"O Eduardo resolveu me fustigar", diz Temer sobre Cunha em gravação - Jornal Hora de Santa Catarina - polícia, futebol, entretenimento e notícias da Grande Florianópolis

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Áudio18/05/2017 | 21h07Atualizada em 18/05/2017 | 22h28

"O Eduardo resolveu me fustigar", diz Temer sobre Cunha em gravação

Peemedebista teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, preso e condenado na Lava-Jato

Zero Hora
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No fim da tarde desta quinta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal (STF) repassou à imprensa o áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS, Joesley Batista. O peemedebista teria dado aval para a manutenção da compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PDMB-RJ), preso e condenado na Lava-Jato. 

Em um dos trechos, Batista questiona Temer sobre a relação com Cunha. O presidente responde:

 — O Eduardo resolveu me fustigar.

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Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Confira um dos trechos da conversa:

— Bom, tá bom presidente. É tarde, deixa eu te falar. Primeiro, eu vim aqui por dois, três motivos, assim, assim, assado. Primeiro, que eu não tinha te visto, desde que você assumiu — diz Joesley.

— Quando eu assumi? Não. Antes de assumir (se encontraram). Faz uns 10 meses — afirma Temer.

— Eu estive no teu escritório e 10 dias antes ali, quando tava ali naquela briga ainda, naquela guerra pelas "redes social", com golpe... Mas tudo bem. De lá para cá, eu vinha falando com o Geddel, enfim. 

– Deu aquele problema grande com o idiota aquele. Uma bobagem — diz Temer.

— É, que bobagem.

— Sem consequência nenhuma. O cara fez um carnaval — diz Temer.

— Andei falando algumas vezes com o Padilha também, mas agora que ele adoeceu, ficou adoentado...

— É — responde Temer.

– Enfim. Aí eu fiquei meio "deixa eu ir lá". Queria primeiro dizer assim, "tamo junto", o que o senhor precisar de mim, me fala.

— Tá. Só espera passar um pouco...

— Deixa eu te ouvir um pouco, presidente. Como é que o senhor tá nessa situação toda aí, dando ordens, não sei o que, com o Eduardo?

— O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu que...

— Eu não sei, como é que está essa relação?

— Tá bem, bem. Não tem nada a ver com a defesa dele. O Sérgio Moro indeferiu 21 perguntas dele, tem que ver com a defesa dele, quer me amedrontar. Eu não fiz nada, (inaudível) no Supremo Tribunal Federal. (inaudível). Ele tá aí, rapaz, mas...

— É... eu queria falar, assim... Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali zerou tal e tal. Liquidou tudo, ele foi firme em cima e já tava lá, veio, cobrou, tal tal tal, e eu, pronto. Acelerei o passo e tirei da frente. Um outro menino, companheiro dele que está aqui. O Geddel sempre estava nos cobrindo.

— (inaudível) — Temer.

– Geddel é que andava sempre ali, mas com esse negócio perdi o contato. Ele virou investigado. Agora eu não posso encontrar ele — explica Batista.

— É, é complicado, é complicado (inaudível) —  diz Temer.

– Esse negócio dos vazamentos. Telefone lá do Eduardo, Geddel, volta e meia ele citava alguma coisa meio tangenciando a nós, não sei o quê. Eu to lá me defendendo. O que mais ou menos me dei conta de fazer até agora: tô de bem com o Eduardo.

—  Tem que manter isso, viu? (inaudível) — diz Temer.

– Todo mês, também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. Tem os processos, eu to meio enrolado aqui. Meu processo é assim.

— Mas você tá com os processos? — Temer.

— É investigado, eu não tenho ainda denúncia. Aqui, eu dei conta, de um lado, do juiz. Dá uma segurada. Do outro lado, um juiz substituto que é um cara que fica "hm".

— Tá segurando os dois? — Temer.

– Tô segurando os dois.

— (Inaudível) — Temer murmura algo.

– Eu consegui um procurador dentro da força-tarefa, que também tá me dando informação. E eu lá eu que to dá conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal, e lado ruim é que, se vem um cara com raiva que não sei o que...

Confira a íntegra do diálogo

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