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Refugiados07/04/2017 | 20h30Atualizada em 07/04/2017 | 20h30

Senegaleses protestam e pedem legalização de suas atividades como ambulantes em Florianópolis

Imigrantes criticam ações de fiscalização e alegam que sofrem com violência da polícia e com preconceito da população

Senegaleses protestam e pedem legalização de suas atividades como ambulantes em Florianópolis Leo Munhoz/Agencia RBS
Senegaleses fizeram ato pedindo alvarás para poderem atuar como ambulantes  Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS
Carol Passos/Especial

redacao@horasc.com.br

Saídos de seu país para escapar da situação econômica e social, os senegalenses encontraram no trabalho como ambulantes uma forma de se sustentar em Florianópolis. No entanto, alegam sofrer preconceito e repressão por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Na tarde desta sexta-feira, um grupo de senegaleses se reuniu em frente à Catedral Metropolitana para protestar contra a violência e pedir a legalização do trabalho. Na próxima segunda-feira, uma reunião na Câmara de Vereadores reunirá representantes da prefeitura, Guarda e PM para discutir a abordagem aos senegalenses que trabalham como ambulantes.

De acordo com Boubacar Dieyè, representante dos senegaleses que vivem da Capital, a ação dos órgãos de segurança e o preconceito da população têm feito com que os refugiados sintam medo de trabalhar. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram brigas entre os imigrantes e outros ambulantes, apreensão de mercadorias, uso de gás de pimenta e imobilização nas abordagens.

Boubacar lembra que muitos não sabem ler e escrever em português, com isso, a burocracia é um impedimento para que os imigrantes legalizem o trabalho. 

— Éramos mais de 100 senegaleses em Florianópolis, mas muitos foram embora para outras cidades porque aqui é mais complicado trabalhar, existe preconceito. Estamos trabalhando, alguns são pais de família e têm que fugir da polícia — conta.

Ele mora no Brasil há quatro anos, sendo um ano e oito meses em Florianópolis. Já passou por cidades como Chapecó e Porto Alegre, mas escolheu a Capital catarinense como lar. Boubacar mora aqui com a esposa, que está grávida. Acredita que deveria ter um processo de licitação diferenciado para os imigrantes que queiram trabalhar como ambulantes, por questões que dificultam o processo, como língua e documentação.

Vendedor ambulante que vive há 13 anos no Brasil, Serigne Moudo Gieng conta que teve os produtos apreendidos pela fiscalização há uma semana. Com os itens, foram levados objetos pessoais, como seu celular. Ele afirma que tentou recuperá-los, mas não teve nenhuma resposta de onde estão os objetos. Serigne está há 3 anos na Capital catarinense, onde não tem familiares.  

— A polícia é muito agressiva. Muitos falam coisas que não deviam, ameaçam deportar. Isso não existe — conta.

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PROCESSO DE LICITAÇÃO SERÁ ABERTO

O superintendente de serviços públicos da prefeitura de Florianópolis, Maycon Oliveira, esteve presente no protesto desta sexta-feira. Ele ouviu as reivindicações dos senegaleses e afirmou que será aberto um processo de licitação para seleção de ambulantes. Os imigrantes poderão participar do processo, mas ele afirma que é necessário criar uma comissão para discutir o mix de produtos.

— Não podemos autorizar a venda de produtos ilegais. Vamos tentar acelerar o processo, mas o andamento é de 90 dias — afirma o superintende.

Em entrevista à repórter Gabriela Machado, da RBS TV, a secretária de Segurança Pública e comandante da Guarda Municipal, Maryanne Mattos, afirma que não há excesso na abordagem dos senegaleses. Além disso, ela também disse que não há diferença na retirada dos produtos apreendidos. É preciso apresentar a nota da mercadoria no Pró-Cidadão e pagar uma taxa que varia de acordo com a quantidade e produtos.

— Foi utilizado uso progressivo da força. Houve duas situações pontuais em Canasvieiras. Primeiro eles agrediram os fiscais. E dois dias depois, eles tentaram, vieram em mais de 50, aí foi preciso usar spray de pimenta. Nós não fazemos nenhum tipo de distinção, nossa fiscalização é contra o comércio ilegal — afirma.

Também em entrevista à RBS TV, a Polícia Militar disse que não existem operações específicas pra abordar imigrantes de qualquer nacionalidade, e que todos policiais passam por formação que prioriza o respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais.

Legalidade

Para ter a permanência autorizada no Brasil, os senegaleses precisam ter o pedido aprovado pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg). Para isso, é necessário ter um passaporte válido e comprovar a de data de nascimento e a filiação. Em seguida, um registro é feito na Polícia Federal, onde eles podem pedir a Cédula de Identidade de Estrangeiro (CIE), que garante a regularidade e permite que eles fiquem aqui por tempo indeterminado.

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