"Ele mandou eu escolher se matava eu ou meu filho", conta vítima de assalto em São José - Polícia - Hora

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Segurança15/08/2016 | 16h41Atualizada em 15/08/2016 | 16h52

"Ele mandou eu escolher se matava eu ou meu filho", conta vítima de assalto em São José

Homem precisou empurrar o carro com o filho dentro

"Ele mandou eu escolher se matava eu ou meu filho", conta vítima de assalto em São José Reprodução/Câmera de Segurança
Foto: Reprodução / Câmera de Segurança

O motorista de caminhão de 44 anos, que prefere não se identificar, e seu filho de 15 anos, passaram mais de uma hora como reféns de Vitor Hugo Sanchez Junior, 23 anos, que terminou morto pela Polícia Militar após realizar uma série de assaltos que começaram durante a madrugada desta segunda-feira na Trindade, em Florianópolis, e terminaram em São José, no início da manhã. Em uma das ações, o suspeito fez reféns pai e filho que chegavam para trabalhar no bairro Roçado.

Sequência de assaltos termina com suspeito morto em São José

O homem conta que acordou às 2h para trabalhar, como de costume, e nesta madrugada pediu ajuda do filho para carregar o caminhão com mercadorias na distribuidora em que trabalha, pois estava sem assistente. Quando chegavam no local foram rendidos por Sanchez Junior, que levou o adolescente no carro que havia roubado momentos antes e fez com que o pai o seguisse, até bater o veículo e passar a dirigir o carro da vítima com pai e filho dentro. 

Os dois passaram por momentos de tensão, principalmente quando pararam em um posto de gasolina para abastecer e acharam que poderiam escapar. 

Confira a entrevista:

Como tudo aconteceu?

Quando eu encostei o carro na frente da empresa eu já vi um homem de moto de longe, mas não desconfiei. Pedi pro meu filho entrar e pegar a chave do caminhão. Quando chegou veio o outro em um Ônix, parou do meu lado e falou que era um assalto. Na hora ele pegou meu celular, mandou meu filho entrar no carro e eu seguir eles no meu carro. Primeiro ele parou no mercado. Depois fomos para a Avenida das Torres, ele disse que ia simular que a gente tinha batido o carro para roubar outro carro maior, mas acho que ficou nervoso e bateu o carro que ele dirigia em um poste e depois não ligou mais. Ele mandou eu sair do meu, e escolher se eu queria morreu ou meu filho. Nessa hora eu me desesperei, pedi pelo amor de Deus para ele não matar meu filho, mas ele só gritava, ficava falando para eu chamar ele de vagabundo, que era só o que ele precisava para estourar minha cabeça.

O senhor pensou em fugir quando parou no posto?

A gente entrou de novo no carro, mas a gasolina já estava acabando e ele disse que ia parar no posto para abastecer, que era pra gente agir normal senão iria nos matar. Ele foi dirigindo com a arma na mão, meu filho no banco da frente e eu atrás. No posto ele ainda pediu pro frentista comprar cigarro, mas na hora que foi ligar o carro a bateria não funcionou, porque eu não uso muito o carro, tava desligado há uma semana, daí acontece isso. Nessa hora ele mandou eu descer para empurrar, o frentista veio ajudar e eu apertei e mão dele, falei baixo que estava acontecendo um assalto e pedi para ele chamar a polícia. Voltei pro carro porque não ia deixar meu filho sozinho e ele foi dirigindo até parar em uma padaria em Areias.

Haviam mais pessoas na padaria?

Assim que a gente parou lá, ele mandou meu guri pular o muro, eu esperar no carro e depois entrou também. Já tinham vários funcionários na padaria. Eles saíram com uma televisão e outras coisas. Quando uma vizinha passou, eu pedi socorro. A polícia chegou com umas quatro viaturas e eu comecei a gritar, pois fiquei com medo que eles entrassem e pensassem que meu filho era ladrão também. Gritei que ele estava com uma camisa amarela, e por sorte o dono da padaria percebeu que meu filho não era ladrão e correu com ele e os funcionário para dentro de um banheiro quando a polícia entrou. Eu ouvi os tiros do lado de fora e só acalmei quando vi que meu filho estava bem. Toda hora eu só pensava nele. Quando a gente estava no carro ele perguntou onde eu morava, se eu tinha esposa e filha que iria lá roubar minha casa e estuprar minha filha. Ele perguntou quanto eu ganhava de salário, disse que eu era uma vergonha, que trabalha o mês todo para ganhar uma miséria, que meu salário ele ganhava em uma hora. 

Como fica o pensamento agora?

A gente sempre ouve histórias de assaltos, mas nunca pensei que poderia acontecer uma coisa dessas comigo, ainda mais com meu filho junto. A gente que é trabalhador, luta para conseguir as coisas, eu só dizia para ele "pode levar esse carro, só deixa a gente ir". Graças a Deus que conseguimos escapar, agora é tentar seguir a vida.

 
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