebook para saber como se inscrever.

Enquanto isso, a OPR está com processo seletivo aberto para contratar professores voluntários. São 12 vagas, sendo dois professores por turma que darão aulas duas vezes por semana no horário noturno, além de um para as aulas com as mães. Segundo Nadiny, quem está cursando Letras, principalmente francês ou espanhol, ou que tenha conhecimento das línguas e que queira ajudar, pode enviar o currículo para o e-mail pelosrefugiados@gmail.com.

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