Entenda como Santa Catarina figurava na rede do tráfico de drogas sintéticas - Polícia - Hora

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Operação Reflexo24/08/2016 | 16h58Atualizada em 24/08/2016 | 17h27

Entenda como Santa Catarina figurava na rede do tráfico de drogas sintéticas

Balneário Camboriú era ponto de distribuição de entorpecentes em esquema desvendado pela Polícia Civil

Entenda como Santa Catarina figurava na rede do tráfico de drogas sintéticas Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Mapa da Polícia Civil do RS mostra como funcionava a rede investigada na Operação Reflexo Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O protagonismo de Santa Catarina na venda de drogas sintéticas teve uma nova demonstração de força nesta quarta-feira. Com origem em Porto Alegre, a Operação Reflexo, desencadeada pela Polícia Civil, atacou diretamente uma rede de distribuição e venda de entorpecentes que atuava em cinco Estados brasileiros.

A grande procura pelos produtos por conta de festas e do grande número de visitantes no fim do ano contribui para a movimentação rotineira das drogas no Litoral catarinense. O núcleo principal do grupo, segundo apontou a investigação, ficava em Balneário Camboriú e era comandado por jovens de classe alta. Nenhum dos envolvidos teve o nome divulgado pela polícia.

Santa Catarina era o principal polo da rede de tráfico de drogas para festas

O Departamento Estadual de Investigações de Narcotráfico (Denarc) do Rio Grande do Sul investigou o grupo por 10 meses. Durante esse tempo, identificou seis líderes. Dois deles ficavam em Porto Alegre e quatro, em Santa Catarina. Os seis estão entre os 33 presos na operação, que ocorreu também no Mato Grosso do Sul, em Goiás e São Paulo.

Foram apreendidas ainda 13 armas, drogas, dinheiro e documentos falsos. Atuaram na ação das polícias civis dos cinco Estados. Em Santa Catarina, a equipe responsável foi a da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo o delegado da Deic Anselmo Cruz, as pessoas presas no Estado era ativos no tráfico:

— Os presos são indivíduos ativos nessa rede e autores do tráfico. É uma rede complexa e bem ampla — explicou Cruz.

Em um ano, PRF apreende o dobro de drogas em Santa Catarina

A atuação do bando não se limitava ao ecstasy e LSD, drogas sintéticas muito comercializadas em festas catarinenses. Também havia comércio de maconha, haxixe, maconha, skank, MDMA e quetamina, produzida e vendida apenas no Estado gaúcho. A estimativa do diretor de investigações da Denarc-RS, Mario Souza, é que o grupo tinha faturamento mensal de R$ 500 mil.

— Eles tinham uma organização de narcotraficantes bem organizadas e o carro-chefe eram as drogas sintéticas como ecstasy e LSD — explica Souza.

As drogas sintéticas especificamente chegavam a Porto Alegre por via aérea da Europa e depois eram trazidas para Balneário Camboriú, onde ficava o ponto central de distribuição. As festas eletrônicas da região era um campo fértil para a venda dos produtos.

— As festas eletrônicas são um grande mercado. Enquanto fora da festa se pagava R$ 50 pelo produto, dentro variava entre R$ 80 e R$ 100. Então era vantagem para o traficante. Infelizmente as festas acabam sendo mais atrativas — disse o delegado da Denarc-RS.

A cocaína seguida caminho semelhante. Era trazida do Paraguai para Santa Catarina e depois enviada para os Estados envolvidos no esquema. Já as sementes de skank saíram do Uruguai para o núcleo central no Litoral catarinense. Depois, por vias terrestres, as mercadorias eram levadas para os pontos de venda e consumo.

Durante os 10 meses, os agentes passaram a frequentar cidades e festas, que eram realizadas principalmente na região litorânea do RS e SC durante o período de final de ano e férias de verão. Infiltrados como frequentadores destes eventos, começaram a estabelecer contato com os principais fornecedores das drogas, identificando os valores, as substâncias que eram comercializadas em maior quantidade — ecstasy, MDMA, cocaína e LSD —, assim com os responsáveis pela distribuição.

Vida na alta sociedade

Os quatro homens considerados líderes do bando que foram presos em SC tinham um vida ativa na alta sociedade, segundo o delegado da Denarc. Souza diz que eles mantinham lojas, entre outros negócios, como fachada. Eram ativos nas redes sociais e frequentavam festas caras no Litoral catarinense.

Uma produtora de eventos de Balneário Camboriú foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão. O nome, porém, não foi divulgado e nem a relação da empresa com a rede de tráfico.

— Vimos que havia vários gaúchos e pessoas de outros Estados radicadas na cidade catarinense (Balneário Camboriú). Todos eles de grande poder econômico, mantendo boas relações com pessoas de grande cunho financeiro. Era dessa forma que estabeleciam a rede de venda das drogas — afirmou Thiago Lacerda, delegado da Denarc-RS responsável pela operação.

Santa Catarina na rota das drogas sintéticas

Os números de apreensões de drogas sintéticas em Santa Catarina desde 2013 mostram o crescimento dos produtos em circulação Estado. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de SC, nos primeiros cinco meses de 2016 foram apreendidos 47.690 micropontos e comprimidos de LSD e ecstasy. No ano passado, no mesmo período, o número foi quase três vezes menor. Já em 2014, foram menos de 10 mil produtos apreendidos nos primeiros cinco meses do ano.

Nas estradas federais, as apreensões ocorrem mais no Litoral catarinense, de acordo com o chefe da comunicação da PRF no Estado, Adriano Fiamoncini. Ele diz que a movimentação de festas e o turismo contribuem para o alto consumo na região. No entanto, os casos de apreensão são menores do que outras drogas por conta da facilidade que as drogas sintéticas têm para serem escondidas.

Para Cruz, delegado da Deic, as festas de música eletrônica são usadas como porta de entrada para a venda dos produtos:

— Santa Catarina é historicamente um entreposto de distribuição de drogas. Infelizmente é associada a música eletrônica, usada como porta de entrada. É um tipo de drogas que está associada a festas.

Souza, delegado da Denarc-RS, espera que com a Operação Reflexo o tráfico diminua. A ação, segundo ele, também foi propositalmente neste mês de agosto para quebrar o fluxo de tráfico que fica mais forte durante a temporada de verão, quando mais turistas estão em Santa Catarina.

— Se eles insistirem em montar outro esquema, vão sofrer de novo as consequências no meio do verão. Queremos prevenir, estamos prevenindo com a repressão — garante Souza.

O nome da operação

A ação policial foi batizada de Reflexo por dois motivos. Primeiro por conta da vida dupla que os envolvidos levavam, já que tinha alto da padrão de vida e ao mesmo tempo atuavam no tráfico de drogas. O segundo motivo é que o crime se refletia em outros Estado brasileiros, assim como a atuação dos policiais se propagou da mesma forma.

 
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