Roubos e furtos assombram a então pacata comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis - Polícia - Hora

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Insegurança03/09/2016 | 08h04Atualizada em 03/09/2016 | 08h04

Roubos e furtos assombram a então pacata comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis

Nesta sexta-feira, sete turistas registravam boletim de ocorrência na delegacia sobre arrombamento de veículos no bairro

Roubos e furtos assombram a então pacata comunidade do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Dois assaltos à mão armada a pedestres, dois furtos a residências, duas casas incendiadas aparentemente sem explicação. Este é o resumo dos últimos sete dias no Ribeirão da Ilha, tradicional bairro do sul, que sofre com uma onda de violência que assusta a comunidade.

Pelas casas e comércios paralelos e transversais à rodovia Baldicero Filomeno, que com seus mais de 20 quilômetros de extensão atravessa o Ribeirão, todos já ouviram falar de algum jovem assaltado no meio da rua ou um morador que perdeu tudo que tinha depois de ter a casa arrombada e os pertences furtados.

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O caso é tão grave que, durante a manhã desta sexta-feira, enquanto a reportagem da Hora ouvia a população na localidade, sete turistas de São Paulo e Recife registravam boletins de ocorrência na pequena delegacia que funciona de segunda à sexta, das 8h às 18h no bairro – quando abre, dizem moradores -, mas fecha do meio-dia às 14h.

Delegacia abre de segunda à sexta, só até às 18h, e fecha pra almoço Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Os turistas em visita à Ilha tinham acabado de ter os dois veículos alugados arrombados depois de pararem para tirar fotos da Igreja Nossa Senhora da Lapa, no centrinho, próximo a alguns dos restaurantes mais badalados da cidade. Começaram a viagem, em plena manhã de sexta, da pior forma possível.

— A gente já mora em São Paulo, que é violenta, e resolve passar férias em um lugar que pensa ser tranquilo, mas um dia depois de chegar já temos que procurar uma delegacia porque tentaram nos furtar — reclamava a funcionária pública Camila Fernades Horiuti, 34 anos. 

Os bandidos não chegaram a levar nada dos carros, que por serem alugados estavam "limpos".

— Eles só arrombaram, o que eles queriam pegar estava com a gente, ainda bem que não aconteceu nada pior — repetia a turista.

Os roubos e furtos se acentuaram de dois meses para cá, explica a agente de polícia Angelita Maria Marciano, que trabalha na delegacia, onde uma placa na parede informa que após as 18h os BOs só podem ser registrados na 2ª DP, que fica no Saco dos Limões, mais de 30 quilômetros distante do Ribeirão.

— Nosso efetivo é baixo, não adianta. Acredito, opinião pessoal minha, que esses crimes sejam praticados por elementos que migraram de Açores para cá, porque lá a implantação do Vizinho Solidário diminuiu as ocorrências — aponta a policial civil, que se desdobrava para atender os turistas que precisavam registrar a ocorrência para comunicar a empresa que locou os carros dos prejuízos que os veículos tiveram.

PM afirma já ter identificado suspeitos

O tenente coronel Marcelo Pontes, comandante do 4° Batalhão de Polícia Militar, que cobre o Ribeirão da Ilha, afirma ter conhecimento dos dois assaltos ocorridos em uma semana no bairro. Ele revela que o setor de inteligência já identificou quatro suspeitos de cometerem os crimes, mas em uma abordagem aos jovens, nada foi encontrado com eles. Portanto, eles seguem nas ruas.

— De qualquer forma, estamos atentos à situação na região, inclusive com rondas — garante.

Sobre os furtos, o coronel Pontes diz desconhecer os dois casos registrados na delegacia da comunidade. A reportagem relatou ao comandante que muitas casas do Ribeirão têm placas do Vizinho Solidário, mesmo que o projeto ainda não tenha sido implantado no bairro.

O oficial explicou que a comunidade deve se reunir, procurar o comandante da área mais próxima, no caso o Campeche, e marcar uma reunião para delinear a formação do Vizinho Solidário Interativo (VSI), que já foi implantado em 46 localidades do sul da Ilha.

— É importante a comunidade se mobilizar, e os resultados são bons na redução de crimes onde foram implantados os VSIs. No caso de furtos a residências, por exemplo, ajuda bastante, porque outras pessoas também cuidam de sua casa — destaca Pontes. 

Viajar é outro dos perigos 

Há placas, mas projeto Vizinho Solidário não existe no bairro Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Um dos que tem a placa do Vizinho Solidário em frente de casa é o vigilante Valmir Mendes, 54 anos, nativo do Ribeirão que conta nunca ter visto tantos casos de furtos e roubos em sequência na região. Sua indignação também se refere ao que considera "falta de policiais" e "a delegacia fechada à noite". 

Sobre o porquê de ter instalado a placa mesmo sem ter o programa no bairro, disse que ela está ali para "assustar" os criminosos.

O aposentado Joel Ferreira, 65 anos, mora próximo a uma casa da qual foram furtadas quatro televisores no fim de semana passado. Na sexta, se preparava para pegar a estrada com a mulher, e levava consigo o medo de ser a próxima vítima dos criminosos. 

— Corro o risco de voltar e a casa estar vazia.

 
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