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Golpes05/09/2016 | 20h08Atualizada em 05/09/2016 | 21h16

Famílias de pacientes internados em hospitais de Florianópolis são alvos de estelionato

Criminosos entram em contato com as vítimas afirmando ser médicos e pedem depósitos em dinheiro para o tratamento

Famílias de pacientes internados em hospitais de Florianópolis são alvos de estelionato Betina Humeres/Agencia RBS
Último caso foi registrado na Carmela Dutra Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Tentativas e a consumação de golpes vêm assustando familiares de pacientes internados em hospitais de Florianópolis nos últimos meses. O estelionato na saúde já atingiu parentes de internados nos hospitais estaduais Celso Ramos, Caridade e Maternidade Carmela Dutra, e o Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) . 

Um inquérito foi instaurado há dois meses na 1ª Delegacia de Polícia de Florianópolis para investigar um caso de golpe em que chegou a haver depósito por parte da vítima, e outro inquérito está em vias de ser aberto na mesma delegacia por tentativa de estelionato ocorrida contra familiares de pacientes internados no hospital Celso Ramos. 

Os casos são semelhantes e geralmente um familiar do paciente é induzido a depositar dinheiro em contas bancárias sob o argumento de que o autor do telefonema é médico da unidade em que a pessoa está internada e precisava dos valores para realizar exames, comprar remédios ou manter tratamentos que não seriam cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

O último caso ocorreu no fim de semana, na maternidade Carmela Dutra, no centro da Capital, informou uma técnica em enfermagem que trabalha no local. Um homem, se apresentando como doutor Paulo Roberto, ligou para familiares de bebês internados na UTI Neonatal e pediu dinheiro para a compra de medicamentos que o SUS não cobriria e seriam essenciais para a "sobrevivência do bebê".

— Esta situação abalou todas as famílias da UTI neonatal, que ficaram apavoradas com a ligação e, por pouco, não efetuaram os pagamentos. Todos foram orientados a realizar boletim de ocorrência— disse a técnica. 

Titular da 1ª DP, o delegado Valter Claudino Rodrigues, responsável pelos dois inquéritos que tratam de um estelionato e de uma tentativa de estelionato contra familiares de pacientes internados no Celso Ramos, afirmou que até a tarde de segunda-feira nenhum boletim de ocorrência sobre a tentativa de golpe na Carmela Dutra havia sido registrada na Polícia Civil. Mesmo assim, confirmou a frequência e repetição dos casos.

— Não temos conhecimento ainda desse caso. Até reforçamos que as possíveis vítimas procurem nossa equipe na 1ª DP, para que assim possamos levantar mais informações e tentar descobrir os autores dos crimes, que têm ocorrido com relativa frequência na cidade — explica o delegado Claudino. 

Mulher pagou R$ 4,5 mil para falso médico

Em dezembro de 2015, uma mulher que mora em Victor Meireles, no Vale do Itajaí, e estava com o filho de 19 anos internado no hospital Celso Ramos, recebeu telefonema de um homem se apresentando como médico. Ele pediu dinheiro para cobrir uma parte do tratamento que não estaria inclusa no SUS. 

Desesperada com a situação do filho, que lutava contra um câncer, e abalada emocionalmente, a mãe depositou R$ 4,5 mil na conta do criminoso. Ela descobriu que era um golpe, e depois seu filho ainda morreu.

— Há dois meses instauramos inquérito. A mãe do rapaz depositou R$ 4,5 mil em uma conta que foi identificada como sendo do Mato Grosso. Eu encaminhei carta precatória para ouvir o titular da conta, mas a carta ainda não retornou — explica o delegado Claudino.

Ele conta que as famílias de pacientes, já fragilizadas pelo tratamento dessas pessoas, muitas vezes se tornam vítimas por desejarem a breve recuperação dos familiares. Em muitos casos, revela Claudino, o estelionato não se consuma, pois as potenciais vítimas desconfiam e procuram as unidades de saúde e a polícia.

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou a tentativa de golpe na maternidade Carmela Dutra, e disse que as famílias foram orientadas a registrar boletim de ocorrência. A própria pasta, através de sua assessoria de imprensa, reconhece que os casos se repetem nos hospitais da rede pública e até privada. Sobre como os criminosos conseguem o nome dos pacientes e telefone de seus familiares, a pasta disse que talvez seja em listas do SUS, mas reafirmou desconhecer a origem dos telefonemas. 

 
 
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