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DA TERRA PARA A NUVEM10/09/2018 | 19h40Atualizada em 11/09/2018 | 07h05

Aplicativo catarinense aproxima o pequeno agricultor do consumidor 

Com o sistema, donos de mercados, hotéis e restaurantes podem comprar frutas, verduras ou hortaliças direto de quem planta

Aplicativo catarinense aproxima o pequeno agricultor do consumidor  Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Fabíola recebe em Florianópolis as hortaliças de Claudionei direto da propriedade do agricultor de Santo Amaro da Imperatriz Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Uma tímida revolução tecnológica começou a acontecer em pequenas propriedades rurais do interior de Santa Catarina. No país dos grandes latifúndios e da monocultura, uma plataforma digital passou a dar poder ao elo mais fraco na cadeia de alimentos: os pequenos agricultores, e sobretudo os que plantam orgânicos.

Quem está fazendo isso é a startup catarinense Sumá, que foi desenvolvida em Florianópolis e funciona em Balneário Camboriú. Batizada com o nome da deusa da agricultura tupi-guarani, a Sumá está conectando famílias e cooperativas de produtores diretamente aos compradores finais, o que elimina uma série de atravessadores. Segundo a empresa, isso aumenta a renda do produtor e, com o tempo, poderá diminuir o preço final dos produtos do campo.

Funciona assim: donos de mercados, hotéis e restaurantes que desejem comprar frutas, verduras ou hortaliças direto de quem planta se cadastram no aplicativo. Nele, encontrarão as ofertas do próprio homem e mulher do campo. Os produtos são divididos em orgânicos certificados, orgânicos sem certificação e convencionais.

Foi o que fez a empresária Fabíola Caldeira, sócia de um restaurante uruguaio que funciona em um shopping de Florianópolis. Na semana passada, ela recebeu uma entrega de alface, rúcula, repolho e cebolinha cultivadas numa propriedade de Santo Amaro da Imperatriz. Tudo orgânico, sem nada de agrotóxico.

Fabíola queria ter o contato direto com o produtor, mas não sabia o caminho. Diz que ia no Ceasa às 6h só pra conseguir uma folha bonita.

— Antes, a gente trabalhava com um cara que fazia essa ponte entre eles, que fazem a produção, e eu vi que a gente estava pagando o dobro. E aí a gente começou a voltar pro Ceasa, mas a qualidade de lá não era o que a gente queria. Então a gente estava precisando mesmo, e essa parceria está dando muito certo, estão vindo produtos maravilhosos — comemora.

Segundo os cálculos médios da Sumá, o produtor que usa a plataforma recebe 27% a mais do que na cadeia tradicional. Já o comprador, paga 7% a menos. Mas para o seu Claudionei Locks, agricultor que fez a entrega das folhosas para a Fabíola, o ganho dele está sendo muito maior.

— Eu aumentaria mais essa porcentagem. Acredito que a gente recebe em torno de 80% a mais do que antes. A gente é responsável pelo produto que está na gôndola do mercado. Mas justamente por esses intermediários, cada um vai tirando sua porcentagem, então na verdade a gente não está vendendo, a gente está entregando pro cara. É uma coisa injusta com o produtor, então essa venda direta é muito interessante.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 04/09/2018: Plataforma catarinense conecta pequenos agricultores diretamente com o comprador. Na foto: Fabiola Caudeira, empresária e Claudinei Locks, agricultor.(Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Claudionei mostra sua plantação de folheosas Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

MAIS DE 1,6 MIL CADASTROS

Hoje o Sumá possui 1,6 mil agricultores e 103 compradores cadastrados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. A startup cobra uma taxa em cima das transações. A plataforma também pode ser acessada offline, já que o agricultor muitas vezes mal tem sinal de internet. Conforme o coordenador de tecnologia da plataforma, Adriano Ferlin, hoje a principal forma de venda são grandes pedidos com entregas divididas, que é quando as empresas compram para o ano inteiro, mas a entrega é fracionada.

Segundo Adriano, o pequeno produtor, em geral, desconhece o próprio mercado. Isso faz com que ele receba um percentual muito pequeno do que o cliente final paga. Por isso, além da possibilidade de vender seu produto, o agricultor recebe qualificação sobre questões como solo, preço, mercado e certificação.

— Entre 6% e 8% do que o consumidor paga pelo produto no varejo é o que o produtor rural recebe. Por outro lado, o comprador quer um produto mais barato e de melhor qualidade. Então a gente organiza as informações dos produtores, suas produções e as demandas de mercado para que a gente feche compras em rotas curtas. Nós temos um perímetro de 250 km que é pra não encarecer o preço do frete. Hoje o Claudionei trouxe folhosas, demorou uma hora para vir de Santo Amaro até aqui. Ele colheu ontem à tarde. Então o produto chega fresco — disse Adriano na terça-feira.

Para os homens e mulheres moradores dos grandes centros urbanos, que perderam o contato com o solo e nossa ancestralidade, ter um serviço que leva o nome de uma deusa indígena é significativo. Até porque tudo que a gente come, antes de estar na prateleira, veio da terra.

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