Operação no Sul de SC desmonta grupo criminoso do jogo do bicho que mantinha relação com políticos - Polícia - Hora

Contravenção09/12/2016 | 12h29Atualizada em 09/12/2016 | 12h34

Operação no Sul de SC desmonta grupo criminoso do jogo do bicho que mantinha relação com políticos

Suspeito de Tubarão teria se reunido com bicheiros cariocas para juntar dinheiro que seria enviado a representantes do Congresso Nacional

Operação no Sul de SC desmonta grupo criminoso do jogo do bicho que mantinha relação com políticos ¿?nderson Silva / Agência RBS/Agência RBS
Foto: ¿?nderson Silva / Agência RBS / Agência RBS

Uma rede do jogo do bicho apoiada por agentes públicos e com interferência em políticos foi desmontada nesta quinta-feira no Sul de Santa Catarina. A Operação Castelo de Cartas, feita pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em parceria com o Ministério Público (MP), prendeu seis pessoas temporariamente, além de ter cumprido seis mandados de condução coercitiva e 19 de busca de apreensão, que resultaram em aproximadamente R$ 1 milhão em recolhimento de 22 bens e dinheiro em espécie. A ação ocorreu em Araranguá, Criciúma, Balneário Arroio do Silva, Tubarão, Gravatal e Balneário Rincão.

Dentro os presos estão os grandes bicheiros da região e gerentes responsáveis pela atuação nas bancas. Eles estão detidos na Deic e nos presídios de Araranguá e Criciúma. A apuração iniciou há um ano, depois de denúncia anônima de que contraventores atuavam em Araranguá com a facilitação de servidores públicos. A força do grupo foi percebida pela polícia logo após o começo da investigação.

Um dos bicheiros da região fez contato com políticos locais com interferência no Estado para que o delegado responsável pelo trabalho fosse transferido já que ele estaria dificultando a ação dos contraventores. A intenção, no entanto, não se confirmou e o delegado permaneceu na cidade.

A rede se espalhou de Araranguá para as outras cidades da região, como uma hierarquia estabelecida. Com o passar do tempo, os investigadores perceberam que o grupo lavava dinheiro, além de cometer crimes de corrupção.

— O que nos chamou a atenção é que geralmente os grupos criminosos se preocupam em tentar esconder suas ações para evitar atrair a atenção da polícia. Mas essa organização criminosa não tinha esse cuidado e ainda queria tirar do caminho quem estava combatendo suas ações — explicou o delegado da Deic responsável pela investigação, Rodrigo Schneider.

Com essa etapa concluída, a investigação agora vai para a segunda parte do inquérito para apurar o envolvimentos dos agentes públicos e políticos nas ações dos bicheiros. O promotor de Araranguá Marcio Gaiveiga Vieira diz que ainda não é possível confirmar quem são os servidores envolvidos, mas os fatos já apurados apontam índices de participação.

A força da organização criminosa, explicaram os delegados da Deic e o promotor, se evidenciou em um encontro ocorrido no Rio de Janeiro em que um bicheiro de Tubarão esteve presente. Nessa reunião, esteve em debate a contribuição que seria reunida pelos contraventores para envio a representantes do Congresso Nacional. A intenção, diz Vieira, era que o projeto de lei que regulamenta os jogos de azar seja aprovado.

— Esse projeto permitiria que apenas um grupo com determinados requisitos pudesse atuar com o jogo do bicho, o que permitiria crimes como lavagem de dinheiro — argumenta o promotor.

Vieira afirma que há indícios de participação de políticos das três esferas no esquema: municipal, estadual e federal. Os estaduais teriam sido acionados para ajudar na troca do delegado responsável pela investigação. Para o delegado coordenador da Deic, Adriano Bini, o fato de a substituição não ter sido levada à frente demonstra uma maturidade das instituições.

Já na esfera municipal há suspeita de que o jogo do bicho tenha bancada a campanha de um candidato a vereador da região Sul do Estado. Outra pessoa que desistiu de concorrer também seria financiada, segundo o promotor. Na política federal a influência seria para a aprovação do projeto dos jogos de azar. Vieira lembra que a proposta foi apontada pelo presidente do Senador, Renan Calheiros (PMDB) como uma das prioritárias a ser votada até o final do ano.

Segundo Schneider, a Deic estuda enviar documentos da investigação ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração do envolvimento dos políticos do Congresso Nacional.


 
 
 

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