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Kecskemét14/06/2018 | 08h06

Sai hoje veredicto na Hungria sobre morte de 71 migrantes em caminhão frigorífico

AFP
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Quase três anos depois da morte por asfixia de 71 imigrantes em um caminhão frigorífico encontrado na Áustria, a Justiça húngara anuncia, na tarde desta quinta-feira (14), seu veredicto para os traficantes responsáveis por este drama que chocou a opinião pública mundial.

Após um ano de julgamento, o procurador Gabor Schmidt pediu prisão perpétua para quatro dos 14 acusados. E pediu que, para três deles, não haja possibilidade de redução da pena, uma disposição existente no Direito húngaro.

As vítimas - 59 homens, 8 mulheres e 4 crianças, incluindo um bebê, originários de Síria, Iraque e Afeganistão - subiram no caminhão perto da fronteira sérvia na Hungria, em 26 de agosto de 2015, com a esperança de chegar à Alemanha, no auge da crise migratória.

Confinados no compartimento hermeticamente fechado do veículo, morreram de asfixia em menos de três horas depois de os traficantes se negarem a parar para deixá-los respirar ar fresco, apesar dos gritos de socorro.

O veículo foi encontrado no dia seguinte, abandonado à beira de uma estrada austríaca.

A onda de choque provocada por essa tragédia favoreceu a abertura momentânea das fronteiras para milhares de imigrantes ansiosos para chegar ao leste da Europa.

Acusados de "homicídio com agravantes de particular crueldade" durante este longo julgamento que começou em junho de 2017 em Kecskemet, no sul da Hungria, os principais acusados disseram não saber que os passageiros do caminhão estavam agonizando, apesar das provas irrefutáveis.

- 'Que os deixe morrer' -

O chefe da rede, Samsoor Lahoo, um afegão de 31 anos, repetiu durante sua declaração que "não queria a morte de ninguém".

Mas os grampos telefônicos feitos pela Policia húngara não deixavam lugar para dúvidas, segundo a acusação: alertado por seus homens de que os imigrantes estavam sendo asfixiados e gritavam para que lhes dessem ar, proibiu que se entreabrisse o compartimento frigorífico.

"Melhor que os deixe morrer. É uma ordem", determinou Samsoor Lahoo a seu auxiliar. "Se morrerem, que os descarregue em um bosque na Alemanha", acrescentou.

Confrontado com essas gravações, o acusado, que adotou um atitude desafiadora durante boa parte do julgamento, disse que eram "palavras sem pensar".

Na opinião de Gabor Schmidt, agiu guiado por "uma indiferença espantosa e uma cobiça sem limites": em plena onda migratória, os transportes de imigrantes da rede, que cobrava até 3.500 euros por pessoa, sucediam-se a um ritmo incessante e não podiam sofrer nenhum contratempo.

As 71 vítimas foram confinadas em 14 metros quadrados, com menos de 30 metros cúbicos de ar para respirar.

O drama não impediu a rede de organizar, no dia seguinte, um novo transporte em condições similares. E não aconteceu uma nova tragédia, porque os 67 passageiros conseguiram forçar a porta do compartimento.

Todas, menos uma das vítimas, puderam ser identificadas. A maioria dos corpos foi entregue a seus familiares, que não assistiram ao julgamento. Os demais foram enterrados em Viena.

* AFP

 
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