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Operação02/08/2016 | 19h03Atualizada em 02/08/2016 | 21h48

Policial da Deic e advogado são presos em investigação de extorsão

Ações foram em Balneário Camboriú e Rio do Sul e um empresário está foragido.

Policial da Deic e advogado são presos em investigação de extorsão Alvarélio Kurossu/Agencia RBS
Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

Um policial civil da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Florianópolis, e um advogado foram presos em uma operação policial que apura os crimes de extorsão, associação criminosa e concussão nas cidades de Balneário Camboriú, no litoral Norte, e Rio do Sul, no Vale do Itajaí. Um empresário que também faria parte do esquema está foragido.

As prisões foram confirmadas no começo da noite desta terça-feira em uma nota assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Artur Nitz, e divulgada pela assessoria de comunicação do governo do Estado.

As prisões decretadas pela Justiça são preventivas e os envolvidos não tiveram os nomes divulgados. O policial C.C.C., que teve apenas as iniciais reveladas na portaria administrativa de afastamento, foi preso no dia 26 de julho. Ele é agente de polícia classe 4, trabalha atualmente na Divisão de Defraudações da Deic e já atuou na Divisão de Roubos e Antissequestros da Deic, que investiga crime de extorsão no Estado.

A reportagem apurou que as suspeitas são que o agente vazaria informações de investigações e operações em andamento em razão do conhecimento do trabalho policial que tinha dentro da diretoria.

Segundo a nota oficial, após uma recente operação deflagrada pela Deic houve indiciamento do policial civil, do advogado e do empresário pelos crimes de violação de sigilo funcional, associação criminosa e concussão (exigir vantagem indevida em razão da função).

O agente da Polícia Civil está preso na sede da Deic, no Estreito. A unidade é considerada a elite da Polícia Civil e investiga os crimes complexos e de grande repercussão no Estado. O caso vinha sendo tratado de forma sigilosa pela direção da Deic e a delegacia geral da Polícia Civil, mas também chegou ao conhecimento da cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Nos últimos dias, o caso vinha tendo intensa repercussão interna no meio policial de Florianópolis.

Na Deic, as suspeitas de crimes contra o policial causaram surpresa diante do histórico dele em atuações em operações e investigações. O agente inclusive já recebeu homenagens públicas pela atuação em Santa Catarina.

A investigação foi feita por policiais da Divisão de Repressão às Organizações Criminosas (Draco) da Deic. Procurado pela reportagem na noite de terça-feira por telefone, o diretor da Deic, delegado Adriano Bini, que está em férias, disse que ainda há um inquérito com investigações em andamento sobre o caso em Rio do Sul e por esse motivo não poderia revelar mais detalhes além das informações divulgadas na nota.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC), em Florianópolis, informou que o advogado preso é de Balneário Camboriú e não tinha mais detalhes. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos dois presos.

POLICIAL É AFASTADO DAS FUNÇÕES

Além da nota, o governo divulgou uma portaria com data de 2 de agosto em que o delegado-geral afasta o policial civil das suas funções. A medida é retroativa ao dia 26 de julho, a data em que houve a prisão preventiva.

Além de criminalmente, o policial responderá processo administrativo na Corregedoria da Polícia Civil. Ao final da nota, o delegado-geral afirma que qualquer desvio de conduta dos integrantes da Polícia Civil será sempre rigorosamente apurado e o caso  levado ao conhecimento do Judiciário para a completa responsabilização criminal dos envolvidos.

A NOTA OFICIAL DA POLÍCIA CIVIL:

"A Polícia Civil do Estado de Santa Catarina (PCSC) informa que uma recente operação deflagrada pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), nas Comarcas de Balneário Camboriú e de Rio do Sul, resultou no indiciamento de um policial civil, de um advogado e de um empresário pelos crimes de violação de sigilo funcional, associação criminosa e concussão. Para tanto esclarecemos que:

1 - Estava em tramitação na Deic dois inquéritos policiais para apurar os crimes de extorsão, concussão e associação criminosa ocorridos nas comarcas de Balneário Camboriú e Rio do Sul;
2 - Por parte da Deic, num primeiro momento, houve a formulação de representações ao Juiz de Direito da Comarca de Balneário Camboriú para expedição de mandado de prisão preventiva e de mandados de busca e apreensão;
3 - Com o resultado da prisão e das buscas, além da conclusão do inquérito policial, procederam-se novas representações relacionadas a outras prisões preventivas, dentre as quais: a de um policial civil lotado e em exercício na própria Deic;
4 - O Poder Judiciário, com manifestação favorável do Ministério Público (MPSC), atendeu ao pedido da Deic, viabilizando, assim, a conclusão da primeira parte das investigações relacionadas à Comarca de Balneário Camboriú;
5 - A investigação relacionada à Comarca de Rio do Sul ainda encontra-se em tramitação, razão pela qual não se pode dar mais detalhes sobre o andamento do caso, que já conta com diversas diligências, cumprimento de buscas e outras prisões;
6 - Até o momento, estão presos um policial civil, que se encontra detido nas dependências da Deic, em Florianópolis, e um advogado que está recolhido na unidade prisional de Itajaí. As investigações também indicam o envolvimento de um empresário, que se encontra foragido;
7 - O policial civil preso e envolvido nos fatos responderá, além de criminalmente, processo administrativo na Corregedoria Geral da Polícia Civil (CORPC)
8 - Por fim, a Polícia Civil de Santa Catarina reforça à sociedade catarinense que qualquer desvio de conduta dos seus integrantes será sempre rigorosamente apurado e o caso devidamente levado ao conhecimento do Poder Judiciário para a completa responsabilização criminal dos envolvidos".
Delegado-Geral da Polícia Civil
Artur Nitz

 
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