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Charlottesville12/08/2017 | 22h21

EUA: manifestação da direita radical em Charlottesville deixa um morto

AFP
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Uma polêmica manifestação organizada neste sábado por grupos da extrema-direita americana em Virginia se transformou em uma tragédia depois que um automóvel investiu contra a multidão de ativistas anti-racismo, deixando um morto.

O saldo de vítimas fatais aumentou para três depois que um helicóptero caiu em uma área vizinha a Charlottesville, matando outras duas pessoas em um acidente cujas causas ainda são investigadas, segundo a Polícia do estado de Virgina.

As autoridades não deram detalhes sobre a relação entre o acidente de helicóptero e a violência em Charlottesville, mas tudo indica que havia policiais do estado a bordo.

O presidente Donald Trump expressou no Tweeter suas "profundas condolências os familiares e aos colegas oficiais do policial do Estado de VA que morreu hoje".

"Condolências à família da jovem mulher que morreu hoje, e meus melhores desejos para todos aqueles que ficaram feridos, em Charlottesville, Virginia. É muito triste!", acrescentou depois o presidente.

O fato de o presidente Donald Trump não ter criticado grupos da ultra-direita provocou críticas, inclusive por parte de membros do Partido Republicano.

- Polícia superada -

Centenas de pessoas se reuniram em Charlottesville para participar ou protestar contra a "Marcha da Direita Unida", que rapidamente resultou em confusão, apesar da forte presença de agentes anti-disturbios e tropas da guarda nacional.

Muitos dos participantes na marcha carregavam bandeiras Confederadas, consideradas símbolo de racismo por muitos americanos, enquanto outros levantavam os braços fazendo a saudação nazista.

Os manifestantes anti-racistas levavam bandeiras do movimento Black Lives Matter (Vidas negras importam), gritando contra o racismo :"Não Nazista, não KKK, não fascistas"

"Marchávamos pela rua quando um automóvel, um carro preto ou cinza veio para cima e atingiu todo mundo. Depois retrocedeu e volou a vir para cima", relatou uma testemunha à AFP.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um automóvel escuro atinge violentamente a traseira de outro veículo e, em seguida, retrocede velozmente entre os manifestantes. Outras imagens mostram feridos no chão.

Segundo a Prefeitura, o motorista do veículo foi preso.

Até o começo da noite, pelo menos 35 pessoas haviam sido atendidas com ferimentos graves ou leves, informou o delegado de polícia de Charlottesville, Al Thomas.

Membros das milícias de extrema direita assumiram uma postura paramilitar, carregando no ombro fuzis semiautomáticos, não muito distante das forças de segurança chamadas ao local.

Diante dos incidentes, o batalhão de choque decidiu proibir a manifestação prevista e esvaziou o parque público onde ela aconteceria. Os efetivos realizaram um número não divulgado de prisões durante a operação.

Os grupos da direita radical, entre os quais a Ku Klux Klan e neonazistas, queriam denunciar e se opor ao projeto de Charlottesville de retirar de um espaço municipal a estátua do general confederado Robert E. Lee, que lutou a favor da escravidão durante a Guerra Civil americana.

- Casal Trump reage -

O presidente americano, Donald Trump, pronunciou-se no Twitter sobre o episódio, pedindo união. "Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que o ódio representa. Não há lugar para este tipo de violência nos Estados Unidos. Vamos nos unir como um só", pediu.

A primeira-dama, Melania Trump, condenou o sectarismo. "Nada bom sai da violência", tuitou.

Mais tarde, em Bedminster, Nova Jersey, onde passa férias, Trump voltou a criticar a violência em Charlottesville.

"Condenamos, nos termos mais fortes possíveis, esta exibição flagrante de ódio, fanatismo e violência em muitos lados. O ódio e a divisão devem parar agora. Temos que nos unir como americanos, com amor por nossa nação", proclamou.

O governador democrata da Virgínia, Terry McAuliffe, decretou estado de emergência, o que lhe permite mobilizar mais policiais.

Alguns manifestantes, que defendem a supremacia da raça branca, chegaram agitando bandeiras confederadas, consideradas um símbolo racista por boa parte dos americanos.

McAuliffe havia pedido ontem aos moradores da cidade que não participassem da manifestação, motivo pelo qual um destacamento da Guarda Nacional foi colocado em estado de alerta.

"As numerosas pessoas esperadas em Charlottesville querem expressar ideias consideradas por muitos, inclusive por mim, desprezíveis. Enquanto o fizerem de forma pacífica, estão no seu direito", assinalou o governador, que havia ordenado às forças de ordem "agir rapidamente e de forma decisiva" em caso de atos de violência.

- 'Vitrine do ódio' -

"Este evento poderia ser uma vitrine histórica do ódio, reunindo, em um só local, um número de extremistas inédito em uma década", advertiu Oren Segal, diretor do Centro sobre Extremismo da Liga Antidifamação, associação que luta contra o antissemitismo.

A direita nacionalista esperava atrair bastante seguidores graças à presença de membros do movimento Alt-Right, que apoiou Trump durante sua campanha.

Os participantes, de várias partes do país, tiveram dificuldade para encontrar hospedagem. A plataforma de aluguel da apartamentos Airbnb cancelou um número desconhecido de contas ligadas à extrema direita, destacando seus princípios de hospedagem independentes de origens étnicas.

Jason Kessler, organizador da manifestação, estimou no Twitter que a medida equivalia a um "ataque à liberdade de expressão e aos direitos civis".

Já Paul Ryan, líder republicano no Congresso, denunciou a reunião da extrema direita como "um espetáculo repugnante, baseado em uma intolerância vil".

* AFP

 
 
 

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