EUA devolvem sinos de guerra às Filipinas - Geral - Hora de Santa Catarina

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Manila11/12/2018 | 06h09

EUA devolvem sinos de guerra às Filipinas

AFP
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O governo dos Estados Unidos devolveu nesta terça-feira às Filipinas alguns troféus de guerra confiscados há mais de um século, incluindo três sinos de igreja apreendidos em uma igreja, um gesto que busca encerrar um doloroso capítulo da história entre os dois países.

Manila solicitava há décadas a devolução dos sinos de Balangiga. A restituição acontece em um momento delicado nas relações entre o arquipélago e Washington, ante a vontade do presidente Rodrigo Duterte de uma aproximação com Pequim.

Os sinos chegaram a bordo de um avião militar americano. Representantes dos dois países se reuniram no aeroporto de Manila para uma cerimônia oficial de restituição.

As peças foram retiradas de uma igreja de Balangiga, cidade da ilha de Samar, no centro-leste do arquipélago, durante uma expedição punitiva do exército americano.

Em 28 de setembro de 1901, rebeldes filipinos armados com machados mataram 48 soldados americanos durante uma operação surpresa, para o qual os sinos deram o sinal de ataque.

Em represália, o general Jacob Smith ordenou que a ilha de Samar se transformasse em um "deserto de uivos" e que todos os homens filipinos com mais de 10 anos fossem executados.

Milhares de filipinos foram assassinados, Balangiga ficou devastada e os sinos foram tomados como troféus de guerra.

Filipinas, uma colônia espanhola desde o século XVI, foi vendida aos Estados Unidos em 1898 após a guerra hispano-americana. O país conquistou a independência em 1946.

Dois sinos estavam expostos no Wyoming, em um memorial para os soldados americanos mortos em combate, e o terceiro em uma base militar americana na Coreia do Sul.

Manila começou a solicitar a restituição nos anos 1990. Todos os presidentes apoiaram a reivindicação, assim como a Igreja católica.

Em 2017, o presidente Duterte pediu a Washington a devolução dos sinos de Balangiga. "Não pertencem a vocês", afirmou.

Pouco depois de chegar à presidência em 2016, Duterte demonstrou a intenção de romper com a ex-potência colonial e encerrar a disputa com Pequim sobre o Mar da China meridional.

A restituição foi possível em parte ao fato de que importantes associações de veteranos americanos deixaram de expressar oposição à devolução dos sinos.

* AFP

 

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