Eleição para a presidência da Câmara ocorre em meio a racha da base aliada  - Polícia - Hora

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Dia decisivo13/07/2016 | 03h01Atualizada em 13/07/2016 | 04h03

Eleição para a presidência da Câmara ocorre em meio a racha da base aliada 

Pelo menos 15 candidatos anunciam que vão concorrer ao mandato-tampão, que será votado nesta quarta-feira, a partir das 16h

A eleição à presidência da Câmara, decisiva para o futuro do governo interino de Michel Temer, ocorrerá nesta quarta-feira, às 16h, em meio a um racha na base aliada e esforços do Planalto para reduzir o número de concorrentes.

Candidatos vão concorrer ao mandato-tampão deixado pela renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao cargo Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

O lançamento da candidatura do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), ex-ministro de Dilma Rousseff, como representante da bancada do PMDB dificultou ainda mais essa missão e aumentou a probabilidade de que a escolha seja definida apenas em segundo turno.

Até o começo da noite de terça-feira, nada menos que 15 candidatos haviam anunciado que concorreriam ao mandato-tampão deixado pela renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao cargo — destes, apenas Luiza Erundina (PSOL-SP) faz oposição abertamente ao governo federal. A profusão de postulantes marca a divisão no grupo de sustentação a Temer, que apoia discretamente o representante do centrão, Rogério Rosso (PSD-DF), e buscava uma disputa com poucos nomes para não estremecer a coesão da base.

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A decisão do próprio PMDB de contrariar essa expectativa e lançar Castro, embora tenha sido mencionada por Temer ontem como prova da "isenção" do governo em relação ao processo, teria incomodado o peemedebista pela proximidade do ex-ministro com petistas e por marcar um racha com o centrão. A eleição é prioritária para o Planalto, mesmo que o mandato do sucessor de Cunha vá se encerrar já em fevereiro de 2017, em razão do poder do presidente da Casa de facilitar ou dificultar a aprovação de projetos.

Como Temer terá no máximo mais dois anos e meio de governo, precisará de um aliado confiável no comando da Câmara a fim de colocar em votação rapidamente suas propostas prioritárias. O ideal é que esse nome seja fiel ao governo, mas não um desafeto de Cunha — considerado homem-bomba político em Brasília pelo que pode saber a respeito de esquemas de corrupção.

Rosso, o preferido do Planalto, presidiu a comissão de impeachment de Dilma com apoio de Cunha. A pulverização de nomes também indica a falta de uma grande liderança na atual legislatura na Câmara.

— É mais um sintoma dessa legislatura, que nunca teve um líder muito claro. Cada vez mais, assistimos ao surgimento de vários grupos com pequenos líderes. Agora, temos uma corrida para ver quem consegue se constituir como líder e promover o crescimento de seu grupo político na Câmara — analisa o cientista político e professor da UFRGS Gustavo Grohmann.

O centrão é a bancada informal que concentra maior poder de fogo, com pouco mais de 200 votos. Outra combinação partidária, chamada de "antiga oposição" (PSDB, PSB, DEM e PPS), concorre com Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG). Outra força da Câmara, a bancada petista deverá apoiar Marcelo Castro.

OS CANDIDATOS

Rogério Rosso (PSD-DF) - É o candidato preferencial do centrão, grupo de parlamentares de menor expressão articulado por Eduardo Cunha. Era próximo do ex-presidente da Casa, embora negue que fosse "aliado" de Cunha. Conta com o apoio discreto do governo federal.

Marcelo Castro (PMDB-PI) - Foi escolhido pelo PMDB para representar a bancada do partido na eleição à presidência da Câmara. Ex-ministro da Saúde de Dilma Rousseff, deverá receber apoio do PT. Sua indicação teria desagradado a Temer e ampliou o racha na base aliada.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Um dos favoritos na eleição, ao lado de Rogério Rosso (PSD-DF), deverá disputar com Júlio Delgado (PSB-MG) a preferência dos deputados da chamada antiga oposição — PSDB, DEM, PPS e PSB. Poderia receber apoio do PT em eventual segundo turno com Rosso.

Luiza Erundina (PSOL-SP) - Principal candidata da oposição, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita de São Paulo, em 1988, ainda pelo PT. Promete, caso eleita, uma gestão "sem compromisso" com o governo interino de Michel Temer.

Júlio Delgado (PSB-MG)* - Foi um dos principais adversários de Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara. Delgado disputou a eleição à presidência da Casa que acabou vencida por Cunha, em 2015. Venceu Heráclito Fortes para representar o PSB na disputa.

*O nome do deputado ainda não constava na lista oficial de candidatos até o início da noite de ontem, mas já havia anunciado publicamente sua candidatura.

OUTROS

Fausto Pinato (PP-SP) - Advogado, 39 anos, está em seu primeiro mandato.

Carlos Gaguim (PTN-TO) - Foi eleito governador do Tocantins pela Assembleia após o TSE cassar o governador e o vice-governador, em 2009. Aos 55 anos, está no primeiro mandato.

Carlos Manato (SD-ES) - Atual corregedor da Câmara, em seu quarto mandato, o médico de 58 anos também já ocupou cargos de suplente na Mesa Diretora.

Fernando Giacobo (PR-PR) - Eleito deputado federal pela primeira vez em 2002, e reeleito quatro anos mais tarde, é o atual segundo vice-presidente da Câmara.

Fabio Ramalho (PMDB-MG) - Empresário, no terceiro mandato consecutivo, disputou e perdeu a indicação do PMDB para a presidência da Câmara.

Cristiane Brasil (PTB-RJ) - Em seu primeiro mandato na Câmara, é advogada e filha do ex-deputado Roberto Jefferson. É do baixo clero.

Evair Vieira de Melo (PV-ES) - Vice-líder do Partido Verde na Casa, o administrador de empresas está em seu primeiro mandato como deputado federal.

Beto Mansur (PRB-SP) - Empresário, exerce o quinto mandato como deputado federal.

Esperidião Amin (PP-SC) - Está no terceiro mandato na Câmara. O advogado já foi governador de Santa Catarina e duas vezes prefeito de Florianópolis (SC).

Miro Teixeira (Rede-RJ) - Jornalista e advogado, é o decano da Câmara.

OS PRINCIPAIS GRUPOS

Confira os blocos ou partidos que deverão ter maior peso na escolha do próximo presidente da Câmara

Centrão - 217 votos
Articulado pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o chamado centrão reúne parlamentares de partidos como PP, PR, PSD, PTB e PRB e outros de menor expressão. Conta com uma maioria de deputados do "baixo clero", ou seja, sem grande relevância nacional, e luta para manter a influência no comando da Casa. O deputado Rogério Rosso (PSD/DF), ligado a Eduardo Cunha, é o principal representante.

Antiga oposição - 120 votos
O bloco informal formado por PSDB, PSB, DEM, PPS deverá ser disputado por Rodrigo Maia, um dos candidatos mais fortes ao cargo ao lado de Rogério Rosso, e, correndo por fora, Júlio Delgado (PSB/MG) — que superou o correligionário Heráclito Fortes em uma eleição interna e ganhou a indicação do PSB. Articulações tentam fazer Delgado desistir de concorrer, o que aumentaria as chances de Maia ir para o segundo turno.

PMDB - 66 votos
O Planalto sonhava com uma eleição com poucos candidatos que se resolvesse no primeiro turno e não provocasse rupturas na base aliada. A pulverização de candidatos, porém, fez com que o próprio partido do presidente interino indicasse o ex-ministro da Saúde de Dilma, Marcelo Castro (PMDB/PI), para concorrer. A decisão teria desagradado Temer. Castro deverá contar com apoio dos parlamentares petistas.

PT - 58 votos
O partido chegou a ser cortejado por Rodrigo Maia, mas o partido decidiu não apoiá-lo em uma reunião realizada na segunda-feira. Os deputados petistas deverão apoiar Marcelo Castro, ex-ministro de Dilma que votou contra o impeachment. Um eventual apoio a Maia não está descartado no segundo turno, caso concorra contra Rogério Rosso, porque a prioridade do partido é evitar que alguém próximo a Eduardo Cunha assuma a Câmara.

Outros - 52 votos

O QUE ESTÁ EM JOGO
Veja por que a presidência da Câmara é alvo de tanto interesse

Importância política
O presidente da Câmara dos Deputados é uma figura-chave da República pela prerrogativa de definir a ordem e o momento em que serão votados projetos. Eduardo Cunha desgastou a gestão de Dilma Rousseff, por exemplo, ao colocar em votação a chamada "pauta-bomba" que ampliava os gastos do governo. Já um deputado simpático aos interesses do governo pode facilitar a aprovação de propostas prioritárias. Essa função confere ao parlamentar uma grande influência política. Além disso, é o responsável por admitir processos de impeachment.

Peso administrativo
O sucessor de Eduardo Cunha administrará um orçamento e um quadro funcional de fazer inveja a qualquer prefeito. O orçamento anual da Casa chega a cerca de R$ 5,2 bilhões — o equivalente às despesas do município de Porto Alegre ao longo de 2015, por exemplo. Além disso, o eleito comandará um contingente de 3,2 mil servidores efetivos.

Regalias pessoais
As benesses ao presidente da Casa incluem:
- Carro oficial.
- Gabinete exclusivo com vista para a Praça dos Três Poderes.
- Residência oficial com 800 metros de área construída (quatro vezes mais do que os apartamentos funcionais de um deputado comum) em uma das áreas mais nobres de Brasília e com direito a piscina.
- O parlamentar pode, ainda, viajar em aviões da FAB e contratar até 47 funcionários para auxiliá-lo no cargo.

 
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