Vizinho Solidário chega ao comércio de Barreiros, em São José - Polícia - Hora

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Segurança25/07/2016 | 06h31Atualizada em 25/07/2016 | 06h31

Vizinho Solidário chega ao comércio de Barreiros, em São José

Polícia Militar, Aemflo e CDL implantaram projeto entre os comerciantes da Rua Leoberto Leal, ajudando na prevenção de assaltos

Vizinho Solidário chega ao comércio de Barreiros, em São José Leo Munhoz/Agencia RBS
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

A comerciante Terezinha Reingel Ferreira, da Avenida Leoberto Leal, no bairro Barreiros em São José, adotou uma medida que não gosta muito, mas acredita que evita um problema maior. A partir das 18h, ela passa a chave no seu comércio e só entra quem bater na porta. Ela trabalha até às 19h e se diz um pouco assustada com a violência.

— Fomos orientados a chavear durante o dia, mas não tem como. Vai que estamos atendendo um cliente e outro bate na porta e não vemos? Perdemos o cliente — deduz a comerciante.

Esse medo, principalmente por conta dos últimos assaltos que ocorreram na rua (numa ótica e numa loja de móveis e eletrodomésticos), é facilmente compartilhado por demais comerciantes. Mauro Meinchein, por exemplo, evita ter muito dinheiro no caixa de seu negócio. Mas algumas notas, ele se sente obrigado a deixar.

— Melhor ter alguma coisa para eles levarem do que sofrer algum tipo de agressão — avalia.

Esta sensação de insegurança, aos poucos, vai sendo combatida com o apoio do projeto Vizinho Solidário – comum nos bairros e comunidades – e que foi levado pela Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (Aemflo) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São José, em parceria com a Polícia Militar, até os lojistas da Avenida Leoberto Leal.

Rede de informação

O Vizinho Solidário é um grupo do aplicativo Whatsapp, no qual moradores ou comerciantes alertam uns aos outros sobre pessoas suspeitas e demais crimes na região. O grupo foi criado há dois meses. Nele, além de cerca de 80 comerciantes, há policiais participando. Em caso de uma emergência, esses policiais avisam as viaturas que se deslocam até o local do crime.

— É muito interessante a aplicação do projeto entre os lojistas. Tem pessoas, como trabalhadores de padaria que chegam às 3h, que já ficam de olho na movimentação e avisam via Whats. Assim como os comércios que ficam até tarde, e que também avisam — explicou o subcomandante da PM em São José, major Bona Portão.

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Assalto e bandido preso

No dia 12 de julho, por exemplo, uma relojoaria e ótica foi assaltada. Os funcionários se esconderam do bandido — que estava armado de uma faca — no banheiro e, pelo grupo de Whatsapp, avisaram a PM e os demais comerciantes do fato. A polícia conseguiu capturar o assaltante e reaver os produtos roubados.

_ A gente precisa se proteger e está tendo uma união, uma integração maior com os comerciantes. Cuidado um com o outro — observou o dono da relojoaria e ótica, que pediu para não ser identificado.

O assaltante, no entanto, contaram os funcionários da ótica, foi solto e já foi visto por eles nas ruas, o que trouxe ainda mais insegurança.

— Nós ficamos presos, com medo, e eles soltos. É muito complicado — lamenta a funcionária.

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Manual do Vizinho Solidário

O próximo passo, conta o presidente do CDL, Marcos Souza, é criar um manual do uso correto do Vizinho Solidário. Isso para salientar que se poste apenas assuntos de segurança (e não correntes) e não esquecer que o aplicativo do celular não substitui a ligação ao 190 – canal oficial da Polícia Militar para emergências e denúncias.

— A ideia que o grupo esteja interligado com a Central de Monitoramento de São José. Ter policiais militares e civis no grupo — conta.

Estratégia em Prevenção

O major Bona Portão explica que o Vizinho Solidário é uma estratégia de prevenção. Com o interesse da Associação e do CDL, a polícia realizou três palestras de sensibilização com comerciantes. Além disso, um efetivo policial tem visitados os estabelecimentos na Leoberto Leal para apurar casos de roubos ou arrombamentos, e para dar dicas de segurança. Atualmente, 80 policiais atuam na região central.

Nesse questionário, os guardas perguntam aos lojistas se o comércio já foi vítima de algum crime, se o registro foi feito com as polícias e quando ocorreu.

— Muitas pessoas falam que foram vítimas, mas há cinco, seis anos atrás. Dados estatísticos nos mostram que a Avenida Leoberto Leal é um local tranquilo. Precisamos fazer um resgate cronológico e medir essa sensação de insegurança — detalhou o Major.

Dicas aos comerciantes

O major Bona Portão dá algumas dicas de segurança aos comércios para evitar a ação de bandidos e como reagir após um crime.

1) Quanto mais vigilância, melhor: uso de câmeras de monitoramento, por exemplo, pode inibir a ação dos bandidos. É importante colocá-las em pontos estratégicos da loja e que não prejudiquem a identificação de quem entrar com boné ou capacete;

2) Controle de acesso na entrada e saída do comércio. O uso de algum tipo de contenção, como uma catraca, por exemplo, pode ajudar;

3) Cuidado com prateleiras. Se houver prateleiras muito altas, deixar o móvel no interior da loja, de uma maneira que não crie um ponto cego;

4) As gôndolas da prateleira também não devem ter fundo opaco;

5) Deixar o caixa no meio da loja – nem no interior, nem perto da porta;

6) A gaveta do caixa, onde fica o dinheiro, deve estar em uma posição que o cliente não consiga ver a quantidade de notas;

7) Deixar o ambiente sempre limpo e bem cuidado. Mostrar que tem alguém ali que se importa com o local. ¿As pessoas não costumam respeitar algo desleixado¿, observa o major.

8) Em caso de assalto, não reagir.

9) Assim que o crime ocorrer, ligue diretamente para a PM no 190
. Mesmo em caso de arrombamentos, a polícia precisa ser avisada. É com base nestes dados estatísticos que a PM avalia se um local é perigoso ou não, se precisa de mais rondas ou de mais policiais na rua.

10) Faça o boletim de ocorrência na Polícia Civil. 

 
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