Família de jovem morto em boate sai indignada com pena de 16 anos de prisão dada a autor do crime  - Polícia - Hora

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Sentença03/11/2016 | 20h45Atualizada em 03/11/2016 | 20h45

Família de jovem morto em boate sai indignada com pena de 16 anos de prisão dada a autor do crime 

Parentes de Diogo Cuiabano esperavam tempo maior de prisão a Leonardo dos Passos Pereira. 

A pena de 16 anos de prisão dada a Leonardo dos Passos Pereira, 21, pela morte do estudante Diogo Cuiabano de Medeiros, 26, atingido com um copo no pescoço no banheiro da boate Fields, em março de 2015, gerou indignação à família da vítima ao final do julgamento nesta quinta-feira, no Fórum de Florianópolis. Apesar da condenação, os parentes consideraram pequeno o tempo de prisão estabelecido.

– A gente esperava a condenação, mas não quero falar no momento em que eu estou indignada. Isso aqui é a derrota para os dois lados. Não teve vitória para ninguém. Quando eu vim pra cá, se ele pegasse cinco, dez, 15, 20 ou prisão perpétua eu já tô derrotada porque não vai mudar o que aconteceu com a minha família – disse Flávia Cuiabano, mãe de Diogo, numa rápida declaração dada ao Diário Catarinense após o encerramento do júri popular, por volta das 19h.

Flávia assistiu todo o julgamento ao lado de familiares. Todos moram no Rio de Janeiro. A tia de Diogo, Patrícia Cuiabano, também demonstrou um sentimento de desolação:

– O que é justo? Essa história não tem vitorioso, tem duas vidas estragadas, um jovem morto e outro preso. O bom é se a gente não tivesse chegado até aqui – lamentou a tia.

Do lado do réu, a defesa de Leonardo dos Passos Pereira também mostrou inconformismo com a condenação. Após o juiz Marcelo Volpato ler a sentença, o advogado Jean Franciesco Cardoso Guiraldelli anunciou que irá entrar com recurso no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Leonardo está preso e continuará cumprindo a pena em regime fechado. Ele teve negado o direito de recorrer em liberdade. Cerca de 150 pessoas acompanharam o júri. O público que lotou o plenário era formado por juízes em formação, estudantes, professores e familiares da vítima e do réu.

Na sentença, o juiz destacou a conduta reprovável do réu e a embriaguez dele na casa noturna movimentada. Os jurados reconheceram os argumentos da acusação, de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

"Não foi fatalidade", defende a acusação

A acusação entendeu que o autor do crime deu uma ombrada proposital na vítima na saída do banheiro, quebrou um copo na parede e em seguida atingiu Diogo no pescoço com a intenção de matar.

– Não foi uma fatalidade e não existe qualquer situação de legítima defesa pelo réu – enfatizou aos jurados o promotor Luiz Fernando Pacheco.

O advogado Giancarlo Castelan, assistente de acusação, pediu aos jurados uma resposta à sociedade e à família da vítima ao defender que o réu fosse condenado por homicídio duplamente qualificado. Castelan exibiu na réplica um vídeo gravado pelo réu na boate naquela madrugada antes do crime em que ele afirma: "vou dar uma porrada no segurança, vou chapar".

– O copo foi quebrado por ele (acusado) na parede antes do golpe com a intenção de lesionar. A ombrada antes foi proposital. O Diogo (vítima) saía do banheiro e ainda pediu desculpas. Foi um crime bárbaro, sem explicação para uma atitude inconsequente de um jovem feito a viver ao limite – disse o assistente de acusação sobre o réu.

Réu diz que não tinha intenção de matar

Leonardo dos Passos Pereira permaneceu a maioria do júri cabisbaixo. Em seu interrogatório, de manhã, ele alegou que jamais teve a intenção de matar Diogo, que bebeu bastante na noite do crime e que agiu por reflexo porque viu uma garrafa na mão da vítima e se sentiu ameaçado. 

– Nos esbarramos. Eu virei para ele, ele virou pra mim com a garrafa na mão e eu esbocei a reação – alegou.

O advogado da defesa, Jean Franciesco Cardoso Guiraldelli, começou os debates com a afirmação de que há muita coisa no processo que as pessoas não sabem e em seguida disse que uma testemunha mentiu e apresentou cinco versões do fato.

– A acusação está perdida e quer condenar a qualquer custo para dar satisfação pela repercussão – declarou o defensor do réu.

O advogado de defesa afirmou que Leonardo estava doidão, bêbado e não lembra do que aconteceu naquele dia e que a vítima também estava alcoolizada.

– Os dois estavam alcoolizados e por reflexo ele (Leonardo) atingiu com o copo, não tinha a intenção de matar, foi uma reação – acrescentou o advogado.

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