Tumulto entre adolescentes e agentes ocorre no Centro de Internação Feminino da Agronômica, em Florianópolis - Polícia - Hora

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O bicho pegou25/08/2016 | 21h07Atualizada em 25/08/2016 | 21h07

Tumulto entre adolescentes e agentes ocorre no Centro de Internação Feminino da Agronômica, em Florianópolis

Dois menores foram transferidos para a Joinville, depois que a PM precisou intervir para cessar o princípio de motim dos internos

Um tumulto que se alastrou da ala feminina para a ala masculina do Centro de Internação Socioeducativo da Agronômica, em Florianópolis, convulsionou a noite de quarta-feira no complexo que abriga adolescentes que cumprem medidas de internação provisória, e fica ao lado da penitenciária da Capital. 

Dois adolescentes masculinos foram transferidos para a Joinville, depois que a Polícia Militar (PM) precisou intervir para cessar o princípio de insurreição dos internos. Ninguém ficou ferido, garante o Departamento de Administração Socioeducativa (Dease).

As versões ouvidas pela reportagem são contraditórias. Em uma delas, narrada por um agente que disse trabalhar no "plantão da Agronômica", sem especificar se é na penitenciária ou no centro de internação, as adolescentes internadas sofreram "tortura" e "agressões" pelas agentes socioeducativas que trabalham no local, inclusive com "spray de pimenta". 

Ele relatou que entre quarta e quinta-feira, ocorreu uma série de problemas no local. As adolescentes, em número incerto de acordo com o homem que telefonou para a Hora, foram "torturadas psicologicamente até perderem a cabeça e revidarem". O agente afirmou que as jovens apanharam e só foram controladas com mais violência. 

— Os adolescentes masculinos se revoltaram com a situação e também entraram em confronto com os agentes — contou, antes de dizer que o conflito entre agentes e PMs contra os internos se estendeu até a manhã desta quinta.

O conflito, segundo ele, teria sido causado por profissionais que "se vingaram" do afastamento de outras cinco agentes suspeitas de tortura.

Dease admite tumulto

Nesta quinta-feira, a reportagem conversou com Sady Becker Júnior, diretor do Dease, que confirmou o que classificou como "princípio de confusão"

— Não podemos falar em rebelião — sustentou.

Segundo Sady, duas adolescentes internadas no local "descumpriram normas da casa", e ao serem avisadas de que teriam que cumprir algumas medidas disciplinares – que o diretor não soube dizer quais – se "revoltaram". 

— Começaram a chutar porta, a fazer algazarra, e isso tem que ser contido, porque quem manda na unidade é o Estado — ressaltou.

Indagado se as jovens foram torturadas, foi rápido: 

— Não é verdade.

Depois da insurreição feminina, foi a vez dos adolescentes internados começarem a tumultuar o ambiente, explicou Sady. Nesse momento, ele e a PM foram até o local. 

— Mesmo sendo adolescentes infratores, eles respeitam a farda, e se acalmaram com a chegada da PM. Mesmo assim, dois deles foram transferidos para Joinville, porque a confusão na ala masculina tendia a se generalizar — explica. 

Sady afirma que as adolescentes se acalmaram e desde quarta "está tudo normal" na unidade.


 
 
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