Filho reencontrará a mãe biológica após 49 anos - Polícia - Hora

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Por um abraço e um beijo26/08/2016 | 06h15Atualizada em 30/08/2016 | 19h36

Filho reencontrará a mãe biológica após 49 anos

História de adoção e busca familiar mobiliza a internet e policiais de dois Estados, num desenrolar de sensibilidade, emoção e alegria.

Filho reencontrará a mãe biológica após 49 anos Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Sejanes Paulinho Santin com a irmã adotiva Maria Santin Camello: felicidade e ansiedade para ver a mãe no Rio Grande do Sul Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Com a ajuda de um vídeo divulgado nas redes sociais, a dedicação de anônimos em colaborar e a técnica de policiais, um filho reencontrará a mãe biológica após 49 anos neste fim de semana. A história mobilizou famílias e agentes de dois Estados, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, num desenrolar por si só carregado de emoção e sensibilidade, mas agravado pela limitação cognitiva do homem.

Sejanes Paulinho Santin, 49 anos, é morador de São Lourenço do Oeste, em Santa Catarina,e a mãe biológica de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, cidades distantes cerca de 300 quilômetros. A irmã adotiva Maria Santin Camello, a Nina, é quem levará Sejanes ao encontro da genitora, hoje com 73 anos. Nina não esconde a expectativa para o reencontro dos dois previsto para a manhã de sábado, em Passo Fundo.

Sejanes passava as férias na casa da irmã, em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, quando falou a ela que digitasse no computador o nome da mãe biológica. Para a irmã, o ato expressou a vontade dele em conhecer a mãe, sentimento que vinha se aflorando desde a morte do pai adotivo há três anos.

Em julho, a irmã então publicou um vídeo dos dois no Facebook com a hashtag #porumabracoeumbeijo pedindo informações sobre a mãe biológica a fim de que Sejanes, que havia nascido e sido adotado ainda bebê em Passo Fundo, conseguisse encontrá-la. Em menos de um mês foram mais de 20 mil visualizações e 900 compartilhamentos.

A história também chegou ao conhecimento da investigadora Márcia Hendges, da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, em Florianópolis. A policial começou a busca pela mãe por meio da internet, dos dados do processo de adoção desarquivados pela Justiça e os sistemas de comunicação das polícias entre os dois Estados, além do Infoseg, programa com informações policiais nacionais.

Nas primeiras buscas, a policial se deparou com 16 pessoas no Brasil com o mesmo nome da mãe. Enquanto o processo de checagem acontecia, uma moradora de Passo Fundo viu o vídeo na internet e decidiu ajudar indo aos cartórios locais em busca de informações sobre a mãe de Sejanes. Ela obteve endereços e entregou à irmã, que os repassou à investigadora.

— Acionamos um colega policial de Passo Fundo, que foi a casa da família e conseguiu localizá-la. Quando a mãe viu o vídeo se emocionou bastante. Na internet tem muita coisa inverídica, mas dessa vez sem dúvida nos ajudou bastante — disse a policial comovida com o empenho popular e a luta pessoal de Sejanes.

"Ele está bem ansioso"

Entrevista: Maria Santin Camello, irmã adotiva

Há quanto tempo vinha o desejo do Sejanes em conhecer a mãe biológica?
O desejo estava há muito tempo florido dentro dele. Há uns dois, três anos ele começou a perguntar, mas desde pequeno ele sabe quem era a mãe dele.

Desde pequeno então ele (Sejanes) sabia da adoção?
Sim, ele sabia que a mãe dele era de coração, que o nome da mãe biológica era Glória do Prado, que foi adotado na Fundação Lucas de Araújo, em Passo Fundo. Sempre soube. A gente nunca escondeu dele. Aí outro dia a minha irmã estava sentada na sacada na internet, ele chegou e disse 'digita Glória do Prado'. E logo a gente começou a procurar. No começo achei pouco resultado.

Como teve a ideia de fazer e publicar o vídeo na internet?
No começo pensei em fazer no celular, mas aí chamei o Marcelo Luís, que sempre fazia a filmagem no tempo da Rede Feminina. Aí pensei 'vou pedir apoio, pedir se alguém conhece, até mesmo ela (a mãe) se visse o vídeo'. Não imaginei que em menos de um mês ia chegar a 20 mil visualizações. Uma delegada amiga de infância viu o vídeo e despertou que a gente estava atrás, quando então conheci a agente Márcia (policial). Entrou também na ajuda a Ingrid, que viu o vídeo e foi nos cartórios em Passo Fundo.

E como foi a busca?
A Ingrid achou no cartório a data de nascimento da Glória do Prado, uma senhorinha de Passo Fundo e passamos para a Márcia (policial).

Os dois já se falaram agora?
Sim, por telefone já duas vezes. Ela (mãe) tava de aniversário agora e ele deu os parabéns. Sexta-feira vamos para lá e nos encontraremos no sábado. Ele está bem ansioso para ir.

Qual é o problema cognitivo do Sejanes?
Na coordenação motora, de nascença já. Só que quando a mãe dele o entregou na adoção não sabia e nem os meus pais quando adotaram perceberam que ele é uma pessoal especial. Ele tem dificuldade para falar e se locomover, mas escuta muito bem, é fã do cantor Roberto Carlos, super inteligente, número de telefone tem todos na cabeça.


 
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