Ciclistas protestam contra insegurança e acidentes fatais na SC-401, em Florianópolis - Polícia - Hora

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Violência no trânsito29/07/2016 | 21h56

Ciclistas protestam contra insegurança e acidentes fatais na SC-401, em Florianópolis

Oito mortes já ocorreram no trecho nos primeiros sete meses desse ano

Ciclistas protestam contra insegurança e acidentes fatais na SC-401, em Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Um grupo de 25 ciclistas realizou protesto na noite de sexta-feira para pedir mais segurança na SC-401, rodovia que leva ao Norte da Ilha, e onde já aconteceram oito mortes em 2016. Uma ciclista, quatro pedestres, dois motociclistas e um motorista morreram na rodovia nos sete primeiros meses do ano, em um trecho de menos de 20 quilômetros entre o Cemitério do Itacorubi e a entrada do bairro de Canasvieiras.

Concentrados na pista de skate em frente ao Shopping Iguatemi, os manifestantes saíram em pedalada por ruas e avenidas para concluir o protesto no elevado de acesso ao bairro João Paulo, onde expuseram uma faixa com os dizeres "Bem-vindos à rodovia da morte".

Com menos participantes do que o esperado, já que 75 pessoas tinham confirmado presença no evento em uma rede social, quem tirou a noite de sexta para participar do ato aproveitou para cobrar das autoridades soluções para os constantes casos de atropelamentos e a necessidade de readequações no trecho, uma rodovia com características urbanas que corta regiões populosas e de grande movimento na cidade. 

— No início do ano, quando aconteceu o maior número de mortes, o governo prometeu fiscalização, melhorias, mas nada disso ocorreu efetivamente. O que vemos é que eles estão investindo no acaso, e se outras pessoas morrerem, a culpa será do acaso — reclamou o ciclista Sérgio Frigolão, 43 anos, que participou do ato com seu cão, o Toquinho.

SC-401: atropelamentos e mortes expõem a necessidade de mudanças

Além de colocarem a faixa no elevado do João Paulo, em um recado sobre os perigos de caminhar e pedalar pela SC-401, os manifestantes também penduraram uma faixa no elevado do Centro Integrado de Cultura (CIC), na qual chamam a atenção do poder público para os constantes casos de assaltos na região.

Para o educador e ecologista Lúcio da Silva Filho, 64 anos, integrante do Movimento Ilha Verde, se o Governo do Estado investisse "3%" de tudo que gasta em mobilidade urbana "para construir ciclovias e melhorar a sinalização" na SC-401 muitos dos problemas do trecho seriam resolvidos. 

— Acredito que também poderiam incluir nos exames práticos para tirar habilitação questões relativas ao trânsito de bicicletas. É preciso educar as pessoas ao convívio com os ciclistas e o ciclismo — aponta Lúcio.

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Oito mortes em sete meses

Menos de um mês após a morte do jornalista Róger Bittencourt, atropelado e morto no acostamento da SC-401 em 27 de dezembro de 2015, começou a macabra estatística da SC-401 em 2016.

A primeira vítima foi a cozinheira Simoni Bridi, 28 anos, atropelada e morta enquanto pedalava no acostamento da rodovia após o trabalho, em 24 de janeiro. Na mesma noite, a pedestre Micheli Bitencourt, 31 anos, foi atropelada e morta próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte por volta das 22h. Em ambos os casos, o autor dos atropelamentos fugiu.

Em 20 de fevereiro, a vítima foi Selma Carneiro Vieira, 35 anos. Acompanhada do marido, ela atravessava a rodovia no km 1,8, quando foi atingida por uma Montana com placas de Curitiba. A mulher chegou a ser atendida pelos Bombeiros, mas não resistiu e morreu no local.

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Em 8 de abril, um motociclista de 50 anos morreu depois de colidir contra um carro. Em 1° de maio, Um jovem de 23 anos morreu após perder o controle do Gol que dirigia e bater contra um poste na rodovia, próximo ao bairro do Cacupé. No mesmo dia, a jovem Rafaela Saraiva, 17, morreu após ficar 15 dias em coma, depois de ser atropelada na SC-401, quando caminhava no acostamento com amigos na noite do dia 17 de abril.

 Em 8 de maio, Teresa Camilly de Quadros, 30 anos, estava caminhando pelo acostamento da rodovia quando foi atingida por um veículo e morreu na hora. Em 14 de julho, depois de ficar internado por três meses em estado grave após ser atropelado na noite de 3 de abril na SC-401, o motociclista Rodrigo Espinosa morreu em um hospital da Capital.

Algumas das reivindicações dos manifestantes

(1) Aumento da fiscalização da Lei Seca, em especial aos finais de semana, e ações necessárias para o cumprimento deste objetivo;

(2) Redução das velocidades máximas permitidas;

(3) Fiscalização contínua de velocidade na via;

(4) Apresentação urgente de projeto cicloviário para a rodovia, com plano de execução e cronograma definido;

(5) Iluminação, sinalização vertical e horizontal e proteção dos trechos mais perigosos da SC-401;

(6) Implantação de um sistema integrado de vigilância ao longo de toda a extensão da SC-401;

(7) Implantação de travessias seguras e acessíveis ao longo da SC-401 em todo lugar em que houver fluxo de pedestres;

(8) Reformar e/ou construir o acostamento nos trechos em que estes se mostram precários, ausentes ou insuficientes, incluindo também a limpeza de detritos que neles se acumulam;

(9) criar uma comissão de diálogo permanente, contando com a presença de membros da sociedade civil, incluindo ciclistas, a fim de acompanhar a execução das medidas planejadas e das obras e ações projetadas;

(10) incluir nas provas do Detran/SC para tirar ou renovar a carteira de habilitação, questões relativas ao trânsito de bicicletas previstas no CTB.

 
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