Rodrigo Klein superou um acidente de moto e hoje pedala pelas ruas da Grande Florianópolis - Geral - Hora de Santa Catarina

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Nossa Gente é da Hora30/11/2018 | 11h12Atualizada em 30/11/2018 | 12h35

Rodrigo Klein superou um acidente de moto e hoje pedala pelas ruas da Grande Florianópolis

Ex-montador de móveis, de 43 anos, perdeu uma perna em um acidente há 10 anos e, sozinho, adaptou uma bicicleta para sonhar em ser ciclista

Rodrigo Klein superou um acidente de moto e hoje pedala pelas ruas da Grande Florianópolis Diorgenes Pandini/Diario Catarinense
Rodrigo é um exemplo muito válido Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense
diorgenes pandini

— Não perdi uma perna, eu ganhei uma vida. Na verdade, foi um presente — resume Rodrigo Klein, 43 anos, sobre o acidente que mudou sua trajetória 10 anos atrás. Ele pilotava uma moto quando, em uma ultrapassagem, se distraiu, perdeu o controle e se acidentou. Não perdeu a consciência e, mesmo com sua perna estraçalhada, conseguiu segurar a veia safena, que foi o que salvou a sua vida.

O sonho de um atleta hoje é parte do novo Rodrigo. Conhecido por onde passa, o manezinho nascido na Carmela Dutra e renascido na SC-407, responde com um sorriso e o bom humor aos cumprimentos das pessoas que o veem diariamente nesse mesmo trajeto. Seu sorriso reafirma a frase escrita repetidamente em sua mochila preta e branca: “espalhe humor”.

— Achava que ia morrer. Teve uma hora que cheguei a desistir, levantei a mão pedindo ajuda e todo mundo se afastou. Apareceu uma senhora e com muita calma segurou na minha mão — relembra.

— Eu vou morrer, dona!

— Vai nada, rapaz! Com esse olhão “azuli” aí, vai nada — consolou.

— Se tu diz! — respondeu, sem nem perceber o diálogo extremamente mané que aconteceu à beira da morte.

— Até hoje não sei quem era, mas as palavras dela, ditas na hora certa, me deram forças para acreditar que poderia sobreviver — conta.

 PALHOÇA, SC, BRASIL, 27.11.2018 - Não perdi uma perna, eu ganhei uma vida. Na verdade, foi um presente - resumi Rodrigo Klein sobre o acidente que mudou completamente a sua vida 10 anos atrás. Ele pilotava uma moto quando, em uma ultrapassagem, perdeu o controle e se acidentou. Não perdeu a consciência, e mesmo com sua perna estraçalhada, conseguiu segurar a safena, que foi o que salvou a sua vida. - Achava que ia morrer. Teve uma hora que cheguei a desistir, levantei a mão pedindo ajuda e todo mundo se afastou. Apareceu uma senhora e com muita calma segurou na minha mão, relembra.  - Eu vou morrer, dona!  - Vai nada, rapaz! Com esse olhão ¿azuli¿ aí, vai nada! -  consolou.  - Se tu diz! - respondeu, sem nem perceber o diálogo extremamente mané que aconteceu à beira da morte. - Até hoje não sei quem era, mas as palavras dela, ditas na hora certa, foi o que me deu forças a acreditar que poderia sobreviver - . relembra.  Dona Salete, a mãe do Rodrigo, em choque, repetia em meio ao trauma - Mas como isso? Eu botava as perninhas de dele no tip top! Não pode ser¿ - uma forma de renegar a realidade impensável que batia à sua porta.Indexador: Diorgenes Pandini
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

O recomeço como ciclista 

Uma semana de internação, dois litros e meios de sangue transplantados e muita oração depois, Rodrigo Klein renasceu. Foi um ano de adaptação sem a perna esquerda. Teve de reaprender a andar, tudo como uma criança, usando muletas.

— Era eu e a Kelly Key (muleta). Sabe o porquê desse nome? Ora, nêgo, não é a Kelly Key que tá sempre bem acompanhada? — brinca.

Aliás, o bom humor é constante em sua personalidade. Frases prontas como “agora levanto só com o pé direito” ou “depois do acidente fiquei corajoso, nunca mais corri de ninguém”, se tornaram uma arma para quebrar o gelo em qualquer conversa. O sorriso sincero e frouxo sobrepõe sua condição física. Hoje, aos 43 anos, é um ciclista amador. “É só uma perna, mas vale por duas”.

 PALHOÇA, SC, BRASIL, 27.11.2018 - Não perdi uma perna, eu ganhei uma vida. Na verdade, foi um presente - resumi Rodrigo Klein sobre o acidente que mudou completamente a sua vida 10 anos atrás. Ele pilotava uma moto quando, em uma ultrapassagem, perdeu o controle e se acidentou. Não perdeu a consciência, e mesmo com sua perna estraçalhada, conseguiu segurar a safena, que foi o que salvou a sua vida. - Achava que ia morrer. Teve uma hora que cheguei a desistir, levantei a mão pedindo ajuda e todo mundo se afastou. Apareceu uma senhora e com muita calma segurou na minha mão, relembra.  - Eu vou morrer, dona!  - Vai nada, rapaz! Com esse olhão ¿azuli¿ aí, vai nada! -  consolou.  - Se tu diz! - respondeu, sem nem perceber o diálogo extremamente mané que aconteceu à beira da morte. - Até hoje não sei quem era, mas as palavras dela, ditas na hora certa, foi o que me deu forças a acreditar que poderia sobreviver - . relembra.  Dona Salete, a mãe do Rodrigo, em choque, repetia em meio ao trauma - Mas como isso? Eu botava as perninhas de dele no tip top! Não pode ser¿ - uma forma de renegar a realidade impensável que batia à sua porta.Indexador: Diorgenes Pandini
Mochila com mensagem positivaFoto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

A mesma estrada que quase foi o cenário do fim de sua vida é o local onde ele mais pedala: a SC-407. Entre morros, curvas, retas e obras (do contorno viário), ele vai todos os dias de sua casa, onde cuida de sete cachorros, na Colônia Santana, em São José, até a da mãe, em Forquilhinhas. Mas gosta também de pedalar até a Pinheira, até a Ilha, por “tudo quanto é canto”. São pelo menos 50 quilômetros diários.

— Uma vez peguei a bicicleta de um amigo emprestada. Coloquei o pedal entre a sandália e meu pé. Ali foi o primeiro passo.

Resolveu comprar uma bicicleta e adaptou uma sandália com fita. Foi roubado duas vezes, até que decidiu tirar o pedal do lado esquerdo.

— Agora ninguém mais pega e a gente é igual. Do lado esquerdo somos lisos.

Quando pegou gosto pelo esporte, guardou o dinheiro que ganhava como cobrador de ônibus e comprou uma mountain bike, realizando um sonho.

Antes do acidente, porém, ele era montador de móveis, emprego que teve de largar. Porém, recusou a aposentadoria por invalidez:

— Eu não sou inválido. Só esse nome já mata a pessoa. Prefiro buscar por tempo de serviço — orgulha-se.

Rodrigo terminou o ensino médio, parou na sexta-feira, quando começou a trabalhar. Hoje está desempregado, procurando emprego, mas o que queria mesmo era viver do esporte, de pedalar.

— Já fui até o morro da Pedra Branca sozinho. Eu e Deus. Cheguei lá e tinham dois caras escalando. Disseram que eu era louco de ir até lá sozinho, mas loucos eram eles, escalando a pedra pela frente só com uma corda.

Infelizmente as inscrições e competições ainda não fazem parte de sua vida por conta do valor cobrado, mas ele quer chegar lá.

— Nunca participei, mas tenho vontade, sim.

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