Vítima de sequestro em Rio Negrinho é a quarta libertada do cativeiro em dois anos - Polícia - Hora

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DESFECHO29/08/2016 | 16h47Atualizada em 29/08/2016 | 16h58

Vítima de sequestro em Rio Negrinho é a quarta libertada do cativeiro em dois anos

Deic consegue mais um final feliz ao resgatar com vida refém de sequestradores em Santa Catarina.

Vítima de sequestro em Rio Negrinho é a quarta libertada do cativeiro em dois anos Divulgação/Polícia Civil
Área de matagal em que a vítima estava ao ser localizada pela polícia, em Guaramirim. Foto: Divulgação / Polícia Civil

Ao resgatar uma mulher de 55 anos alvo de sequestradores em Rio Negrinho, no Planalto Norte, a Polícia Civil de Santa Catarina chegou ao quarto caso nos dois últimos anos em que a vítima é libertada do cativeiro com vida e sem o pagamento de resgate. Apesar do risco da ação, policiais especializados em investigar esse tipo de crime garantem que o trabalho é munido de questões técnicas e protocolos capazes de garantir a segurança do refém.

Mulher de um empresário do ramo de supermercados, a vítima foi encontrada machucada numa região de mato em Guaramirim, no domingo à noite, por volta das 19h. Ela havia sido levada por criminosos às 15h de sábado ao sair do cabeleireiro, em Rio Negrinho. Até ser encontrada passou por dois cativeiros, o primeiro em uma casa abandonada em Guaramirim e o segundo em um matagal, no interior da mesma cidade. Os bandidos fizeram telefonemas aos familiares dela pedindo R$ 40 mil de resgate.

— Houve agressão física, a encontramos em estado de choque, bastante machucada, caminhando perdida sozinha no mato porque acabou se soltando. Não temos dúvidas que ela seria morta. Os sequestradores fizeram terrorismo a ponto de ameaçar dizendo que iriam cortá-la e entregá-la em picadinhos — resume o delegado Anselmo Cruz, da Divisão de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Florianópolis.

Sobre a quarta operação da Deic no Estado envolvendo a libertação da vítima no cativeiro, o delegado afirmou que há um método de trabalho com segurança cuja parte do protocolo é resguardada em sigilo para manter o bom desempenho policial. Embora o resultado tenha sido de 100% de final feliz para as vítimas, a técnica demonstrada difere a vista até então nas últimas décadas pela equipe comandada pelo delegado Renato Hendges, o Renatão, falecido em abril de 2014.

Renatão e a equipe eram considerados referência no Brasil pelo esclarecimento de mais de 30 sequestros em Santa Catarina desde a década de 1980. O policial recomendava a negociação pela família e o pagamento do resgate. A operação da polícia para prender os criminosos só acontecia depois da libertação da vítima.

— O Renatão, entre outras coisas, tinha toda a sua luz, raciocínio e tino que lhe davam essa capacidade. Nós procuramos a questão técnica e sempre também levando em conta a segurança da vítima, não importa se levarmos anos depois para prendermos os autores — diz Anselmo.

"Psicopata", diz delegado sobre mentor

Os presos pelo sequestro em Rio Negrinho são Evandro Bento Gonçalves, 37 anos, a mulher dele Iria Ribeiro dos Santos, 37, e Claudemir Vaz de Oliveira. Para a Deic, os três demonstraram perfil violento. Evandro, apontado como o mentor do sequestro, é definido como psicopata pelo delegado Anselmo Cruz.

Eles não foram apresentados à imprensa e a reportagem ainda não conseguiu ouvir a defesa deles. Evandro é de São Francisco do Sul, Iria é de São Paulo e Claudemir de Laranjeiras do Sul (PR) — este último era o responsável por manter a vítima no cativeiro, conforme a polícia.

— O Evandro ficou dez anos preso, atuou por tudo que é crime, tráfico de drogas, roubo, homicídio e atentado violento ao pudor — comentou o delegado.

Evandro e Iria foram presos em um bar em Jaraguá do Sul. Os três estão presos em flagrante em Florianópolis por extorsão mediante sequestro e roubo. A ação foi em conjunta com a Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São Bento do Sul. A Polícia Militar também ajudou a Deic na operação.

Os quatro sequestros em SC desde 2014:

Ilhota - junho de 2014
Em junho de 2014, um menino de nove anos ficou em poder de sequestradores por cinco dias. Filho de um empresário de Ilhota, foi libertado do cativeiro pela polícia em Penha. Os bandidos pediam R$ 500 mil para soltá-lo. Dois bandidos morreram e um terceiro foi preso.

São João Batista - dezembro de 2015
Após 15 dias de tensão, a polícia resgatou com vida o empresário e sogro do prefeito de São João Batista, João José Gonçalves, 75 anos, de um sequestro que durava 15 dias. A vítima foi libertada em Paranaguá, no litoral do Paraná. Os bandidos pediam R$ 8 milhões. A quadrilha foi presa e o líder era vizinho da vítima.

São João Batista - abril de 2016
Um adolescente de 16 anos, filho de um ex-prefeito de São João Batista, foi sequestrado por três jovens, numa ação classificada pela polícia como amadora. Os policiais agiram rápido e libertaram a vítima numa área de mato no interior da cidade. Um autor foi morto em confronto com a polícia ao tentar fugir do cativeiro e outros três foram presos.

Rio Negrinho - agosto de 2016
Após 25 horas de sequestro, policiais libertaram do cativeiro uma mulher de 55 anos, na mata, na área rural de Guaramirim. Três autores foram presos. A vítima é mulher do dono de um supermercado em Rio Negrinho.

 
 
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