Família de pedreiro morto em São José deixa bairro com proteção policial - Polícia - Hora

Versão mobile

Assassinado pelo tráfico24/10/2016 | 19h19Atualizada em 24/10/2016 | 20h20

Família de pedreiro morto em São José deixa bairro com proteção policial

Polícia Civil prioriza investigação para capturar bandidos que mataram trabalhador que se recusou a deixar a casa a mando de traficantes.

Sob escolta policial, a família do pedreiro Roberto Carlos Padilha, 46 anos, assassinado na madrugada de sábado, buscou a mudança na tarde desta segunda-feira e deixou o Morro da Boa Vista, na comunidade José Nitro, em São José. O morador foi morto por traficantes com pelo menos 18 tiros após se recusar a deixar a casa em que morava havia 20 anos.

Policiais civis da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de São José acompanharam a mudança da mulher de Padilha e também fizeram diligências na região em busca de informações sobre os criminosos. Responsável pela investigação, o delegado Manoel Galeno confirmou que o homem foi morto porque não queria deixar a casa. O policial disse que há um forte conflito no local envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, que busca o território até então dominado pelo Primeiro Grupo Catarinense (PGC).

— Eles (criminosos) queriam a casa. O PCC está indo com tudo para tomar espaço no local — disse o delegado.

No boletim de ocorrência registrado pela mulher do pedreiro consta que cinco homens armados arrombaram a porta da sala na madrugada de sábado e surpreenderam a vítima no banheiro. Em seguida, os bandidos começaram a atirar e a gritar "cagueta" (alguém que entregou outra pessoa), fugindo a pé. A polícia não dá mais detalhes para não atrapalhar as investigações e afirma que a vítima não tinha antecedentes criminais.

A família é do Oeste catarinense e o destino para o qual a mulher se mudou foi mantido em sigilo por segurança. Na comunidade José Nitro, moradores e comerciantes estão revoltados com a morte e há um clima de medo com a violência imposta por criminosos. O pedreiro era bastante conhecido, tinha amizade com a população e não há relatos que tivesse problemas no bairro. Dois dias antes do assassinato, ele circulou na região em busca de caixas para a mudança. Dizia que não ia para muito longe, mas que precisavam se mudar, conformou apurou a reportagem.

A polícia tem dificuldades para colher os depoimentos sobre o crime em razão da lei do silêncio comum nesse tipo de situação, em que traficantes ameaçam matar quem colaborar com a polícia. A DIC dá prioridade a essa investigação e os policiais que cuidam do caso são experientes.

Crime bárbaro na região há quatro anos

A morte do pedreiro Roberto Carlos Padilha foi no Morro da Boa Vista, área quase no final da Avenida das Torres entre São José e Biguaçu. Perto dali, em janeiro de 2012, um outro morador também foi vítima de um crime bárbaro que revoltou a população.

O mestre de obras Gelson Aparecido de Souza, 32 anos, morador do Bairro Morar Bem, e os filhos dele de cinco e nove anos, foram mortos por traficantes no dia 9 de janeiro de 2012, em um galpão em Palhoça, com golpes de pé de cabra. Motivo: traficantes não gostaram do fato de Gelson ter mandado instalar câmeras de vigilância em frente ao salão de beleza da mulher dele, em São José, pois o equipamento teria prejudicado o comércio de drogas. Os autores foram presos e condenados.




 
 
Hora de Santa Catarina
Busca
clicRBS
Nova busca - outros