Sob forte esquema de segurança, inicia audiência com acusados de cometerem atentados em SC - Polícia - Hora

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Organização criminosa27/07/2016 | 09h19Atualizada em 27/07/2016 | 10h37

Sob forte esquema de segurança, inicia audiência com acusados de cometerem atentados em SC

Transporte dos detentos foi feita em operação durante a madrugada e começo da manhã desta quarta-feira

Sob forte esquema de segurança, inicia audiência com acusados de cometerem atentados em SC Felipe Carneiro/Agencia RBS
Somente pessoas envolvidas com os trabalhos são autorizadas a acompanhar a audiência Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

A Justiça começou a ouvir às 9 horas desta quarta-feira as testemunhas de acusação do processo que envolve 62 réus acusados de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A audiência ocorre no auditório do Tribunal do Júri, no fórum central de Florianópolis, e apura fatos ligados à quarta onda de atentados no Estado, ocorridos entre os meses de setembro e outubro de 2014.

Promotor afirma que 35 mandantes dos atentados estavam em prisões federais

Como mais de 40 acusados acompanham a sessão, um forte esquema de segurança foi colocado em prática ainda durante a madrugada para garantir a realização dos trabalhos. Só o Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap) mobilizou 36 viaturas e 130 agentes penitenciários para a escolta dos detentos na chamada Operação Guardião, planejada há aproximadamente um mês.

Presos acompanham audiência sob vigilância permanente Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Policiais civis e militares também reforçam a segurança em grande número dentro e nos arredores do fórum. Somente pessoas diretamente envolvidas com os trabalhados são autorizadas na audiência.

Os presos foram distribuídos entre os assentos do Tribunal do Júri — todos algemados e com marca-passos nos pés — e estão sob vigilância permanente de agentes e policiais em todos os espaços do auditório.Dentre os réus acusados no processo estão pelo menos 15 detentos considerados de alta periculosidade, que atualmente ficam reclusos em penitenciárias federais e acompanham a audiência por videoconferência.

Ministério Público denuncia 62 pessoas envolvidas em atentados em SC

 A expectativa é de que as atividades continuem até o final da tarde desta quarta-feira e tenham sequência na próxima quinta. Serão ouvidas apenas as 13 testemunhas listadas pelo Ministério Público. As testemunhas de defesa e os réus serão ouvidos em outra datas.Entre os réus ligados ao processo há nomes já julgados e condenados por envolvimento em atentados anteriores, mas que teriam voltado a agir em incêndios e outras ações coordenadas nos períodos seguintes - em 2014, a Justiça catarinense sentenciou 80 acusados a penas que, somadas, alcançavam 1.049 anos de prisão.

"O objetivo é enfraquecer a organização"

O promotor Wilson Paulo de Mendonça Neto, que representa o Ministério Público na audiência, comentou as expectativas da acusação instantes antes da sessão.

Qual o objetivo da audiência?

-O objetivo da audiência é ouvir 13 testemunhas visando angariar dados das pessoas que integram a organização criminosa. As testemunhas são policiais, agentes, delegados que trabalharam na investigação, nas interceptações, no trabalho em campo e conseguiram identificar as células que atuam na organização.

Com essas prisões, é possível desarticular as organizações?

-O objetivo da denúncia é desarticular, mas sempre surgem novos líderes. Eles vão mudando e continuando a atuação da organização, mas o nosso objetivo é enfraquecer a organização.

De que forma o MP classifica os envolvidos?

-São grupos. Tem um grupo que ordenou os ataques. Outra parte do pessoal trabalhou nos ataques, além de uma terceira parte que mantinha a comunicação entre os presos e as pessoas de fora. Todos integram a organização. Existe uma hierarquia, um estatuto. As ordens são repassadas pelo grupo de cima para as pessoas que estão embaixo. Há o primeiro e segundo ministérios, depois os sintonias e os disciplinas. Essas ordens, então, acabam sendo executadas. 



"É preciso respeitar a presunção da inocência"


A defensora pública Fernanda Mambrini Rudolfo representa cerca de 40 réus presos na audiência. Na avaliação da defensora, não cabe à defesa comprovar a inocência dos envolvidos, mas sim ao Ministério Público comprovar as acusações.

De que forma a Defensoria Pública pode defender os réus neste momento?

-É preciso respeitar a presunção de inocência. Cabe ao Ministério Público comprovar as acusações mencionadas na denúncia. Se as testemunhas não confirmarem o que é alegado pela acusação, não é a defesa que precisará comprovar a inocência.

A defesa apontará falhas na investigação, por exemplo?

-Podemos apontar eventuais falhas, acusações genéricas. Mas é preciso que cada situação mencionada na denúncia fique comprovada.

Colaborou Ânderson Silva


 
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