Sem efetivo, PM não sabe o que fazer com prédio no Itacorubi, em Florianópolis - Polícia - Hora

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Faltam policiais16/07/2016 | 14h00Atualizada em 16/07/2016 | 15h49

Sem efetivo, PM não sabe o que fazer com prédio no Itacorubi, em Florianópolis

Estrutura foi construída para servir como base da polícia, mas não tem previsão de ser aberta, apesar dos pedidos da comunidade

Sem efetivo, PM não sabe o que fazer com prédio no Itacorubi, em Florianópolis Google maps/2015/Reprodução
Foto: Google maps/2015 / Reprodução

O futuro de um prédio de 210 metros quadrados, pronto desde dezembro de 2014 e localizado em área nobre do bairro Itacorubi, em Florianópolis, segue indefinido. Planejado inicialmente para ser uma central de videomonitoramento da Polícia Militar, a edificação passou por readequações elétricas e hidráulicas antes de ser entregue em definitivo à corporação, depois de ser doado pela Prefeitura de Florianópolis em 2012. Reivindicação de moradores e do Conseg (Conselho de Segurança) da Bacia do Itacorubi, a implantação de uma base operacional da PM no local não deve sair do papel. O motivo, conhecido do povo da Grande Florianópolis, é o efetivo policial escasso, que não daria conta de atender à base e às ruas.

Em maio, em uma reunião do Conseg com a presença de representantes da PM, moradores do bairro entregaram um abaixo-assinado com mais de 2 mil assinaturas pedindo melhor iluminação, mais rondas policiais à noite e de madrugada e a construção de um posto policial no bairro, inclusive lembrando que já havia um local para isso, o imóvel de dois andares que fica na esquina da rodovia Amaro Antônio Vieira com a Servidão das Palmeiras, a poucos metros da rodovia Admar Gonzaga, em área estratégica da região. 

Para o pedreiro Jaciel Andrade, 32 anos, seria ótimo contar com um posto policial no bairro, porém, ressalta, a unidade precisa ter policiais para trabalhar.

— Não pode ficar que nem o posto do Parque São Jorge, que fica quase sempre abandonado. Se vão fazer, tem que ser ocupada por PMs — cobra.

Opinião semelhante tem o aposentado Paulo Kother, 62 anos, que cita "a sensação de segurança" como um fator que uma base da PM levaria à comunidade. 

A avaliação da corporação é de que não adianta montar um posto policial e "colocar apenas um PM" lá. Devido ao efetivo aquém do necessário, observa a assessoria de imprensa da instituição, seria preciso ao menos nove policiais para atuar na unidade. Isso representaria três viaturas a menos nas ruas, destaca a PM. 

Dessa forma, o comando da corporação ainda estuda como aproveitará o prédio que foi fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) e a Construtora Fontana, que se comprometeu a construir a edificação depois que outro empreendimento da empresa, também no Itacorubi, foi alvo de um inquérito civil público. 

O promotor Rogério Selligman, da 28° Promotoria de Justiça, que foi o responsável por mediar o TAC, explica que foram feitos dois termos de cessão de uso do terreno para a PM. O primeiro deles dizia que o terreno estava destinado para a construção de uma central de videomonitoramento, mas como a PM pediu adequações no prédio e ainda estuda o que fazer, a Prefeitura de Florianópolis baixou um novo decreto. O documento foi publicado em 9 de junho deste ano, definindo como finalidade de uso do espaço a implantação de uma unidade da PM, porém sem especificar o que funcionará no local.

Pedido também em Santo Antônio de Lisboa

Outra região de Florianópolis que clama por mais segurança é Santo Antônio de Lisboa, norte da Ilha. Em 7 de julho, era para acontecer no bairro uma audiência pública convocada pelo vereador Ricardo Vieira, mas como não apareceu nenhum representante da Polícia Militar, o encontro foi cancelado e remarcado para o dia 8 de agosto. Desativado desde 2014, o posto do bairro foi fechado por conta da falta de estrutura. 

Na época, o então comandante Fábio Matos de Melo afirmou à Hora que o prédio não permitia o atendimento adequado à população. A mudança desagradou o povo que, por meio do Conselho de Segurança (Conseg) pediu ao comando para reativar o local. Hoje, o próprio presidente do Conseg do bairro, Adriano Ribeiro, apesar da esperança, pouco acredita que o posto policial possa ser reativado.

— A polícia diz que não tem efetivo, o problema é que nossa insegurança aumentou muito desde que o posto foi fechado, aumentaram os roubos e furtos após as 18h — reclama.

A reportagem tentou conversar com o tenente-coronel José Nunes Vieira, comandante do 21° Batalhão, que abrange Santo Antônio de Lisboa, mas ele não foi localizado. Em matéria publicada no mês de maio deste ano sobre o assunto, o capitão Diego Machado, do 21º BPM, explicou que a reabertura não está no planejamento da instituição.

— Se a gente pudesse, reabriria todos os postos. Mas continuamos trabalhando lá com barreiras, com uma viatura diária, as bike-patrulhas, participando ativamente do Conseg. Nós temos atendido plenamente aquela localidade dentro das nossas possibilidades — explicou o oficial.

 
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