Ação investiga qualidade da alimentação oferecida aos adolescentes no Case de São José  - Polícia - Hora

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Na Justiça15/07/2016 | 12h01Atualizada em 15/07/2016 | 13h31

Ação investiga qualidade da alimentação oferecida aos adolescentes no Case de São José 

Segundo promotor, prato servido é composto quase que totalmente por arroz

Ação investiga qualidade da alimentação oferecida aos adolescentes no Case de São José  Charles Guerra/Agencia RBS
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

Hora mostrou nesta quinta-feira que o Case de São José, inaugurado há dois anos e que custou R$ 13 milhões, não cumpre o objetivo de servir de exemplo ao Estado, como estava previsto. Apesar de ter capacidade para receber até 90 menores, só pode internar 20 por determinação da Justiça. O motivo é a falta de agentes socioeducativos. Além disso, só esse ano, 13 adolescentes fugiram do local. Deles, apenas cinco foram recapturados. Mas os problemas não param por aí.

Uma servidora que atua no Case e não quis se identificar contou à reportagem da Hora que há problemas na alimentação dos internos. O promotor Gilberto Polli informou ter ciência da situação, e afirmou ter ingressado com uma ação civil pública no início de 2015 "para investigar o contrato terceirizado que o Estado mantém com uma empresa que fornece os alimentos". 

A ação está em trâmite, e Polli reclama que não vem recebendo retorno do Estado aos seus pedidos de informação. 

— Temos a suspeita de que não está havendo preocupação em relação à qualidade da alimentação oferecida aos adolescentes. Pelo que apuramos, 80% do que é servido nas marmitas de isopor é arroz, outros 10% são proteínas e 10% de carboidratos. Eu já estive em São Pedro de Alcântara, e a comida servida lá é muito melhor do que no Case de São José — afirma Polli.

Questionado sobre o assunto, o diretor do Dease, Sady Becker Júnior disse desconhecer a ação. Revelou ter estranhado a informação da reportagem. Afirmou que "no passado" isso "talvez" tenha acontecido. Mas argumentou que "inclusive agentes" comem a mesma comida servida para os adolescentes. 

Agentes remanejados

Nesta quinta-feira, o governo abriu as inscrições para concurso público para a contratação de profissionais para os Cases. Em maio deste ano, quando encerraram — depois de algumas prorrogações — os contratos com 70 agentes ACTs, 50 agentes prisionais de três cidades catarinenses foram remanejados para o Case de São José. A medida adotada pelo governo foi a forma encontrada para resolver a dispensa dos ACTs, mas é questionada por agentes e técnicos que atuam dentro da unidade, e preferem não se identificar. 

Segundo um dos que conversaram com a Hora, alguns dos agentes do sistema prisional remanejados para São José "não podem manter contato com adolescentes" devido à decisões judiciais. Como foram convocados por ofício, e se apresentaram em seguida, muitos deles estão atuando em funções administrativas, como a observação das câmeras de vigilância. 

— Com a vinda desses agentes do sistema prisional, o Estado perde duas vezes, porque são profissionais bons no que fazem, mas que estão deslocados de suas reais funções onde sempre trabalharam para atuarem em funções administrativas e longe de casa — diz um agente.

De acordo com Sady, o remanejamento foi a saída encontrada para manter um número mínimo de servidores atuando na unidade. Ele afirma que a maioria dos agentes já atuavam em unidades de atendimento socioeducativo, outros foram remanejados e muitos que estavam na atividade administrativa passaram a atuar dentro do sistema.

Cursos profissionalizantes 

Sady Becker ressalta que os adolescentes internados no Case participam de cursos profissionalizantes, como um em andamento que trata de mecânica em motocicletas, e oficinas, como a de instalação de cerâmica, além de manterem atividades constantes na horta da unidade.

Afirma que 11 professoras atendem os alunos durante a manhã em aulas do ensino regular. E negou que as aulas no local "estejam bagunçadas", como dois adolescentes relataram ao promotor Polli nessa semana, dando conta de que alunos do 1° ano estavam dividindo as salas com alunos da 5ª, 6ª e 7ª série.

— Depois que saíram os ACTs, tivemos um problema com as pedagogas, mas professores temos em bom número e as aulas não foram prejudicadas — garante.

 
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