Defesa de PM acusado de participar da morte de advogado em Palhoça contesta laudo do IGP - Polícia - Hora

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Morte natural21/07/2016 | 17h55Atualizada em 21/07/2016 | 18h14

Defesa de PM acusado de participar da morte de advogado em Palhoça contesta laudo do IGP

Foi contratado outro perito que afirma que Roberto Caldart não morreu em decorrência do soco desferido pelo policial

Defesa de PM acusado de participar da morte de advogado em Palhoça contesta laudo do IGP Facebook/Reprodução
Foto: Facebook / Reprodução

Um parecer forense assinado pelo médico legista Zulmar Vieira Coutinho, perito aposentado do Instituto Médico Legal (IML), contesta a versão de que o advogado Roberto Caldart, 42 anos, morreu por asfixia após levar um soco no pescoço. O documento, anexado ao processo pela defesa do policial militar Jairo Lima Júnior – acusado de desferir o golpe em Roberto -, conclui como "natural" por "insuficiência coronariana aguda" a causa da morte do advogado, em 24 de maio, na Barra do Aririú, em Palhoça.

Em 13 páginas, Zulmar, professor de medicina legal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), faz uma análise técnica e científica dos depoimentos, imagens, gravações, estudo do local do crime, dos exames complementares e do laudo de exame cadavérico, entre outros.

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O médico Zulmar considera, antes de concluir o parecer, protocolado ao processo em 12 de julho, que há, entre outros, inconsistências nos depoimentos; inconsistência da discussão técnica para excluir a insuficiência coronariana aguda, sem analisar mais profundamente o histórico mórbido pregresso do falecido; negativa de agressão do suposto agressor do segundo soco (depoimentos dizem que o advogado teria levado dois socos) e inconsistência da discussão técnica para excluir a insuficiência coronariana aguda, considerando o resultado anatomopatológico.

Em seguida, Zulmar conclui "pelo distanciamento da tese do perito médico legista oficial de causa médica e jurídica de óbito violento decorrente do "soco" e me aproximo da tese de óbito natural por insuficiência coronariana aguda".

Promotor afirma que parecer será analisado

A reportagem da Hora conversou com o promotor Márcio Conti Júnior nesta quinta-feira e ao falar sobre o parecer assinado pelo médico legista Zulmar, ouviu do titular da 7° Promotoria de Justiça de Palhoça, que o documento apresentado como prova pela defesa só será apreciado pela Justiça dentro de aproximadamente dois meses. 

— É um documento com credibilidade, mas que não interfere no processo nesta fase. A defesa, assim como arrola testemunhas, também junta provas. E tanto as oitivas das testemunhas, como a análise desse parecer, serão avaliadas mais à frente no processo — explicou.

Laudo do IGP fala em parada cardíaca após soco no pescoço da vítima

Asfixia ocasionada por uma parada cardíaca após um golpe no pescoço foi o que provocou a morte do advogado Roberto, de acordo com o laudo apresentado em junho pelo diretor do Instituto Geral de Perícias (IGP), Miguel Colzani, e o diretor do Instituto Médico Legal (IML), perito médico legista Rodinei Cássio Bricki Tenorio. O perito Rodinei, na época da divulgação do laudo, em 1° de junho, explicou que a conclusão do documento foi resultado da união de uma série de exames médicos com as informações levantadas por policiais junto a testemunhas.

O laudo apontou, ainda, que o corpo de Roberto não apresentava sinais de espancamentos, sem registro de fraturas. A única lesão externa era uma escoriação no cotovelo esquerdo. A vítima também apresentava as unhas escurecidas, o que seria um indicativo de asfixia, diz o laudo. Os exames do IGP ainda indicaram que não se tratava de um caso de infarto e que a vítima não havia consumido álcool, nem medicamentos ou drogas.

O crime

Roberto Luís Caldart foi morto na tarde de 24 de maio, em uma propriedade na Barra do Aririú, em Palhoça, durante uma briga generalizada que ocorreu enquanto ele defendia clientes de uma falsa reintegração de posse exigida pelo empresário Rubi de Freitas, que teria levado para o local cinco policiais militares e o segurança particular Juliano Cléberson de Campos.

Na semana passada, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC), através da 4° Câmara Criminal, concedeu habeas corpus e determinou que fossem soltos o empresário Rubi de Freitas e o segurança particular Juliano. Nesta quinta, a mesma câmara concedeu habeas corpus e determinou que fossem soltos os policiais militares Gilberto Apolinário, Fabiano Roberto Vieira, Lucas Ricardo da Silva, Jairo Lima Júnior e Vanderlei Bento da Costa, também acusados de participar da morte do advogado Roberto. 

 
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