VÍDEO: Mãe de vítima de estupro detalha crime cometido por suspeito preso na Grande Florianópolis - Polícia - Hora

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Abuso sexual06/10/2016 | 19h21Atualizada em 06/10/2016 | 20h42

VÍDEO: Mãe de vítima de estupro detalha crime cometido por suspeito preso na Grande Florianópolis

Homem é acusado de quatro crimes e uma tentativa

VÍDEO: Mãe de vítima de estupro detalha crime cometido por suspeito preso na Grande Florianópolis Cristiano Estrela / Agência RBS/Agência RBS
Delegada apresentou resultado da investigação Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS / Agência RBS

Era a noite de 12 de abril deste ano quando dona Maria (nome fictício, para preservar a vítima) escutou os gritos de sobrinhos e familiares, que moram a 100 metros de sua casa, chamando por ela e o marido. Moradores de Santo Amaro da Imperatriz, o primeiro pensamento foi de que a filha, de 22 anos, que voltava à noite de um curso de técnica de enfermagem em Palhoça, teria sofrido um acidente.

— O que eu vi foi muito pior. Não sei nem descrever o estado em que ela estava — lamentou a mãe.

A jovem foi a quarta vítima de um homem suspeito de estuprar quatro mulheres e de uma tentativa de estupro, em Palhoça e Santo Amaro, entre novembro de 2015 e setembro de 2016. A Polícia Civil, através de uma parceria entre policiais da Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança e ao Idoso (DPCAMI), da Comarca e de Santo Amaro, conseguiu prender em flagrante o suspeito, um entregador de pizza de 29 anos. Rodrigo Barbosa dos Santos está desde o dia 19 de setembro no Presídio da Capital, na área do seguro, informou a delegada responsável pelo caso, Eliane Chaves.

O suspeito, segundo a delegada, basicamente agia da mesma forma em todos os casos. De motocicleta, durante a noite, entre 22h e 23h30min, abordava as vítimas, que também estavam de motocicleta. Os casos ocorreram nos bairros Pacheco, Bela Vista, além de Santo Amaro, no Pagara.

— Ele as seguia até um ponto ermo, geralmente área de mato e numa área da rua inclinada, onde pedia para as mulheres pararem. Geralmente as ameaçava com uma faca, sempre usava uma capa de chuva - faça chuva ou sol - e o capacete — explicou a delegada.

Foi o que aconteceu com a filha de dona Maria. O suspeito aproveitou o local, uma área de sítio, para cometer o crime. A vítima estava somente a 500 metros de casa.

— Ele encostou a moto ao lado da dela. A minha filha até pensou que fosse um primo, e achou que fosse brincadeira. Ele aí atravessou a moto na frente. Quando parou, ela começou a entregar o celular e a bolsa dela, pois achava que era um assalto. Ele disse que não queria nada. Colocou uma faca nas costas dela e pediu para entrar no mato. Disse para ela não olhar para a placa da moto, e nem para avisar a polícia, porque o filho dela seria o primeiro a morrer caso alguma coisa fosse dita. Ele sabia até que ela tinha um filho de quatro anos. Ela nem queria denunciar de tanto medo, mas nós insistimos — relatou a mãe.

Mesmo "modus operandi"

O primeiro caso ocorreu em 19 de novembro de 2015, quando uma mulher foi abusada durante a noite quando voltava do trabalho. O suspeito estaria em uma CG preta.

— Ela não queria denunciar, por medo das ameaças, mas um amigo a convenceu a ir à delegacia. O IGP conseguiu coletar o material genético do suspeito, mesmo um dia depois do crime  — relatou Eliane Chaves.

No segundo caso, o homem estava numa moto verde, de acordo com a vítima. Câmeras de monitoramento não conseguiram identificar a placa ou o suspeito. No terceiro, a vítima conseguiu fugir da abordagem. No caso de Santo Amaro, o suspeito usava uma moto YBR prata, o que fez a polícia acreditar que o agressor trocava de veículo constantemente.

No último caso, em setembro deste ano, o agressor agiu diferente. Ele atacou uma mulher na casa dela, em Palhoça. Para a delegada Eliane, ele conhecia a vítima e planejou o abuso.

— Ele primeiramente bateu na porta da vítima, pediu informação e saiu. Depois voltou lentamente, abriu portão e pé por pé, entrou na casa. Pudemos verificar toda esta ação através de uma câmera de monitoramento de uma das casas da vizinhança. Ele ficou bastante tempo no local e saiu como quem não fez nada — contou a delegada.

Denúncia rápida colaborou com a prisão

O grande apoio foi com a ida da vítima do quinto caso à delegacia logo após o crime. As equipes da DPCAMI se dividiram entre apoio à mulher e à investigação no local do crime.

— Fomos direto na casa dela e conseguimos este vídeo, que identificou a placa da moto. Assim que tivemos o nome do proprietário fomos até a casa dele. Este homem disse que tinha vendido naquele dia o veículo ao entregador de uma pizzaria — disse.

Rodrigo Barbosa foi preso no local de trabalho e não reagiu à prisão. Ele usava motocicleta própria para trabalhar. A polícia conseguiu prender ele em flagrante, por estar com a motocicleta vista no local do crime. De prisão em flagrante, o caso já passou para preventiva. Desde 19 de setembro que o suspeito está na cadeia. A reportagem não conseguiu identificar o advogado responsável pela defesa de Rodrigo.

Material genético foi coletado do suspeito e neste mês, foi confirmado que o DNA batia com o material coletado de duas vítimas do estupro, afirmou a delegada.

— Não temos dúvidas que ele é o autor. No depoimento, ele preferiu ficar em silêncio e só responder em juízo — disse a delegada.

O IGP agora analisará no banco de dados os materiais genéticos de outras possíveis vítimas do agressor.

A Polícia Civil prepara agora a denúncia dos demais três estupros e a tentativa para apresentar à Justiça.  

— Com a prisão, minha filha chegou a dizer que agora vai conseguir retomar a vida. Hoje (quinta) foi o primeiro dia de emprego dela, de novo, depois de quase seis meses sem conseguir fazer nada mais. Até dormir com a gente, no meio dos pais, ela precisava. Agora, ela já dorme sozinha, voltou a estudar e fica mais tranquila com o filho — declarou a mãe.

DENUNCIE

Segundo a delegada Eliane Chaves, informar o estupro e detalhar as características do agressor, se possível, logo após o crime, é primordial para as investigações. A indicação é seguir para a delegacia mais perto do local do crime, fazer o Boletim de Ocorrência e todos os exames necessários para resguardar a saúde da vítima. Para denunciar agressores, o número da Polícia Civil é o 181 e o da PM, em caso de flagrante, é o 190. 

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