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Paris11/12/2018 | 07h53

Jornalista da AFP defende direitos conexos em texto com mais de 100 assinaturas

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Mais de 100 repórteres e fotógrafos deram seu apoio a um novo artigo de opinião do jornalista da AFP Sammy Ketz, no qual defende a reforma europeia dos direitos autorais contra os gigantes de Internet que tentam fazer que "o texto se esvazie de substância".

"Há dois meses, em 12 de setembro, o Parlamento Europeu aprovou por ampla maioria um projeto de diretriz que finalmente dá esperanças à imprensa e às agências de notícias de serem remuneradas pelos gigantes de Internet", por meio de um "direito conexo" similar ao direito autoral, e isso "apesar de uma pressão intensa e sem precedentes dos gigantes de Internet", escreve Sammy Ketz neste artigo publicado nesta terça-feira (11) e apoiado por 103 jornalistas e fotógrafos de toda UE.

A instauração dos direitos conexos busca permitir que jornais, revistas e agências de notícias como a AFP cobrem, se os agregadores de informação, como Google News, ou as redes sociais, como o Facebook, reutilizarem sua produção na Internet.

Quando a reforma estava perto de obter um consenso dentro do chamado "triálogo" (Conselho, Comissão Europeia e Parlamento Europeu), os gigantes de Internet lançaram "uma nova campanha" e "estão em processo de conseguir que o texto se esvazie de substância", explica o jornalista da AFP, repórter no Oriente Médio e atual diretor da redação de Bagdá.

Essas plataformas - escreve Sammy Ketz - tentam excluir da reforma os "snippets" (trechos curtos de matérias que aparecem nos motores de busca, agregadores de informação, ou redes sociais) para deixar de fora as agências de notícias e a imprensa especializada e reduzir a duração da proteção dos direitos conexos.

"Quando um motor de busca, ou agregador, retoma textualmente uma notícia de um jornal, ou de uma agência, o normal é que pague um direito conexo, mesmo quando se tratar de um trecho curto", alega Sammy Ketz.

Ele cita como exemplo um título como "Atentado suicida em bairro xiita de Bagdá: 32 mortos (polícia, hospital)", aparentemente simples, mas que, na verdade, para ser redigido precisa de inúmeras verificações feitas por jornalistas de carne e osso, os quais, muitas vezes, trabalham arriscando suas vidas.

"Se reproduzir textos de veículos, ou agências, foge dos direitos conexos, porque se trata de trechos (...), tudo o que os editores e agências de notícias investem para levar os fatos ao público é um desperdício total", e se corre o risco de deixar "todo terreno para aqueles que propagam as notícias falsas", argumenta.

Jornalistas, como o espanhol Javier Espinosa e a francesa Florence Aubenas, e fotógrafos, como Yann Arthus-Bertrand, subscrevem o artigo, publicado em jornais, páginas de Internet e agências de notícias, incluindo a AFP.

O texto pode ser acessado no link: .

* AFP

 
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