Suspeita de execução30/01/2014 | 23h33Atualizada em 31/01/2014 | 22h06

Jovem é morto pela polícia no quintal de casa, no Bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis

Ocorrência foi registrada no bairro Jardim Atlântico, por volta de 21h

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Jovem é morto pela polícia no quintal de casa, no Bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS
Na parede do quintal da casa, marcas de tiros e manchas de sangue da vítima Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Lucas Mafra, 18 anos, morreu nos fundos de casa com tiros na altura do peito na noite desta quinta-feira, no bairro Jardim Atlântico, região continental de Florianópolis. Horas após a morte, testemunhas afirmaram que um grupo de policiais militares desceu de duas viaturas Blazer e entrou na casa, por volta das 21h, tirou a mãe e outros dois familiares para fora e levou o rapaz para os fundos. Instantes depois, vários disparos foram ouvidos pela vizinhança.

O adolescente, conhecido por Bolinha, foi apontado como autor da morte do policial Misael Gonçalves, o Índio, em julho de 2011. Ele chegou a cumprir medida socioeducativa durante um ano em Curitibanos e Blumenau, mas estava em liberdade.

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Segundo a versão da PM, repassada pelo plantão da Central de Operações, equipes do policiamento tático estavam fazendo patrulhamento no Jardim Atlântico quando se depararam com um grupo de homens e iniciou-se uma troca de tiros, que teria atingido fatalmente Lucas.

A Delegacia de Homicídios confirmou que houve troca de tiros. Mas o plantonista informou que o jovem morreu dentro do terreno, nos fundos da casa 72 da Rua Jair Dias, onde a família Mafra mora há mais de 30 anos.

Passava da meia noite e dezenas de moradores da rua estavam na calçada. Na casa, a mãe de Lucas, Conceição Mafra, estava em lágrimas no sofá.

— Pegaram meu filho, levaram para os fundos e mataram ele — contou.

Priscila Mafra, sobrinha do rapaz que também estava na casa no momento em que os policiais entraram, conta que os agentes de segurança _ cerca de cinco _ entraram sem identificação na farda e um deles chegou a agredi-la, antes de empurrá-la para fora junto com a mãe da vítima.

Uma hora após a morte do irmão, Kátia Mafra registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Forquilhinha, relatando invasão de residência.

Com a vizinhança se aglomerando em frente à casa, os policiais teriam ficado no interior do terreno por aproximadamente 20 minutos até a chegada de uma ambulância do Samu. Mafra chegou morto ao Hospital Regional de São José.

A reportagem visitou a casa e entrou no terreno. Nos fundos, ao lado de uma piscina de borracha onde Lucas levou os tiros, havia na parede marcas das munições e duas manchas que aparentavam ser de mãos ensanguentadas.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Geral de Perícias, no Bairro Itacorubi, e um laudo sobre a causa da morte deve ser emitido em até 30 dias. A reportagem entrou em contato no início da madrugada com o comandante do 22º Batalhão, tenente-coronel Mauro da Silveira, que disse que se pronunciaria somente nesta sexta-feira sobre o caso.

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