Acusado de atirar contra PMs e atropelar mulheres é condenado a 16 anos de prisão em Florianópolis - Polícia - Hora

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Justiça20/10/2016 | 20h00Atualizada em 20/10/2016 | 21h30

Acusado de atirar contra PMs e atropelar mulheres é condenado a 16 anos de prisão em Florianópolis

Réu cometeu os crimes durante a onda de atentados em 2014

Acusado de atirar contra PMs e atropelar mulheres é condenado a 16 anos de prisão em Florianópolis Marco Favero/Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS

O júri popular no Fórum de Florianópolis condenou nesta quinta-feira o réu Wesley Luiz da Costa a 16 anos de prisão pelos crimes de tentativas de homicídio, receptação e associação criminosa. Costa, de 20 anos, atirou contra uma base da Polícia Militar, fugiu em um carro roubado dirigido por um adolescente e, na perseguição, o veículo acabou atropelando duas mulheres em um ponto de ônibus, no Itacorubi. Os crimes aconteceram durante a onda de atentados em Santa Catarina em setembro de 2014, e desde então Costa estava preso.

Promotor pede condenação de réu que atirou contra PMs em Florianópolis
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A defesa tentou desqualificar a acusação de tentativas de homicídio, sem sucesso. Ele também teve negado o direito de recorrer em liberdade. Os jurados o absolveram das acusações dos disparos contra a viatura durante a fuga - a defesa considerou que no máximo houve resistência pelo réu.

A sentença foi lida pelo juiz Marcelo Volpato às 19h30min depois de longos e acirrados debates entre a acusação e defesa que marcaram a sessão. De um lado, o promotor Andrey Cunha Amorim, que energicamente defendeu a acusação do réu por tentativas de homicídio e outros crimes. Do outro, dois advogados de defesa, sendo a explanação aos jurados feita pelo advogado Jean Franciesco Cardoso Guiraldelli - defendeu a tese que não ficou caracterizado o crime de tentativa de homicídio e que os tiros foram contra o posto policial para dar susto aos PMs.

O réu está preso desde o dia 29 de setembro daquele ano, quando houve uma onda de atentados nas ruas promovida pela facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

— Por tudo o que o Ministério Público pede ele deve pegar uma pena de 26, 27 anos de prisão em resposta à sociedade e ao PGC, para que saibam que atacar bases policiais vai ser exemplarmente punido. É um crime muito grave, ônibus foram explodidos, policiais perderam as vidas e bases foram atacadas — disse o promotor Amorim na réplica aos jurados.

O promotor refutou a tese que o réu disparou os tiros na frente da base da PM do Parque São Jorge para dar um susto e sem a intenção de matar alguém. Para Amorim, o acusado sabia que lá dentro havia policiais e assim teve a intenção de matar.

— Estamos falando de uma organização criminosa. Há os que mandam os crimes e há os que executam. Se ele atira contra a base da PM como não faz parte da organização criminosa? — questionou o promotor.

"Linchamento público", diz defesa

O advogado de defesa, Jean Franciesco Cardoso Guiraldelli, afirmou que Costa não integra a facção e que está sofrendo um linchamento público como se fosse o causador de tudo.

— O Wesley (Costa) nunca bateu o pé em uma delegacia. Não se pode colocar uma pessoa para Cristo e colocar a culpa toda nela. Não há provas de que integra facção e nunca sequer o nome dele apareceu em investigação da Deic — destacou o advogado.

Sobre o atropelamento das duas mulheres no ponto de ônibus do Itacorubi, a defesa afirmou que não era Costa quem dirigia o carro e sim um "adolescente cheio de passagens".

Com o acidente com o carro desgovernado, uma das vítimas passou por várias cirurgias e perdeu uma das pernas.

Preocupação com facção fica evidenciada

Mais uma vez no Tribunal do Júri de Florianópolis ficou evidenciada a preocupação com crimes a mando da facção PGC, cujos líderes estão em presídios.

A promotoria relatou que só este ano ao menos seis réus da facção foram a julgamento por crimes como atentados a órgãos do governo do Estado e atear fogo em ônibus.

— O crime foi praticado durante atentados promovidos contra a sociedade catarinense, a manda de organização criminosa que causou pavor à população e constantemente atenta contra a ordem pública pela prática de atentados contra agentes de segurança, prédios públicos e meios de transporte coletivos — escreveu o juiz Volpato na sentença, observando que a facção tem sua base formada por milhares de integrantes.

Familiares do réu assistiram ao julgamento. Também estavam presentes cerca de 20 futuros juízes aprovados em concurso público, mas que ainda não tomaram posse no cargo.

 
 
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