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Rimbo05/12/2018 | 20h38

Iêmen negocia a paz na Suécia

AFP
AFP

As negociações de paz para o Iêmen começarão na quinta-feira, na Suécia, entre o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes, respaldados pelo Irã, anunciou nesta quarta-feira o mediador das Nações Unidas, o britânico Martin Griffiths.

O mediador "quer anunciar a retomada do processo político inter-iemenita na Suécia em 6 de dezembro de 2018", informou sua agência pelo Twitter.

Os representantes rebeldes chegaram na terça-feira à noite à Suécia a bordo de um avião especial kuwaitiano, no qual também viajou Griffiths.

Os representantes do governo, que saíram de Riad, chegaram nesta quarta-feira à noite a Estocolmo.

A guerra começou em 2014 no Iêmen, onde uma parte significativa da população está à beira da fome. Essas negociações são as primeiras desde 2016.

A delegação de 12 membros do governo iemenita é chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Khaled al Yemani, disse uma fonte próxima da delegação.

É "portadora das esperanças do povo iemenita", disse Abdullah Alimi, chefe do gabinete do presidente Abd Rabo Mansur Hadi, que se refugiou na Arábia Saudita depois que os rebeldes xiitas huthis conquistaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014.

A delegação do governo mobilizará todos os esforços "para que as consultas (na Suécia), que consideramos uma ocasião real para restabelecer a paz, sejam um sucesso", completou Alimi em um tuíte.

Especialistas e fontes diplomáticas estão cautelosos antes das negociações, que devem ajudar a "construir confiança" entre as duas partes.

Uma fonte diplomática do Conselho de Segurança da ONU disse à AFP que "tem muito pouca esperança" de que essas conversações possam levar a progressos concretos.

- "Primeiro passo vital" -

Nesta quarta-feira, representantes dos rebeldes foram vistos andando nas proximidades do centro de conferências do castelo de Johannesbergs, localizado a cerca de 60 km de Estocolmo, sob alta proteção policial.

"Não temos ilusões e sabemos que esse processo não será fácil, mas damos as boas-vindas a este primeiro passo vital e necessário", comentou o Departamento de Estado dos EUA na terça-feira.

Os rebeldes xiitas huthis "não pouparão esforços para fazer as negociações correrem bem", disse Mohamed Abdelsalam, chefe da delegação rebelde.

Uma das medidas que pode favorecer esses encontros é a assinatura de um acordo entre os rebeldes e o governo do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, atualmente no exílio, para a troca de centenas de prisioneiros.

Hadi Haig, responsável da questão dos detidos para o governo iemenita, declarou na terça-feira à AFP que o acordo assinado afetará entre 1.500 e 2.000 membros das forças pró-governo e entre 1.000 e 1.500 rebeldes huthis. A troca de prisioneiros deve acontecer após as negociações na Suécia.

Um representante dos rebeldes, Abdel Kader al Murtadha, expressou seu desejo de que ele seja "aplicado sem problemas".

- Oportunidade "decisiva" -

A evacuação, na segunda-feira, dos rebeldes huthis feridos para o Sultanato de Omã abriu caminho para conversações na Suécia.

A reabertura do Aeroporto Internacional de Sanaa, que estava fechado há três anos, o registro de áreas minadas pelos rebeldes, um cessar-fogo e a abertura de corredores humanitários devem estar na mesa de negociações.

O Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) pediu nesta quarta-feira que os dois lados cessem os combates.

"Os beligerantes devem entender os meios para reabrir todos os portos e estabilizar a economia nacional que está afundando, enquanto facilitam o acesso total e desimpedido à ajuda humanitária", declarou o NRC.

Segundo o Banco Mundial, o conflito provocou uma dramática crise econômica, com uma contração do PIB de 50% desde 2015.

Em 2014, os rebeldes huthis conquistaram amplas faixas do território do país, incluindo a capital Sanaa e a estratégica cidade portuária de Hodeida.

Em março de 2015, a Arábia Saudita passou a liderar uma coalizão militar de apoio ao governo do Iêmen e para conter o avanço dos huthis. Desde então, o conflito deixou quase 10.000 mortos e mais de 56.000 feridos, de acordo com a ONU.

A guerra foi progressivamente transformada em uma "guerra por procuração" entre os grandes rivais regionais, saudita e iraniana.

O ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, cujo país é um pilar da coligação militar, considerou que as negociações oferecem "uma oportunidade decisiva para iniciar com sucesso uma solução política".

Quase 80% da população do país, aproximadamente 24 milhões de pessoas, "precisa [...] de proteção e assistência humanitária", segundo a ONU.

Em todo o país, 18 milhões de pessoas passam por insegurança alimentar, dos quais 8,4 milhões já sofrem de "fome extrema".

* AFP

 

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